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Deep Purple faz show digno no Solid Rock e mostra em SP o motivo de ser tão importante para o rock

Deep Purple no Solid Rock em SP - Foto: Flavio Leonel/Roque ReversoO Deep Purple voltou a São Paulo na quarta-feira, 13 de dezembro, para realizar uma grande apresentação no festival Solid Rock. Numa Arena do Palmeiras com um público bem longe de ameaçar a lotação máxima, a banda britânica fez um show digno e mostrou a todos o motivo de ser tão importante para a história do rock.

A apresentação fez parte da turnê de despedida do Purple. Intitulada “The Long Goodbye Tour”, ela também marca a turnê de divulgação do novo disco do grupo, “Infinite”, lançado em janeiro de 2017.

Além da lendária banda britânica, o Solid Rock contou com mais dois grupos norte-americanos: o Tesla e o Cheap Trick, que substituiu bem outra banda clássica, o Lynyrd Skynyrd, que precisou anunciar em novembro o cancelamento da participação do festival por causa de problemas sérios de saúde da filha de um dos integrantes.

Uma quarta-feira em pleno período de agitação da cidade de São Paulo no mês natalino, preços salgados dos ingressos, o desfalque do Lynyrd Skynyrd e a enxurrada de shows que invadiram a capital paulista no último trimestre do ano estão entre as possíveis explicações para o Allianz Parque não ter lotado.

Havia também quase de uma forma generalizada certa desconfiança sobre a performance do respeitadíssimo vocalista Ian Gillan. A despeito de ser uma das maiores vozes da história do rock, ele chegou a preocupar os fãs nas mais recentes passagens do Purple pelo Brasil, já que havia ficado claro o esforço além do normal para conseguir cantar algumas notas mais difíceis.

A desconfiança de muitos com a possibilidade de a banda lotar o Allianz Parque era vista até pelos poucos exemplos do grupo em estádios em terras tupiniquins. Dentre as várias vindas do Purple ao Brasil (a banda, talvez, só perca para o recordista Megadeth nas visitas ao País por grupos estrangeiros de rock), o conjunto britânico tocou muito mais vezes em locais pequenos do que em espaços grandes. Em São Paulo, por exemplo, o Deep Purple tocou em estádios apenas em 2003 no Kaiser Music Festival, que, na ocasião, contou também com o Sepultura e com a banda sueca The Hellacopters.

A despeito desta lista de fatores e motivos, estava ali na Arena do Palmeiras um dos maiores nomes da história do rock, o legítimo representante da trinca sagrada completada pelo Led Zeppelin e pelo Black Sabbath. Para muitos, este era o fator decisivo para não perder a banda que gravou ultraclássicos, como os álbuns “Machine Head” e “Burn”, ainda mais numa turnê de despedida.

Deep Purple no Solid Rock em SP - Foto: Flavio Leonel/Roque ReversoDeep Purple no Solid Rock em SP - Foto: Flavio Leonel/Roque ReversoDeep Purple no Solid Rock em SP - Foto: Flavio Leonel/Roque ReversoDeep Purple no Solid Rock em SP - Foto: Flavio Leonel/Roque Reverso

O show

Incrivelmente pontual, o Deep Purple iniciou o show às 22 horas. Com efeitos interessantes num telão central enorme raro em apresentações do grupo pelo Brasil, os britânicos começaram logo de cara com o petardo “Highway Star”.

Sim, era um prazer, por mais que muitos do público já tivessem visto o Purple quatro, cinco ou mais vezes tocando, estar de frente para uma lenda do rock n’ roll.

Da formação clássica, além de Gillan, simplesmente uma das maiores cozinhas do rock: o grande baixista Roger Glover e o excelente baterista Ian Paice. Para completar, dois membros mais “recentes” e já bem conhecidos do público: o espetacular guitarrista Steve Morse, que continua ocupando dignamente o posto que já foi de Ritchie Blackmore, e o ótimo tecladista Don Airey, que tem sempre a difícil missão de substituir o saudoso Jon Lord.

A guitarra de Morse não apenas seguiu os solos imortalizados por Blackmore como também fez os tradicionais duetos com a voz de Gillan. Aos 72 anos, o vocalista pareceu bem melhor do que os shows recentes do Pulple pelo Brasil, afastando os temores de muitos ali presentes.

“Pictures of Home” deu sequência ao show. É daquelas músicas que mostram algumas das maiores qualidades do Purple. Além da cadência marcante da faixa, há ali o momento perfeito para analisar a qualidade indiscutível dos músicos, que botam no bolso inúmeras grupos mais novos.

Após a faixa “Bloodsucker”, que não faz parte de álbum clássico como as anteriores do “Machine Head” (é do disco “Abandon”), foi a vez de “Strange Kind of Woman” retomar o cenário de hits históricos. Com efeitos bem interessantes no telão central e com os músicos dando um show musical à parte, o Purple tinha o público na mão.

