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28
dez
14

No Matanza Fest em SP, Biohazard repetiu energia de sempre e conquistou fãs da banda anfitriã

Billy Graziadei durante show do Biohazard em SP - Foto: Reprodução YouTubeUm dos momentos marcantes do rock em dezembro foi a apresentação do Biohazard no Matanza Fest em São Paulo. O show que aconteceu no Audio Club no dia 14 de dezembro trouxe a banda norte-americana de Nova York mais uma vez com a tradicional capacidade de “incendiar” o público presente com seu eterno hardcore contagiante.

Diferente das duas apresentações recentes que fez na capital paulista, o Biohazard não era a atração principal da noite.

Tudo isso por um detalhe: o grupo brasileiro Matanza fecharia o festival que leva o seu nome com um show por sinal bem mais longo do que o da banda dos Estados Unidos.

Convidado de honra, o Biohazard se viu na situação de contar com um público claramente dividido, entre os fãs mais velhos da própria banda e um grupo numeroso de seguidores jovens do Matanza. Muitos ali nunca haviam visto os norte-americanos ao vivo e sequer conheciam as músicas que tanto fizeram sucesso no underground do metal e do hardcore a partir dos Anos 90.

Comandada pelo vocalista e guitarrista Billy Graziadei, a já veterana banda dos EUA acabou, para variar, contornando a situação facilmente e, mais do que isso, arrematou um novo punhado de fãs, que ficaram excitados com o energético show no Audio Club.

O leitor do Roque Reverso pode perguntar por que motivo a resenha do show demorou tanto para ser entregue, mas há coisas que já são tradicionais quando fazemos a cobertura das apresentações do Biohazard. Apesar deste veículo ter conseguido credenciamento de imprensa e ter acesso a setores mais tranquilos, como o camarote do Audio Club, preferiu ficar não somente na Pista, mas simplesmente na fila do gargarejo, onde o bicho pega.

Não há como cobrir certos shows sem estar na muvuca, sem vivenciar toda a emoção das coisas mais legais que o rock proporciona. Se ficássemos sentadinhos e confortáveis no camarote, talvez a resenha viesse bem mais artificial.

Como fomos para a zona mais agitada da Pista, é claro que acabamos perdendo algumas breves anotações sobre o set list. Elas foram retomadas apenas depois de uma salvadora e minuciosa procura nas redes sociais, já que era necessário pegar a ordem correta das músicas e isso nem sempre fica gravado de maneira exata na mente deste jornalista com mais de 40 anos de idade e quase 25 anos de shows de rock vistos ao vivo.

O show

O Biohazard subiu ao palco logo após a apresentação da veterana banda brasileira de thrash metal MX. Após um competente show do grupo nacional, como de praxe, os novaiorquinos mandaram seu recado de uma forma direta e sem frescuras.

A apresentação não superou o histórico show de 2010 no Carioca Club, quando o público teve o privilégio de ver a formação clássica do Biohazard ainda com Evan Seinfeld no baixo e nos vocais. A performance no Audio Club ficou mais em linha com a realizada em 2013, no Via Marques, quando os brasileiros tiveram a oportunidade de ver o baixista e vocalista Scott Roberts em ação e quando a banda também fez uma apresentação cheia de energia.

A primeira música da noite foi a já costumeira “Shades of Grey”, que sempre levanta até o mais frio dos fãs. Enquanto os fãs do Matanza tentavam entender e entrar no clima do show, o tradicional público do hardcore iniciou rodas de mosh e mantinha a energia de sempre.

Para quem estava colado ao palco, como este jornalista, foi possível notar um problema vivido por Billy Graziadei durante “Shades of Grey”. Com dificuldades para prender corretamente a alça da guitarra no instrumento, ele chegou a perder a concentração algumas vezes, já que o problema limitava sua mobilidade pelo palco.

O roadie da banda até tentou consertar a alça durante a música, mas ela não ficava presa na guitarra, que precisou ser trocada para não prejudicar a performance de Graziadei.

