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30 anos do ‘Master of Puppets’, o álbum mais clássico do Metallica e o último com Cliff Burton

"Master of Puppets" - Reprodução da CapaO dia 3 de março de 2016 marca o aniversário de 30 anos do álbum “Master of Puppets”, o terceiro do Metallica. Considerado como uma das maiores referências de todo o heavy metal, o disco é o mais clássico da banda norte-americana de thrash metal e o último com a presença do grande baixista Cliff Burton, morto no mesmo ano, em 27 de setembro, na Suécia, após um trágico acidente sofrido pelo ônibus do grupo durante a turnê de divulgação do mesmo álbum.

“Master of Puppets” disputa com “Reign in Blood”, do Slayer, o posto de maior disco da história do thrash metal. Com sonoridades diferentes, mas com elementos clássicos da vertente rápida e agressiva do heavy metal, ambos os álbuns foram lançados em 1986 e influenciaram toda uma geração de músicos, fãs e críticos musicais.

No caso do álbum do Metallica, ele levou definitivamente a banda ao seleto grupo dos maiores conjuntos musicais do heavy metal, ao lado de nomes como o Iron Maiden, o Judas Priest e o Motörhead. Para alguns, superou parte destas bandas e passou a dividir o reinado de todo o metal com o Iron Maiden, o grupo mais emblemático de todo o estilo.

“Master of Puppets” representa a evolução natural do Metallica após os dois primeiros ótimos álbuns “Kill ‘Em All” e “Ride the Lightning”. Mais do que isso, o disco faz a junção perfeita da agressividade do trabalho de estreia com a técnica complexa e elaborada do álbum seguinte.

James Hetfield (vocal e guitarra base), Lars Ulrich (bateria), Kirk Hammett (guitarra principal) e Cliff Burton se encontram juntos no melhor momento da carreira, com criatividade, técnica e, mais do que tudo, vontade de conquistar cada vez mais o espaço no cenário musical. A produção do disco é de Flemming Rasmussen, que já havia trabalhado com a banda no disco “Ride the Lightning” e que voltaria a ser o responsável no “…And Justice For All”.

De maneira idêntica à capa de “Ride the Lightning”, a de “Master of Puppets” está em sintonia com a faixa-título. Retrata um cemitério de cruzes brancas amarradas a cordas que são manipuladas por um par de mãos em um céu ao fundo com a cor de sangue.

A música que dá nome ao disco faz uma crítica às drogas, mais precisamente ao jeito como ela acaba manipulando seus usuários, como se eles fossem marionetes. É só uma parte da tendência do Metallica de investir nas críticas a temas sociais, sem deixar de continuar mencionando a morte e outros assuntos mais densos.

A primeira faixa do álbum é “Battery”. O Metallica repete a fórmula do disco anterior ao iniciar a música com belos acordes lentos. Desta vez, há ainda o detalhe da utilização de violões clássicos formando um duelo, mesmo com uma velocidade reduzida. Depois disso, a faixa descamba para o mais puro thrash metal e se transforma numa das músicas mais pesadas da carreira da banda.

Depois da pancada, o fã tem à disposição simplesmente o megaclássico “Master of Puppets”. Sem diminuir a pegada thrash, a música longa traz alguns dos riffs mais marcantes da história do heavy metal e do rock. Com uma incrível variação em diversos momentos de seus 8 minutos e 36 segundos, a faixa serve como uma verdadeira aula musical e se transforma em algo belíssimo no momento em que Hetfield e Hammett fazem solos de guitarra capazes de emocionar o mais frio dos fãs.

Não por acaso, ela é uma das músicas mais tocadas da carreira da banda em shows. Ao lado de “One”, “Enter Sandman” e “Creeping Death”, “Master of Puppets” é praticamente obrigatória nas apresentações do grupo em todos os lugares do planeta.

O álbum segue com “The Thing That Should Not Be”, que é uma das faixas mais densas e arrastadas da carreira do Metallica, sem deixar de ser ultra pesada. Com clássicos elementos “sabbathianos”, a música traz um som aterrorizante e sombrio. É inspirada na novela de horror “The Shadow Over Innsmouth”, do escritor norte-americano Howard Phillips Lovecraft, já usado como referência na música “The Call of Ktulu”, que fecha o disco “Ride the Lightning”.

