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No Matanza Fest em SP, Biohazard repetiu energia de sempre e conquistou fãs da banda anfitriã

Billy Graziadei durante show do Biohazard em SP - Foto: Reprodução YouTubeUm dos momentos marcantes do rock em dezembro foi a apresentação do Biohazard no Matanza Fest em São Paulo. O show que aconteceu no Audio Club no dia 14 de dezembro trouxe a banda norte-americana de Nova York mais uma vez com a tradicional capacidade de “incendiar” o público presente com seu eterno hardcore contagiante.

Diferente das duas apresentações recentes que fez na capital paulista, o Biohazard não era a atração principal da noite.

Tudo isso por um detalhe: o grupo brasileiro Matanza fecharia o festival que leva o seu nome com um show por sinal bem mais longo do que o da banda dos Estados Unidos.

Convidado de honra, o Biohazard se viu na situação de contar com um público claramente dividido, entre os fãs mais velhos da própria banda e um grupo numeroso de seguidores jovens do Matanza. Muitos ali nunca haviam visto os norte-americanos ao vivo e sequer conheciam as músicas que tanto fizeram sucesso no underground do metal e do hardcore a partir dos Anos 90.

Comandada pelo vocalista e guitarrista Billy Graziadei, a já veterana banda dos EUA acabou, para variar, contornando a situação facilmente e, mais do que isso, arrematou um novo punhado de fãs, que ficaram excitados com o energético show no Audio Club.

O leitor do Roque Reverso pode perguntar por que motivo a resenha do show demorou tanto para ser entregue, mas há coisas que já são tradicionais quando fazemos a cobertura das apresentações do Biohazard. Apesar deste veículo ter conseguido credenciamento de imprensa e ter acesso a setores mais tranquilos, como o camarote do Audio Club, preferiu ficar não somente na Pista, mas simplesmente na fila do gargarejo, onde o bicho pega.

Não há como cobrir certos shows sem estar na muvuca, sem vivenciar toda a emoção das coisas mais legais que o rock proporciona. Se ficássemos sentadinhos e confortáveis no camarote, talvez a resenha viesse bem mais artificial.

Como fomos para a zona mais agitada da Pista, é claro que acabamos perdendo algumas breves anotações sobre o set list. Elas foram retomadas apenas depois de uma salvadora e minuciosa procura nas redes sociais, já que era necessário pegar a ordem correta das músicas e isso nem sempre fica gravado de maneira exata na mente deste jornalista com mais de 40 anos de idade e quase 25 anos de shows de rock vistos ao vivo.

O show

O Biohazard subiu ao palco logo após a apresentação da veterana banda brasileira de thrash metal MX. Após um competente show do grupo nacional, como de praxe, os novaiorquinos mandaram seu recado de uma forma direta e sem frescuras.

A apresentação não superou o histórico show de 2010 no Carioca Club, quando o público teve o privilégio de ver a formação clássica do Biohazard ainda com Evan Seinfeld no baixo e nos vocais. A performance no Audio Club ficou mais em linha com a realizada em 2013, no Via Marques, quando os brasileiros tiveram a oportunidade de ver o baixista e vocalista Scott Roberts em ação e quando a banda também fez uma apresentação cheia de energia.

A primeira música da noite foi a já costumeira “Shades of Grey”, que sempre levanta até o mais frio dos fãs. Enquanto os fãs do Matanza tentavam entender e entrar no clima do show, o tradicional público do hardcore iniciou rodas de mosh e mantinha a energia de sempre.

Para quem estava colado ao palco, como este jornalista, foi possível notar um problema vivido por Billy Graziadei durante “Shades of Grey”. Com dificuldades para prender corretamente a alça da guitarra no instrumento, ele chegou a perder a concentração algumas vezes, já que o problema limitava sua mobilidade pelo palco.

O roadie da banda até tentou consertar a alça durante a música, mas ela não ficava presa na guitarra, que precisou ser trocada para não prejudicar a performance de Graziadei.