Depois do problema contornado e da execução de “What Makes Us Tick”, o Biohazard trouxe mais uma música do álbum “Urban Discipline”, de 1992, que é o de maior sucesso comercial da banda. Tal qual “Shades of Grey”, a faixa título incendiou o público, que foi a loucura quando Graziadei se atirou sobre a plateia que estava mais próxima do palco.

Ele voltaria para os braços do público em “Wrong Side of the Tracks”, também do álbum clássico, e faria o que já se tornou uma tradição nos shows do Biohazard: tirou acordes de sua guitarra enquanto era erguido pelos fãs, uma das imagens mais legais que pode ser vista no rock.

Com “Down for Life” e “Survival of the Fittest”, o público já estava ganho e já havia fã do Matanza que nunca tinha ouvido música do Biohazard pulando e agitando de maneira até surpreendente.

Em “Tales from the Hard Side”, os seguranças, pouco acostumados aos shows do Biohazard, tentaram evitar que alguns fãs subissem ao palco, mas Graziadei chegou junto e liberou o acesso. O que se viu foi mais de uma dezena de pessoas pulando e cantando com a banda no local mais nobre onde um admirador de rock pode estar.

Após o final da música, Graziadei ainda reforçou o recado para os seguranças liberarem os fãs. E gritou nos microfones que quem estava ali era a “sua família”, repetindo um gesto que já havia sido visto no Via Marques em 2013.

Depois de tocarem “Victory”, do segundo álbum, e fazer o público inteiro pular, foi a vez de o Biohazard trazer o hino “Black and White and Red All Over”, para este jornalista, a melhor música da banda.

Vale destacar as sempre ótimas performances do baterista Danny Schuler e do guitarrista Bobby Hambel. Formadores do grupo, eles continuam esbanjando qualidade.

Em “Howard Beach” e “Love Denied”, a banda continuou com a mesma pegada, enquanto o público se alternava na tentativa de se recuperar do agito e de permanecer pulando sem parar.

Quem já estava cansado e pregado ainda arranjaria forças para mais algumas faixas obrigatórias no set list dos shows do Biohazard. A primeira foi “We’re Only Gonna Die (From Our Own Arrogance)”, cover do Bad Religion que, inevitavelmente gerou rodas e mais rodas de mosh no Audio Club.

A segunda foi o ultraclássico “Punishment”, que também é capaz de levantar até o mais frio dos fãs. Cantada do começo ao fim pela maioria do público presente, foi mais uma da noite que valeu a presença.

Para fechar, o grupo trouxe “Hold My Own”, do primeiro disco, e encerrou a apresentação com chave de ouro. Novamente, erguido pela plateia, Graziadei fez a alegria do público.

No final, os músicos ainda desceram para a divisão do palco para a pista e cumprimentaram os fãs mais próximos, como se fossem amigos de velha data.

Apesar de curto, o show foi digno e mostrou que o Biohazard pode vir quantas vezes quiser ao Brasil. A banda já tem um público que sempre estará presente e, agora, depois do Matanza Fest, com certeza, ganhou novos seguidores e admiradores.

Para relembrar a apresentação do Biohazard no Matanza Fest, o Roque Reverso descolou vídeos no YouTube. Fique inicialmente com o de “Victory”. Depois, veja o de “Punishment”. Se quiser ver o show quase inteiro, vá para o último vídeo.

Set list

Shades of Grey
What Makes Us Tick
Urban Discipline
Wrong Side of the Tracks
Down for Life
Survival of the Fittest
Tales from the Hard Side
Victory
Black and White and Red All Over
Howard Beach
Love Denied
We’re Only Gonna Die (From Our Own Arrogance)
Punishment
Hold My Own

02
ago
14

Canisso fala sobre disco recente dos Raimundos, produção independente e cena atual do rock nacional

Por Circe Bonatelli

Os Raimundos lançaram neste ano o álbum “Cantigas de Rodas”, primeiro com músicas inéditas produzido pelo grupo brasileiro desde o “Kavookavala”, de 2002. O novo trabalho mostra que a banda manteve sua capacidade criativa mesmo após tantos anos.

