Archive for the 'Larry Mullen Jr.' Category

20
out
17

Show do U2 em SP não é um passeio, é uma volta ao redor do planeta

U2 em SP - Foto: Divulgação U2Por Mario Rocha*

Minha estreia no Roque Reverso foi alguns anos atrás, quando comentei minha primeira vez num show do Bon Jovi. Falar do Bon Jovi, na verdade, é bem mais fácil porque a banda dele faz o básico. Um básico fodástico e arrebatador, é verdade. Mas o assunto é o U2. E o U2 é complexo. São muitas as mensagens musicais, tecnológicas, visuais, poéticas, políticas. Os caras fazem isso com profissionalismo e coração.

No filme “The Commitments”, o personagem principal diz que os irlandeses são os negros da Europa. Pois é como um negro que o Bono canta.

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09
mar
17

Maior e mais influente álbum do U2, ‘The Joshua Tree’ completa 30 anos de forma gloriosa

Por Rafael Franco*

Um marco histórico e fundamental da carreira do U2, o álbum “The Joshua Tree”completa 30 anos de seu lançamento nesta quinta-feira, dia 9 de março, de forma gloriosa. Maior sucesso comercial da história da banda, com mais de 25 milhões de cópias vendidas ao redor do mundo, o disco é um verdadeiro divisor de águas na história do grupo irlandês.

Embora naquele momento estivessem lançando já o seu quinto álbum de estúdio, após os também bem-sucedidos “Boy”(1980), “October” (1981), “War” (1983) e “The Unforgettable Fire” (1984), Bono Vox (vocal), The Edge (guitarra), Adam Clayton (baixo) e Larry Muller Jr (bateria) estavam dando ali um passo muito maior para se transformarem
no que depois vieram a se tornar: umas das maiores bandas da história.

Isso desde o ponto de vista de importância musical até o que diz respeito às cifras astronômicas e popularidade que passaram a ter. A elevação de status proporcionada pelo inspirado disco culminou com a abertura da era dos megashows que viriam a promover desde então e que tiveram seu ápice na década de 1980 com a turnê do álbum “Rattle and Hum”, de 1988, que também geraria um dos documentários mais bem produzidos da história do rock, com direito a exibição nas salas de cinema do planeta.

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20
out
15

Primeiro álbum de estúdio do U2, ‘Boy’ completa 35 anos ainda com ‘cara de garoto’

U2 - Reprodução da capa do álbum "Boy"Por Rafael Franco*

Primeiro dos 13 álbuns de estúdio do U2, o disco “Boy” completa 35 anos do seu lançamento neste dia 20 de outubro de 2015. Embora 35 não seja um número redondo e emblemático, o marco pelas três décadas e meia vale ser lembrado por fazer referência ao início já ousado e que foi o primeiro passo sólido de uma das bandas mais bem-sucedidas e influentes da história do rock.

A ousadia de “Boy” está implícita a partir da própria capa do disco, na qual um garotinho aparece sem camisa em uma foto com expressão inocente.

Embora a imagem o retrate apenas dos ombros para cima, a mesma acabou não sendo usada para os discos que foram comercializados no Canadá e nos Estados Unidos, pelo temor de que seu uso fosse associado à pedofilia.

Este temor esteve ligado ao fato de que muitas pessoas consideraram o álbum com conotação sexual e ao de que o mesmo se tornou um sucesso entre os gays, mas o próprio Bono Vox, vocalista do U2, negou que o disco tivesse apelo voltado para a sexualidade ou intenção de atingir um público específico.

O garoto em questão na capa do disco “Boy” é o hoje fotógrafo irlandês Peter Rowen – irmão de um amigo de Bono, Guggi – que depois também apareceria nas capas do terceiro álbum de estúdio da banda, o “War”, e também na coletânea “The Best of 1980-1990”.

Mas, independentemente da sua estética e da polêmica que envolveu a escolha de um garoto para ilustrar a capa de um disco de uma banda que apenas começava a trilhar o caminho para o estrelato, o “Boy” já trouxe os primeiros traços marcantes que ajudariam a consagrar o U2.