Depois do problema contornado e da execução de “What Makes Us Tick”, o Biohazard trouxe mais uma música do álbum “Urban Discipline”, de 1992, que é o de maior sucesso comercial da banda. Tal qual “Shades of Grey”, a faixa título incendiou o público, que foi a loucura quando Graziadei se atirou sobre a plateia que estava mais próxima do palco.

Ele voltaria para os braços do público em “Wrong Side of the Tracks”, também do álbum clássico, e faria o que já se tornou uma tradição nos shows do Biohazard: tirou acordes de sua guitarra enquanto era erguido pelos fãs, uma das imagens mais legais que pode ser vista no rock.

Com “Down for Life” e “Survival of the Fittest”, o público já estava ganho e já havia fã do Matanza que nunca tinha ouvido música do Biohazard pulando e agitando de maneira até surpreendente.

Em “Tales from the Hard Side”, os seguranças, pouco acostumados aos shows do Biohazard, tentaram evitar que alguns fãs subissem ao palco, mas Graziadei chegou junto e liberou o acesso. O que se viu foi mais de uma dezena de pessoas pulando e cantando com a banda no local mais nobre onde um admirador de rock pode estar.

Após o final da música, Graziadei ainda reforçou o recado para os seguranças liberarem os fãs. E gritou nos microfones que quem estava ali era a “sua família”, repetindo um gesto que já havia sido visto no Via Marques em 2013.

Depois de tocarem “Victory”, do segundo álbum, e fazer o público inteiro pular, foi a vez de o Biohazard trazer o hino “Black and White and Red All Over”, para este jornalista, a melhor música da banda.

Vale destacar as sempre ótimas performances do baterista Danny Schuler e do guitarrista Bobby Hambel. Formadores do grupo, eles continuam esbanjando qualidade.

Em “Howard Beach” e “Love Denied”, a banda continuou com a mesma pegada, enquanto o público se alternava na tentativa de se recuperar do agito e de permanecer pulando sem parar.

Quem já estava cansado e pregado ainda arranjaria forças para mais algumas faixas obrigatórias no set list dos shows do Biohazard. A primeira foi “We’re Only Gonna Die (From Our Own Arrogance)”, cover do Bad Religion que, inevitavelmente gerou rodas e mais rodas de mosh no Audio Club.

A segunda foi o ultraclássico “Punishment”, que também é capaz de levantar até o mais frio dos fãs. Cantada do começo ao fim pela maioria do público presente, foi mais uma da noite que valeu a presença.

Para fechar, o grupo trouxe “Hold My Own”, do primeiro disco, e encerrou a apresentação com chave de ouro. Novamente, erguido pela plateia, Graziadei fez a alegria do público.

No final, os músicos ainda desceram para a divisão do palco para a pista e cumprimentaram os fãs mais próximos, como se fossem amigos de velha data.

Apesar de curto, o show foi digno e mostrou que o Biohazard pode vir quantas vezes quiser ao Brasil. A banda já tem um público que sempre estará presente e, agora, depois do Matanza Fest, com certeza, ganhou novos seguidores e admiradores.

Para relembrar a apresentação do Biohazard no Matanza Fest, o Roque Reverso descolou vídeos no YouTube. Fique inicialmente com o de “Victory”. Depois, veja o de “Punishment”. Se quiser ver o show quase inteiro, vá para o último vídeo.

Set list

Shades of Grey
What Makes Us Tick
Urban Discipline
Wrong Side of the Tracks
Down for Life
Survival of the Fittest
Tales from the Hard Side
Victory
Black and White and Red All Over
Howard Beach
Love Denied
We’re Only Gonna Die (From Our Own Arrogance)
Punishment
Hold My Own

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2 Responses to “No Matanza Fest em SP, Biohazard repetiu energia de sempre e conquistou fãs da banda anfitriã”


  1. 1 Junior Hardcore
    5 de janeiro de 2015 às 14:03

    Puta show, mano!
    Pena que tinha muita criança que ainda não sabia nada de Biohazard. Muita fã de Matanza atrapalhando o pessoal que queria chegar mais perto do palco


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