O grande destaque é o Digão se firmando definitivamente nos vocais, o que afasta a lembrança recorrente de Rodolfo nessa posição. As músicas sob a voz de Digão no “Kavookavala”, primeiro álbum de inéditas após a saída de Rodolfo, ainda causavam uma estranheza pela mudança recente nos vocais. Além disso, o disco de 2002 não teve a mesma qualidade dos anteriores.

A consequência disso é que os shows liderados por Digão nos anos seguintes muitas vezes pareciam um cover dos Raimundos das antigas – aliás, uma injustiça com os membros originais que continuavam dando o sangue ali. Mas agora é a hora de enterrar de vez essa sensação.

O álbum “Cantigas de Rodas” traz 12 faixas muito boas, com a nova cara da banda. De uma lado, elas retomam características tradicionais, como o hardcore e o punk (“Cachorrinha”, “Rafael”, “Nó Suíno”), as letras maliciosas (“Gordelícia”) e o tempero forrozeiro (“Gato da Rosinha”, música do sanfoneiro Zenilton).

Dentre as novidades estão algumas baladinhas (“Cera Quente”, “Baculejo”), um reggae com participação do rapper Sen Dog (Dubmundos) e um rock pauleira com referências às manifestações de junho do ano passado (“Politics”) e participação do rapper Cypriano. A produção, feita nos Estados Unidos, ficou por conta de Billy Graziadei, vocalista e guitarrista do Biohazard.

Tudo isso mostra que os Raimundos ainda são uma grande banda, além de muito querida pelos seus fãs, que tiveram participação decisiva no lançamento do novo trabalho.

O “Cantigas de Rodas” foi financiado por meio de uma campanha na internet (chamada crowdfunding) que pretendia arrecadar R$ 55 mil para bancar os custos da produção e divulgação do álbum. Mas a adesão foi tão grande que as doações chegaram a R$ 120 mil.

Em meio à turnê para divulgação do “Cantigas de Rodas”, o baixista Canisso concedeu uma entrevista exclusiva ao Roque Reverso, falando sobre as novidades do álbum, as vantagens e os perrengues da produção independente, além de suas opiniões sobre o cenário atual do rock brasileiro. “Pro rock voltar a tocar na rádio, ele precisa ter a dose certa de pauleira com uma boa mixagem, sem soar esporrento”, receitou.

Confira abaixo a entrevista na íntegra e escute as faixas “Nó Suíno” e “Bop”:

RЯ – O que motivou a banda a voltar para o estúdio, num álbum com inéditas após tantos anos?

Canisso – Sentimos que nossa estratégia de recolocar a banda na cena já estava praticamente concluída, com presença assegurada nos melhores festivais e com uma tour consolidada, faltava uma “foto” atual da banda. Com certeza um álbum de inéditas iria ter muito mais espaço pra ser divulgado nessa boa fase.

RЯ – O que mudou na banda desde o último álbum de estúdio, o “Kavookavala”, em 2002?

Canisso – Mudou muito, até o processo de composição, mas basicamente a principal mudança foi a grande contribuição de todos em todo o processo, não houve pressa, ao contrário, trouxemos o entrosamento criado por esses anos na estrada pra dentro do estúdio. Talvez seja o disco mais “trampado”que já fizemos…

RЯ – O que o “Cantiga de Rodas” traz de novo para os fãs?

Canisso – De novo, contamos com a produção Master do Billy Graziadei,vocal e guitar do Biohazard, participações épicas do Sen Dogg do Cypress Hills,do Frango do Galinha Preta, do rapper Cipriano…É um disco típico do Raimundos, tem punk rock, power ballads, reaggae-dub, pauleiras, forrozeiras…músicas que trazem lembranças boas e abrem novos horizontes pro nosso som, tentamos ao máximo justificar a confiança depositada em nós pelos apoiadores do crowdfunding. Esse é o resultado do nosso esforço, espero que gostem…

RЯ – Qual o ponto forte do álbum?

