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30 anos do ‘Act III’, álbum clássico do Death Angel para o thrash metal

O dia 10 de abril de 2020 marca os 30 anos do álbum “Act III”, do Death Angel. Terceiro disco da carreira da banda norte-americana, o trabalho é considerado por boa parte da crítica especializada como o melhor e mais “maduro” do Death Angel.

Com um som mais encorpado e com uma produção mais caprichada que a dos dois discos anteriores, “Act III” traz o Death Angel pela primeira vez numa grande gravadora, a Geffen, e num nível técnico capaz de ser comparado na época aos grupos grandes do thrash metal, como Metallica, Slayer, Megadeth, Anthrax, Exodus e Testament.

Historicamente subestimada ante as demais grupos mais pela crítica do que pelos fãs, o Death Angel pode não ter chegado no mesmo nível
de sucesso destas bandas maiores, mas escreveu
brilhantemente seu nome na história do thrash.

Para quem não conhece o Death Angel (e não duvide que isso aconteça até mesmo entre os fãs mais novos do heavy metal), ela é uma das mais respeitadas do thrash. Foi formada em 1981 na famosa Bay Area de São Francisco, local de onde saíram ou se consolidaram outros nomes famosos do gênero, como o Exodus, o Testament e nada menos que o Metallica.

Umas das curiosidades do Death Angel está ligada aos integrantes, já que, quando formaram a banda, Mark Osegueda (voz), Rob Cavestany (guitarra), Gus Pepa (guitarra), Dennis Pepa (baixo) e Andy Galeon (bateria) eram muito novos, sendo que o mais velho tinha 15 anos. Outro detalhe é que todos eles tem origem filipina e são primos de primeiro grau, exceto o vocalista Mark que é de segundo grau.

Apesar de bastante novos, os integrantes atraiam bastante atenção do meio do heavy metal, pois faziam um som considerado para época como criativo, rápido e de arranjos complexos. Não por acaso, figurões do thrash, como o lendário baixista do Metallica, Cliff Burton, podiam ser vistos nas primeiras filas dos shows, impressionados com a competência musical dos garotos.

Após lançar dois álbuns de sucesso no auge do thrash metal (“The Ultra-Violence”, de 1987, e “Frolic Through the Park”, de 1988), o Death Angel absorveu no final da década de 80 toda uma nova onda que começou a atingir as demais bandas do thrash: depois de surgirem com um som menos elaborado, mas rápido e envolvente, os grupos passaram a incorporar elementos mais técnicos do que de costume e fizeram, entre 1988 e 1990, discos com um som claramente mais caprichado.

Um dos “culpados” por esta onda na época é o Metallica, que, no segundo semestre de 1988, lançou o indispensável álbum “…And Justice For All”, considerado o mais complexo da história da banda. Com canções longas, variações de andamento, viradas repentinas e inesperadas de ritmo, riffs diversos e distintos dentro de uma mesma faixa e uma performance fenomenal dos músicos, o disco do Metallica é componente obrigatório para qualquer fã do thrash metal ou que simplesmente admira a boa música.

E, se atualmente, no Século XXI, o Metallica há tempos deixou de ser apenas uma banda importante dentro do heavy metal para se tornar numa das maiores do planeta, entre 1988 e 1990, o grupo simplesmente era um dos mais respeitados em conduta e exemplo dentro do thrash metal, fazendo com que muitas outras bandas seguissem os caminhos estabelecidos, até porque o Metallica era o grupo que mais vendia álbuns do estilo e que mais angariava novos fãs.

Se o fã de thrash metal pegar como exemplo apenas o do Big Four em 1990, o Anthrax lançou o álbum “Persistence of Time” em agosto, o Megadeth trouxe o disco “Rust in Peace” em setembro e o Slayer lançou o álbum “Seasons in the Abyss” em outubro. São todos álbuns mais caprichados musicalmente do que essas bandas fizeram anteriormente. Até mesmo o Slayer, considerado o mais agressivo dos 4 grandes do thrash, traz uma técnica apuradíssima no “Seasons in the Abyss”.

É justamente esta técnica mais apurada que vemos no “Act III” do Death Angel em abril de 1990. Historicamente muito próxima do Metallica e até incentivada por membros da grande banda de thrash, não à toa a banda dos garotos brilhantes tinha uma boa inspiração para fazer um álbum maduro.

As faixas

São 10 músicas que foram distribuídas na época em dois lados do vinil – 5 faixas para cada lado. O CD já era comercializado, mas ainda era caro para os padrões da época, especialmente no Brasil, que vivia os tempos de hiperinflação e desemprego elevado da chamada década econômica “perdida”. Com isso, o vinil ainda tinha seu número de respeito de compradores.

Claramente, o então Lado A é melhor que o Lado B. Tudo porque concentra uma verdadeira aula de thrash metal, misturando músicas rápidas com uma técnica apurada de dar gosto. Não que o Lado B seja ruim, mas as 5 faixas iniciais são de tirar o fôlego e empolgar o mais frio dos fãs.

O álbum começa simplesmente com “Seemingly Endless Time”, um clássico gigante do thrash metal e maior hit do Death Angel.

