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30 anos do clássico álbum ‘Reign in Blood’, a indispensável tempestade sonora do Slayer

"Reign in Blood" - Reprodução da capaO dia 7 de outubro de 2016 marca o aniversário de 30 anos do disco “Reign in Blood”, o terceiro do Slayer e considerado como uma verdadeira obra-prima do thrash metal. Para quem deseja entender o que é a vertente rápida e agressiva do heavy metal, o álbum é indispensável.

“Reign in Blood” capta o Slayer em sua melhor forma. Traz o quarteto formado por Tom Araya (baixo e vocal), Jeff Hanneman (guitarra), Dave Lombardo (bateria) e Kerry King (guitarra) com um som brutal, intenso e incrivelmente rápido, além de manter a banda com sua tradição histórica de querer chocar tudo e todos.

O disco disputa com outro clássico, “Master of Puppets”, do Metallica, lançado no mesmo ano de 1986, o posto de maior disco da história do thrash metal.

Para qualquer pessoa que tenha acesso a “Reign in Blood” pela primeira vez, a percepção inicial é de algo impactante. Não há como passar pela experiência de audição sem algum tipo de reação importante.

O álbum mostra o Slayer migrando aos poucos da postura com várias letras satanistas dos dois primeiros discos para um conteúdo que aborda desde a morte até críticas à religião, passando por citações à violência, desgraças humanas e vários outros elementos que afligem a humanidade.

Há outras mudanças importantes para a carreira do Slayer com “Reign in Blood”. É o primeiro trabalho do grupo numa gravadora grande, a Def Jam. Também traz a primeira experiência com o produtor Rick Rubin, que acompanharia a banda em outros diversos trabalhos. Como engenheiro de som, está ninguém menos que Andy Wallace, que produziu na sequência diversos discos importantes de outros nome do rock.

A capa de “Reign in Blood” foi elaborada por Larry Carroll. Ele criava ilustrações para as publicações The Progressive, Village Voice e The New York Times, mas nunca havia feito uma capa de disco.

O desenho, criado a partir de colagens, traz, entre outros detalhes, um mar de sangue com cabeças e corpos boiando, além de referências ao demônio, padres e corpos. Na época,  a Columbia Records, que distribuía os discos da Def Jam, recusou-se a editar o álbum, abrindo espaço para a Geffen fazer este trabalho.

“Angel of Death” abre o disco de uma maneira avassaladora. É basicamente a música que sintetiza todo o conteúdo do Slayer em “Reign in Blood”. Rápida e agressiva, ela traz Lombardo dando um show à parte na bateria; Hanneman e King com riffs certeiros e matadores; e Tom Araya simplesmente conseguindo passar a mensagem da letra com maestria.

Não há como não ficar entusiasmado com essa faixa. Tente evitar qualquer movimento de cabeça e verá que é praticamente impossível não se empolgar.

A letra de “Angel of Death”, por sinal, chegou a gerar problemas para o Slayer. Ela despertou a suspeita de que o grupo estaria fazendo uma absurda apologia ao nazismo ao retratar os “feitos” do médico assassino Josef Mengele, o “Anjo da Morte”, no Campo de Concentração de Auschwitz durante a Segunda Guerra Mundial.

Para desfazer a suspeita, basta prestar a atenção na letra. Relatar os fatos e ações abomináveis de Mengele não é defender seus atos ou fazer apologia. Ouça Araya se esgoelando e cantando com raiva para constatar que este vocalista está mostrando indignação. Em alguns berros, é clara a sensação de que Araya tenta retratar a dor dos judeus com os experimentos inacreditáveis descritos na letra.

Sim, é notório para todo fã de heavy metal que o Slayer é uma banda que sempre quis chocar a hipocrisia de muitos da sociedade, especialmente a norte-americana. O saudoso guitarrista Jeff Hanneman, autor da música, era um colecionador de artigos de guerra e isso chegou a levantar a dúvida de alguns se ele tinha alguma adoração ao nazismo. Ele, no entanto, sempre ironizou as acusações que chegaram a ser feitas ao grupo.