Canisso – Talvez a grande evolução de Digão como vocalista e a boa variedade nos sons. É um disco que não cansa, dá pra deixar tocando e você nem percebe o tempo passar… Espero que todo mundo perceba a grande evolução no som dos Raimundos. A ideia era passar uma parte da energia presente em nosso show pra todas as músicas, como eu já disse, é um retrato atual da banda.

RЯ – O álbum foi concebido por meio de financiamento coletivo e vocês conseguiram levantar R$ 120 mil, o dobro do previsto inicialmente. Como foi isso? E qual será o presente para os fãs?

Canisso – Todas as cópias físicas serão exclusivas dos apoiadores,mas quem quiser adquirir o CD via download pode acessar serviçoes como o iTunes ou o Dezzer. Para lançarmos esse CD, precisávamos fazê-lo da melhor forma que pudéssemos, pra fazer jus à qualidade sempre presente em todos os posteriores. Já havíamos tido uma boa experiência com crowdfundings em alguns shows. Ao nos depararmos com a chance de gravar fora com o Billy, nossos custos subiram muito.
O Marquim (guitarrista)  já vinha pesquisando à respeito de crowdfundings e, logo na primeira conversa com o Billy, ele mesmo veio com a mesma ideia. Ficamos até surpresos com a sintonia… Primeiro, estabelecemos uma meta bastante modesta, espartana até, visando bancar apenas a logística e o budget do Billy, estudamos qual a plataforma de arrecadação se adequava melhor às nossas necessidades, prazo, porcentagem, confiabilidade, etc. Depois definimos as contrapartidas proporcionais às contribuições. Já no primeiro dia já batemos o recorde de contribuições do site, o http://www.Catarse.me/raimundos, mostrando que nossa decisão foi mais que acertada, recomendo… Quem tiver curiosidade pode dar uma clicada ae…

RЯ – Em quem vocês se inspiraram para buscar o crowdfunding?

Canisso – Em ninguém em especial, olhamos bastante principalmente os arrecadadores que tiveram maior sucesso, pra tentar aprender algo…

RЯ – Em que situações fez falta não ter do lado de vocês uma gravadora com nome forte no mercado?

Canisso – Com certeza na escalação de atrações de festivais e na mídia paga, mas como nosso show tem mostrado que agrada a galera, viemos reconquistando nosso espaço. Hoje temos nossa própria divulgação, além da melhor de todas elas, que é o boca a boca entre os novos e antigos fãs, renovando e aumentando nosso público…Uma coisa é certa: quem vem aos nossos shows SEMPRE volta, e traz mais alguém, que mostra pra mais alguém…Tem muita banda com gravadora e empresário gastando o dobro sem chegar no mesmo resultado…

RЯ – A presença na rádio está de acordo com o esperado?

Canisso – Muito acima do esperado, principalmente pela grande procura ESPONTÂNEA de várias rádios, que tomaram pra si a “missão” de continuar tocando rock nacional e têm sido nossas parceiras nessa empreitada… Não temos budget pra pagar jabá, então se está tocando é porque o povo está pedindo, nossos humildes agradecimentos aos radialistas que tocam…

RЯ – Você acha que o rock nacional anda meio enfraquecido, com muitas bandas pasteurizadas? Quais bandas nacionais são bons exemplos?

Canisso – Não gosto de comentar sobre outras bandas, cada um sabe aonde quer chegar com seu som, quem se estabeleceu tem meu respeito, viver de rock nesse país é um grande desafio. Das duas uma: ou você toma um Johnny Walker com Activia e toca seu som pra agradar somente seu umbigo, ou você aceita o desafio de equilibrar a dose certa de pauleira sem soar “pasteurizado” nem suavizar muito a proposta…
Pro rock voltar a tocar na rádio ele precisa ter a dose certa de pauleira com uma boa mixagem, sem soar “esporrento”, afinal disputamos a preferência dos ouvintes, fazemos música pros shows, mas precisamos pensar nas rádios também… Quanto ao cenário discordo de você, conheço cenas fervilhantes de novidades, como Goiânia, Curitiba, Salvador, Fortaleza, Cuiabá, Porto Alegre, Floripa.
Caramba, o que mais tem é banda legal, falta espaço, falta o que a MTV representou pra nossa geração nos anos 90,um program livre, de tarde,com banda tocando, sei lá… O momento pede, quem tiver a sacada e lançar um programa do gênero com certeza vai bombar.