Na sequência, é a vez da faixa “Welcome Home (Sanitarium)”. Melodiosa e lenta, ela cumpre o papel que “Fade To Black” teve no álbum anterior. Em vez de abordar o suicídio, como a música citada, ela aborda o drama dos manicômios, usando um personagem que está internado injustamente num sanatório. Depois da fase lenta, ela migra para uma toada mais thrash e fecha o antigo Lado A com chave de ouro.

 

O antigo Lado B do álbum é iniciado com o petardo “Disposable Heroes”. Com um riff numa velocidade inacreditável e executado de maneira brilhante e complexa, a música injustamente não se transformou num hit do Metallica, mas não fica devendo a nenhum outro clássico do grupo. Com crítica direta à guerra, ela consegue passar a mensagem, em meio à verdadeira tempestade sonora.

Em seguida, o Metallica traz “Leper Messiah”, que também não virou um clássico, mas tem grande qualidade. Começa com um show particular gerado pelo baixo de Cliff Burton e a bateria de Lars Ulrich no começo. Depois, com toda a banda entrosada, o resultado é avassalador, com direito a uma letra que bota o dedo na ferida dos programas evangélicos televisivos que passaram a dominar emissoras a partir da década de 80.

A penúltima faixa do disco é nada menos que “Orion”. Instrumental, ela tem participação decisiva de Cliff Burton em sua criação complexa e bela. Além de ser uma ótima música, ficou marcada na história do Metallica porque foi usada como faixa de fundo durante o funeral de Burton.

O baixista nunca tocou essa música em show ao vivo do Metallica. A banda só foi tocá-la pela primeira vez em uma apresentação em São Francisco em novembro de 2005. Depois disso, nas poucas vezes que executou (foram 64 vezes até esta data), poucos foram os felizardos que tiveram o prazer de ver o grupo tocando esta canção. Os brasileiros foram contemplados em 2011, quando a banda tocou “Orion” no Rock in Rio, numa apresentação que cravou positivamente o nome do Metallica na história do festival.

O fechamento do disco é feito pela violenta “Damage, Inc.”  Ela começa lenta e com acordes belíssimos, mas a calmaria se encerra logo em seguida com uma performance ultra pesada e rápida, mostrando para o mundo que o Metallica passava a dar as cartas no mundo do metal de maneira definitiva.

Meses depois do lançamento, a banda iniciou turnê, abrindo os shows de Ozzy Osbourne e deixando todos de boca aberta com suas apresentações de qualidade. Meses depois, quis o destino que o ônibus do grupo derrapasse numa estrada na Suécia e causasse a morte de Cliff Burton.

O baque com a perda do baixista talentoso foi pesadíssimo, pois Burton exercia uma influência musical extremamente positiva sobre o sempre criativo James Hetfield e era respeitadíssimo por todos. O Metallica demorou a se recuperar até recrutar Jason Newsted e trazer em 1988 o excelente “…And Justice for All” e seguir numa das carreiras mais grandiosas do rock.

“Master of Puppets” representou o auge com Burton na formação e, para alguns, a banda nunca mais foi a mesma sem ele. Imaginações à parte de como seria o grupo com o baixista após o terceiro disco, a certeza que fica é que “Master of Puppets” é uma obra prima do heavy metal e sempre será lembrado como um dos álbuns mais influentes do rock.

O disco se tornou o primeiro de thrash metal a ser certificado com um disco de platina. Em 2003, chegou à marca de 6 milhões de cópias vendidas somente nos Estados Unidos.

Para comemorar os 30 anos do “Master of Puppets”, o Roque Reverso descolou vídeos no YouTube com clássicos ao vivo do disco. Começamos com dois históricos de 1986, com Cliff presente, que fizeram parte do VHS (depois DVD) “Cliff ‘em All”: a banda tocando “Master of Puppets”, em Long Island, e depois “Welcome Home (Sanitarium)”, no Roskilde Festival, na Dinamarca.

Depois, já com Jason Newsted no baixo, veja o grupo tocando “The Thing That Should Not Be” em 1989 em Seattle, no show que virou um dos DVDs do box “Live Shit: Binge & Purge”. Veja também, já com Robert Trujilo no baixo, o Metallica tocando “Disposable Heroes” na Cidade do México, no DVD “Orgulho, Paixão e Glória: Três Noites na Cidade do México”.

Para fechar, fique com a apresentação histórica de “Orion” no Rock in Rio de 2011. Se quiser ouvir o disco inteiro clique aqui.

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