O disco do Slayer segue com outros petardos. “Piece by Piece” é um deles, com Dave Lombardo novamente dando uma verdadeira aula de rapidez, cadência e peso.

O que chama a atenção, 30 anos depois, é que o disco continua pesado e agressivo como poucos já feitos em todo o heavy metal. Mas lembre-se que, em 1986, aquilo era praticamente uma das coisas mais brutais para a época e que tudo feito ali influenciou bandas do thrash, death, black metal e tudo que veio depois.

O speed metal feito por Slayer e Metallica naquele período praticamente ditou as regras de um estilo que reinou durante vários anos dentro do heavy metal.

A rápida “Necrophobic” vem como uma crítica a quem tem grande horror à morte. Traz na letra uma lista de doenças, martírios e vários dos medos de fatores causadores da morte.

Reprodução da contracapa do disco "Reign in Blood", do Slayer

Na sequência, a dobradinha “Altar of Sacrifice” e “Jesus Saves” traz riffs de thrash exemplares regados a críticas à Igreja e, especialmente, na primeira, uma pincelada de satanismo do Slayer dos primeiros discos. São músicas perfeitas para aberturas de rodas de mosh em shows e, se você nunca as escutou, não se surpreenda se começar a correr pelo quarto batendo cabeça.

“Criminally Insane” abre o então Lado B dos discos em vinil da época. Com uma letra mais voltada ao retrato de crimes violentos, é uma amostra do que o Slayer passaria a escrever nos álbuns seguintes. A rapidez dessa faixa dá a impressão de que Dave Lombardo tem oito braços, como se fosse alguma espécie de polvo.

 

O disco segue com outro furacão sonoro: “Reborn”. Lombardo parece incansável, enquanto Hanneman e King dão a impressão de querer bater o recorde mundial de velocidade nas guitarras.

A mesma sensação vem em “Epidemic”, com um riff mais parecendo uma cavalgada, mas sem deixar de ser completamente thrash. É, na verdade, uma aula musical dada pelo Slayer, que, com certeza, fez muita gente querer aprender a tocar igual com este disco.

A penúltima música do álbum é a ótima “Postmortem”, que é mais cadenciada na primeira parte e provoca automaticamente mais movimentos de bate-cabeça. A segunda parte dela descamba para um speed metal inacreditável que faz duvidar em alguns momentos se Hanneman e King são humanos e se Lombardo já não virou uma bateria eletrônica.

O disco termina com um dos maiores clássicos da história de todo o heavy metal. “Raining Blood” começa ao som de chuva e trovão acompanhados pelas três batidas quase sagradas de Dave Lombardo que parecem anunciar o fim do mundo. E ele vem quando o restante da banda entra numa porradaria que fecha o álbum de maneira brilhante.

São menos de 30 minutos de disco, mas a sensação é de que o álbum triturou sua cabeça por 5 dias. Para quem gravava fitas cassetes nos Anos 80, era uma maravilha, pois ficava um lado inteiro da fita para gravar outro disco ou preencher com outras músicas.

Para uma corrente nada desprezível de fãs do thrash metal, “Reign in Blood” é o maior disco da história desta vertente do heavy metal. Mesmo para quem não concorda e aponta “Master of Puppets” como o maior de todos, há sempre uma dúvida que fica.

O Roque Reverso, para comemorar os 30 anos do disco, descolou vídeos no YouTube, alguns deles ao vivo. Para começar, fique com a banda executando “Angel of Death” ao vivo em 2006, no DVD “Unholy Alliance”, de 2007. Depois, fique com o grupo tocando “Altar of Sacrifice” e “Postmortem”, em 2004, no show que deu origem ao DVD “Still Reigning”.

Para fechar, veja a banda no clipe clássico de “Raining Blood”, lançado em 1991 para divulgar o indispensável álbum ao vivo “Decade of Aggression”, que divulgou o ótimo disco “Seasons in the Abyss”, de 1990. Se quiser ouvir o disco “Reign in Blood” na íntegra, clique aqui.

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