A MTV seria lançada no Brasil apenas em outubro, mas, nos Estados Unidos, o clipe de “Seemingly Endless Time” já era um clássico do lendário programa “Headbangers Ball”. Na MTV Brasil, quando o inesquecível programa “Fúria Metal” começou nas madrugadas das quintas-feiras (às 2 horas da manhã!!), o vídeo do Death Angel era um dos mais exibidos e preferidos dos fãs.

A música em si sintetiza o álbum, pois traz o som caprichado, encorpado, técnico e rápido. O guitarrista Rob Cavestany e o vocalista Mark Osegueda estão simplesmente no auge da carreira e, enquanto um tira um som incrível do instrumento, o outro traz um vocal seguro, limpo e capaz de rivalizar com os dos grandes do estilo.

Gus Pepa (guitarra), Dennis Pepa (baixo) e Andy Galeon (bateria) não ficam atrás, já que o entrosamento do grupo está apurado a cada faixa.

A segunda música, do álbum não chegou a ter um clipe, mas merecia. “Stop” tem um dos riffs com mais cara de thrash metal da história do estilo!!! Ouça os acordes e tente segurar o pescoço. Se é fã de um bom thrash metal oitentista, vai ser difícil não bater cabeça.

Depois de dois petardos, o Death Angel vem com “Veil of Deception”, que deixa o thrash tradicional de lado e vem com algo com mais cara de balada, com guitarras acústicas. É neste momento que a banda mostra que a melodia também tem seu valor. O resultado é uma música diferente, mas que gera uma sensação positiva quando escutada.

“The Organization” é a quarta do álbum e o thrash volta com tudo. A levada mescla algo cadenciado com partes rápidas. Vale destacar que os backing vocals deste álbuns são bastante interessantes e fogem do padrão do thrash tradicional. Rob Cavestany e Gus Pepa já demonstram isso em “Stop”, mas repetem de maneira ainda mais satisfatória nesta quarta faixa.

“Discontinued fecha o então Lado A. Nesta faixa, chama a atenção a introdução, que é longa e uma verdadeira aula, que vai do thrash a elementos do funk. Na parte com vocais, além de Osegueda, os backing vocals voltam com tudo.

O Lado B não tem o mesmo brilho do Lado A, mas traz “A Room with a View”, outra balada, que ganhou clipe de sucesso entre os headbangers. Por ser mais lenta que o normal da banda e o thrash, ela não foi uma unanimidade na época, mas, 30 anos depois, fica clara a sua qualidade e sua melodia. Cantada inicialmente pelo guitarrista Rob Cavestany, ela ganha a companhia de Mark Osegueda na sua sequência. Belíssima!

“Stagnant”, “EX-TC”, “Disturbing the Peace” e “Falling Asleep” completam o lado e o disco com dignidade, mas não no mesmo nível avassalador do Lado A. “Stagnant” faz lembrar a pegada de “Discontinued” com os elementos do funk distribuídos ao longo da faixa. “EX-TC” traz Mark Osegueda relembrando vocais de álbuns anteriores, mais agressivos. “Disturbing the Peace” traz uma mescla de som rápido com partes cadenciadas, além de vocais matadores. “Falling Asleep”, talvez, seja a menos vibrante do disco, mas não chega a decepcionar.

Acidente na turnê

“Act III” gerou enorme sucesso no heavy metal para o Death Angel, mas, tal qual o Metallica, a banda também viveu um acidente sério de ônibus, justamente na turnê de divulgação do disco. O acidente deixou o baterista Andy Galeon seriamente ferido, precisando de mais de um ano pra se recuperar e trazendo enorme prejuízo comercial e financeiro à banda.

Neste período, o grupo chegou a encerrar as atividades e até mudar de nome por problemas com a gravadora. Reapareceu em 2001 e gravou dois ótimos álbuns (“The Art of Dying” e “Killing Season”), seguindo sua jornada que dura até os dias atuais.

Em 2010, quando o Death Angel veio pela primeira vez para o Brasil, o Roque Reverso fez a cobertura dos dois shows brutais que a banda realizou na cidade de São Paulo. O primeiro deles foi realizado no Clash Club e o segundo aconteceu o Blackmore Rock Bar. Ambas as casas de show, infelizmente, não existem mais.

Marca

Não há dúvida que o terceiro álbum do Death Angel escreveu o nome da banda na história do thrash metal e do heavy metal como um todo. O acidente interrompeu uma trajetória de sucesso que só crescia, mas o disco está aí para ser ouvido por todas as gerações que gostam de um som de peso e melodioso.

Para celebrar os 30 anos do “Act III”. o Roque Reverso descolou clipes oficiais e vídeos no YouTube. Fique inicialmente com o clipe clássico de de “Seemingly Endless Time”. Depois, veja a execução ao vivo de “Stop” (em 2019 em São Francisco e com a formação atual), seguida por um vídeo não-oficial de “Veil of Deception”. Para fechar, veja o clipe de “A Room with a View” e a execução ao vivo de “The Organization”, em 2012, com a participação de Gus Pepa. Se quiser ouvir o disco na íntegra, vá para o último vídeo.


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