Estavam ali os inegáveis talento vocal e carisma de Bono Vox, a ótima performance de Larry Mullen Jr na bateria e a guitarra inconfundível de um então ainda cabeludo The Edge, que desde os primórdios da banda fugiu do estilo espalhafatoso e performático para dar preferência a um jeito sóbrio e sem improvisações, mas mesmo assim marcante. E, na retaguarda, um ainda garoto Adam Clayton justificando a fama de “guarda-costas” da banda, como Bono definiu durante um show do grupo realizado mais de duas décadas depois do lançamento de “Boy”.

Ainda com um quarteto muito jovem e sem sequer poder imaginar a grandiosidade que atingiria para depois se tornar pioneira e multimilionária banda da era dos mega shows de rock, o U2 trouxe no primeiro disco algumas canções com letras ainda imaturas, retratando problemas ou frustrações da infância e da adolescência, como fica claro nas faixas “Out of Control”, “Twilight” e “Stories for Boys”.

E foi um grande drama da vida de Bono, a morte da sua mãe quando ele tinha apenas 14 anos de idade, que inspirou o primeiro maior sucesso do grupo, “I Will Follow”.

Essa mesma faixa também serviu como uma forma de afirmar a fé cristã da banda, que depois viria a ficar clara pela primeira vez em uma entrevista que Bono concedeu à revista britânica NME, em 2007, quando reafirmou a sua crença em Jesus Cristo, sem nenhum medo de abordar o tema religioso, sempre tratado com cuidado pelas bandas no mundo do rock. No ano passado, em outra entrevista, ele reconheceu que costuma orar e que reconhece Jesus Cristo como o filho de Deus.

Embora seja um disco de estúdio, o “Boy” também trouxe canções gravadas ao vivo e tem também como curiosidade o fato de que poderia ter sido produzido por Martin Hannett, que foi produtor da banda Joy Division e acabou desistindo desta missão por estar arrasado com a morte de Ian Curtis, membro desta consagrada banda de pós-punk que acabou se suicidando em maio de 1980.

Curtis, inclusive, teve a canção “A Day Without Me”, de “Boy”, dedicada a ele por Bono. A canção foi escrita pouco antes da morte de Curtis e lançada meses depois do suicídio. Fã do cantor, o vocalista do U2 chegou a dizer que a voz dele era “santa” e o qualificou como o melhor frontman de sua geração.

Martin já produzira o single do U2 “11 O’ Clock Tick Tock”, mas saiu de cena para que Steve Lillywhite se tornasse o produtor musical do primeiro álbum da banda, depois de ter conseguido ganhar destaque ao trabalhar no lançamento do single de estreia do grupo Siouxsie and the Banshees, “Hong Kong Garden”, de 1978.

Gravado na Windmill Lane Studios, em Dublin, na Irlanda, o disco “Boy” (Island Records), embora seja emblemático e marcante para a carreira do U2, esteve longe de ser um dos maiores sucessos comerciais da banda, que depois iria estourar mundialmente com os consagrados álbuns “War” (1983), “Unforgettable Fire” (1984), “Joshua Tree” (1987), “Rattle and Hum” (1988) e “Achtung Baby” (1991), que em sequência tornaram o U2 uma instituição viva da história do rock.

Porém, somente nos Estados Unidos o álbum de 20 de outubro de 1980 vendeu mais de 1,3 milhão de cópias, e mais de 3 milhões ao total mundialmente, números bastante respeitáveis para o primeiro disco de qualquer banda.

Garoto da capa vira fotógrafo de capa

U2 - Reprodução da capa de “U22: A 22 Track Live Collection from U2 360°”Outra curiosidade sobre a capa do disco “Boy” é a de que Peter Rowen, o garoto que aparece com expressão assustada, acabou 32 anos mais tarde sendo o autor da foto que ilustra a capa do álbum ao vivo do U2, de 2012, “U22: A 22 Track Live Collection from U2 360°”.

Com sua vida intimamente ligada ao U2 desde a infância, Rowen se tornou fotógrafo de sucesso e foi convidado pela banda para retratar várias turnês do quarteto irlandês mais famoso do planeta. Ele foi chamado pela primeira vez para o show Slane Castle, de 2001, e depois trabalhou, entre outros lugares, em apresentações do grupo em Barcelona, Dublin, Paris, Roma, Montreal e até em São Paulo, onde a assombrosa turnê 360º marcou presença em 2011, com três shows no Estádio do Morumbi.