Vale dizer que, a despeito do som estar ótimo na Pista Vip e na Pista Comum, houve reclamações intensas de quem esteve na Cadeira Inferior e, principalmente na Superior. Já famoso por abrigar alguns dos shows de rock mais importantes do momento, o Allianz Parque raramente tem tido críticas neste quesito, o que dá a entender que houve algo de errado entre os técnicos para adaptação à acústica do local.

Deep Purple no Solid Rock em SP - Foto: Flavio Leonel/Roque ReversoDeep Purple no Solid Rock em SP - Foto: Flavio Leonel/Roque ReversoDeep Purple no Solid Rock em SP - Foto: Flavio Leonel/Roque ReversoDeep Purple no Solid Rock em SP - Foto: Flavio Leonel/Roque Reverso

“Uncommon Man”, do disco anterior “Now What?!”, veio em seguida e foi dedicada a Jon Lord. Com grande respeito, Ian Gilan lembrou do companheiro não apenas no anúncio da canção, mas também com gestos que fazia em direção ao céu.

A próxima música do show foi o clássico “Lazy”. Mas antes dela, o Purple trouxe momentos incríveis só com a parte instrumental. Primeiro, Don Airey esboçou um solo nos teclados. Depois, ele, Morse, Glover e Paice deram um show particular de improviso.

Já durante “Lazy” e com Gillan nos vocais, o grupo ampliou a aula de música. Era “só” o Deep Purple que estava ali, com senhores de idade já avançada mostrando uma qualidade e entrosamento que poucas bandas possuem hoje em dia.

“Birds of Prey” foi a música representante do novo álbum no show em São Paulo. A despeito de o grupo ter no disco faixas ótimas, como “Time for Bedlam”, optou apenas por uma faixa do novo trabalho.

De volta aos clássicos, o Purple trouxe “Knocking at Your Back Door”, que veio menos empolgante que em outras ocasiões. Com uma introdução de teclados menos marcante do que em outros shows e mais lenta do que o normal, a música veio menos impactante.

Don Airey parece ter deixado seu arsenal para o solo de teclado. Com direito a trechos de “Tico Tico no Fubá” e “Aquarela do Brasil”, além de efeitos especiais, ele manteve a tradição de qualidade, preparando o terreno para o ultraclássico “Perfect Strangers”.

Com sua estrutura altamente empolgante, a música fez o público cantar junto e provocar coros que ficaram muitos bons com a acústica da Arena do Palmeiras.

As tradicionais “Space Truckin'” e “Smoke on the Water” vieram na sequência para encerrar a primeira parte do show. Enquanto a primeira trouxe o Purple pesado e contagiante, a segunda é daquelas que faz o público ter a certeza absoluta de estar vivendo um grande momento do rock. Pode, sim, ser um dos clássicos mais manjados do estilo, mas é sempre um momento marcante.

Depois de uma breve pausa para um leve descanso, o Purple retornou para o bis com nada menos que “Hush” e “Black Night”.

A primeira trouxe novamente o grupo dando seu show instrumental à parte e também gerou momentos nos quais pessoas simplesmente dançavam, curtindo o rock como deve ser.

A segunda, por sua vez, trouxe Roger Glover numa introdução mais extensa de baixo e um coro do público de dar inveja. O Allianz Parque podia não estar lotado, mas, a acústica do local fez parecer que estivesse, tamanha a empolgação do público, que cantou o famoso trecho a plenos pulmões.

Chegava ao fim mais um show do Deep Purple em São Paulo. Se tudo for confirmado como prometido pela banda, esta foi a última passagem pela capital paulista e, felizmente, foi em grande estilo.

O Purple pode não ser o mesmo da década de 70. Não é o mesmo nem em relação ao grupo dos Anos 90. Mas continua sendo um legítimo representante dos grandes do rock. Quem esteve na Arena do Palmeiras teve certeza disso é sabe que é um felizardo.

Para relembrar alguns dos grandes momentos do Deep Purple no Solid Rock, o Roque Reverso descolou clipes no YouTube. Fique inicialmente com dois deles feitos pelo próprio site: de “Highway Star” e de “Pictures of Home”. Na sequência, com qualidade melhor, fique com vídeos das músicas “Strange Kind of Woman”, “Perfect Strangers” e “Smoke on the Water”. Para fechar fique com os clipes de “Hush” e “Black Night”.

Set list

Highway Star
Pictures of Home
Bloodsucker
Strange Kind of Woman
Uncommon Man
Lazy
Birds of Prey
Knocking at Your Back Door
Perfect Strangers
Space Truckin’
Smoke on the Water

Hush
Black Night


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