Outro fato que liga a vida do hoje fotógrafo à história do U2 está expressa na música “Bad”, um dos maiores sucessos da banda, escrito por causa de Andy, irmão de Rowen. A canção, que está no “The Unforgettable Fire”, retrata o drama vivido por Andy, que lutou por anos para se livrar do vício de heroína, antes de vencê-lo, segundo garantiu Rowen em entrevista concedida há três anos ao Ultraviolet, um fã clube do U2 no Brasil.

O certo é que, do garoto da capa que mais de três décadas depois curiosamente se tornou o homem que retratou a foto da capa de um disco do mesmo U2, a banda completa 35 anos de lançamento do seu primeiro álbum com muito a comemorar e muitas histórias para contar. E com a certeza de que tudo valeu a pena em 35 anos de estrada, estrada que eles ainda percorrem em grande forma com seus mega shows ao redor do planeta

Para comemorar os 35 anos do disco “Boy”, o Roque Reverso descolou vídeos no YouTube, todos ao vivo. Para começar, fique com o clássico de “I Will Follow”. Depois, veja vídeos das músicas “Twilight”, “Out of Control” e “A Day Without Me”, todos em gravações dos Anos 80. Para fechar, veja um vídeo de “The Eletric Co”, este da turnê do álbum “How to Dismantle an Atomic Bomb” em 2005.

*Rafael Franco é jornalista da Agência Estado e amante do bom e velho rock n’ roll
18
dez
14

Álbum emblemático e icônico da carreira do U2, ‘The Unforgettable Fire’ completou 30 anos em 2014

U2 - The Unforgettable Fire

Por Rafael Franco*

Quarto disco de estúdio do U2, o “The Unforgettable Fire” completou em 2014 três décadas de existência, mas, ao ser ouvido hoje, ainda soa como um álbum moderno. Quem o escutar pela primeira vez e não conferir a data de seu lançamento, o dia 1º de outubro de 1984, diria que ele poderia ter vindo de uma época que remete ao futuro de glórias do próprio U2. Não é exagero dizer que este disco marcou o início de uma nova era para os então quatro jovens irlandeses, que deste álbum partiriam nos anos seguintes para três discos antológicos em sequência: o “Joshua Tree”, de 1987, o ao vivo “Rattle and Hum”, de 1988, e o “Achtung Baby”, de 1991.

Embora Bono Vox considere “Bad” e “Pride (In The Name of Love)”, duas das melhores músicas – para muitos as duas melhores do “The Unforgettable Fire” -, “esboços incompletos”, pois a banda ainda estava em busca da maturidade que depois alcançaria para se consagrar como uma das maiores de todos os tempos, a própria sinceridade do vocalista traduzia o que o grupo depois tornaria uma marca de sua trajetória: a ousadia e nenhum temor em mudar seu estilo.

Estilo este que depois ficaria mais pop, como o próprio nome homônimo ao estilo, do álbum de 1997, não deixa mentir. Muito criticado pelos fãs mais tradicionais e adeptos ao rock, pela sua linha mais eletrônica e até dançante em algumas canções, o disco “Pop” foi um outro passo polêmico da banda após o também contestado “Zooropa” (de 1993), que marcaria a icônica turnê “Zoo TV”, o auge da era futurista dos megashows do U2 nos anos 90.

Mas nada disso teria sido possível sem o primeiro passo mais ousado da carreira da banda com o lançamento do “The Unforgettable Fire”, que, por sinal, foi o primeiro de Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr sob a produção de Brian Eno, músico que trabalhou com o grupo Talking Heads, e Daniel Lanois, engenheiro de áudio, que depois acompanhariam a banda ao longo de uma carreira que atingiria o seu auge naquela mesma década de 80 e início da de 90 com o “Achtung Baby”.

O som de protesto consagrado em “Sunday, Bloody Sunday”, do disco “War”, de 1983, terceiro álbum de estúdio da banda após os ainda “imaturos” “Boy” (de 1980) e “October” (1981), passou a dar lugar a um som que trouxe o U2 a uma nova plataforma, ampliando o seu alcance a um universo mais eclético de fãs.

A batida seca da bateria de Larry Mullen Jr e as letras diretas e mais agressivas, até do ponto de vista de sua sonoridade, deram lugar a ritmos conduzidos de forma mais lenta e explorando os instrumentos de maneira mais distribuída, assim como explorando mais os teclados, com menos peso no baixo de Clayton e na guitarra de The Edge, e abusando de sons atmosféricos que garantiram o ar moderno ao álbum, o que já fica claro desde a sua primeira faixa: “A Sort of Homecoming”.

Para mergulhar de cabeça em um novo ambiente musical e buscar inspiração, o U2 viajou pela Irlanda por alguns dias procurando locais que trouxessem a banda a uma nova “viagem sonora”, assim como iniciou as gravações deste seu quarto disco de estúdio no Slane Castle, em Dublin, onde o quarteto se sentiu à vontade para tocar as canções e chegou a utilizar um salão gótico do local para tentar encenar um clima ainda maior de “experimentalismo” neste início de nova fase para a banda.

Com toda esta preparação e ousadia, o U2 ao mesmo tempo não deixou de ser questionador ou de abordar temas polêmicos como fez em seus primeiros discos. Isso ficou claro na música “Bad”, que fala do vício em heroína, ou em “Pride (In The Name of Love)” e “MLK”, que foram compostas em tributo a Martin Luther King Jr, ícone da luta contra o racismo e pelos direitos civis nos Estados Unidos.

Já a faixa-título do álbum, “The Unforgettable Fire”, teve inspiração em uma exposição de arte, realizada no Museu da Paz de Chicago, em homenagem às vítimas dos bombardeios atômicos em Hiroshima e Nagasaki, ocorridos no Japão durante a Segunda Guerra Mundial, em 1945. A letra da música, porém, não faz referência aos ataques nucleares e é bastante abstrata.

Com dez faixas ao total, “The Unforgettable Fire” chegou a receber fortes críticas por trazer algumas letras com conteúdo considerado vago ou músicas que pareciam inacabadas, mas se tornou marcante o suficiente para projetar um novo horizonte musical ao quarteto de Dublin, que depois provou ter dado um passo certeiro no caminho para se tornar uma das maiores referências da história da música e uma das bandas de maior sucesso comercial em todos os tempos. Foi um inquestionável início de uma nova era para o U2.

Para comemorar os 30 anos do grande disco, o Roque Reverso descolou vídeos no YouTube. Para começar, fique com o clipe de “Pride (In the Name of Love)”. Depois, veja uma apresentação ao vivo e histórica de “Bad”, no Live Aid, de 1985, e outra de “MLK”. Para fechar, o clipe da música “The Unforgettable Fire”.

*Rafael Franco é jornalista da Agência Estado e amante do bom e velho rock n’ roll
22
abr
11

Com transmissão para a América do Sul, U2 fecha turnê grandiosa por SP com show em Morumbi lotado

Em mais um momento histórico para a capital paulista, o U2 fez sua última apresentação da “360° Tour” na quarta-feira, dia 13 de abril, para um Estádio do Morumbi lotado por 90 mil fãs. Com um palco grandioso e um arsenal tecnológico de ponta nunca visto no Brasil, a banda irlandesa  justificou a quebra do recorde de turnê de maior sucesso da história, antes pertencente aos Rolling Stones, com a “Bigger Bang Tour”.

Se os vídeos do YouTube, as fotos e as imagens de TV já davam uma impressão assustadora e, ao mesmo tempo, intensamente convidativa do palco, presenciar tudo ao vivo ampliou estes sentimentos em 100 vezes. Desde a entrada no estádio com susto em relação ao tamanho do palco em forma de “aranha” (ou de “garra” ou era uma “nave”?) até os efeitos luminosos belíssimos que se espalhavam por todo o Morumbi, tudo confirmou a ideia de que aquele show não poderia ter sido perdido por quem gosta de grandes espetáculos.

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