24
mar
13

Biohazard mantém tradição, faz show de peso e elege público de SP como nova família no Via Marquês

Garantia de show com a adrenalina no nível máximo, o Biohazard, para variar, não decepcionou e presenteou os paulistanos com uma grande apresentação no mês de março, no dia 15, no Via Marquês. Aproveitando a turnê de divulgação de seu mais recente álbum, “Reborn in Defiance”, de 2012, mas sem desprezar os grandes hits que gerou para o rock pesado, o grupo de hardcore provou mais uma vez que não conquistou o respeito dos fãs à toa.

Empolgados com a recepção incrível em uma casa de shows com grande público numa agradável sexta-feira, os nova-iorquinos elegeram os fãs presentes como uma nova “família” e liberaram uma invasão de palco gigante no decorrer da apresentação, como poucas vezes se viu em espetáculos internacionais na capital paulista. Este detalhe, que foi elogiado por mostrar simpatia da banda e devoção dos fãs, chegou até a prejudicar a execução de algumas músicas, mas o saldo final foi mais um grande momento do rock em terras brasileiras e a garantia de retorno do grupo para cá.

Billy Graziadei, vocalista, guitarrista e líder da banda definitivamente tem uma admiração profunda, verdadeira e bastante clara pelo Brasil. Suas atitudes e declarações não deixam dúvidas de que o País e os fãs daqui são muito importantes para ele, que tem esposa brasileira e uma filha nascida em São Paulo.

A abertura do show do Biohazard foi feita pelas bandas nacionais Projet46 e Worst. As apresentações foram de alta qualidade, com destaque para a clara evolução positiva que o Worst vem mostrando a cada show, sem falar na tradicional espetacular exibição que seu baterista, Fernando Schaefer, ex-Korzus, proporciona para os amantes do rock pesado.

Apesar do show agendado para a noite do dia 15 de março, o atraso nas apresentações de abertura fez com que o Biohazard subisse ao palco somente nos primeiros minutos do dia 16, por volta do horário de meia noite e meia. A maior parte do público, entretanto, não mostrou descontentamento com o atraso, provavelmente pela boa sacada dos organizadores de colocar o show fora do mei0 da semana, de maneira diferente da realizada às vezes por alguns “gênios do entretenimento”.

Como manda a tradição, o Biohazard iniciou a apresentação com um grande hit capaz de contagiar o público logo de cara. Sem muito lenga-lenga, a banda norte-americana executou o clássico “Shades of Grey” e o que se viu no Via Marquês foi a abertura de uma imensa roda na pista lotada. No palco, os primeiros stage divings da noite surgiram, enquanto os músicos mostravam que estavam em forma e preparados para dar o que o público desejava.

A missão da banda não era das mais fáceis, pois faltava no palco a figura do baixista, vocalista e fundador Evan Seinfeld, que saiu do Biohazard em 2011 para ser substituído por Scott Roberts. O novo baixista, que passou pelo também grupo norte-americano Cro-Mags, mostrou bastante empenho, mas não conseguiu repetir o desempenho que Seinfeld cansou de mostrar por aqui. Com uma voz não tão potente como a de seu antecessor e com um microfone que também atrapalhava um pouco, Roberts nem sempre foi bem ouvido durante o show, especialmente pelo público que estava na outra ponta do palco.

O fato é que, com a saída de Seinfeld, para quem já havia visto outras apresentações do Biohazard, ficou muito claro que Billy Graziadei definitivamente virou a figura central da banda, mas sem qualquer tipo de postura antipática e, sim, com o procedimento necessário que todo líder de grupo precisa ter. Quanto aos outros membros fundadores e firmes na banda, Bobby Hambel continua com aquela pegada que só ele consegue dar à guitarra e Danny Schuler permanece como um dos maiores bateristas da música pesada internacional, dando também uma verdadeira aula a cada apresentação.

E foi com Schuler nos bumbos que o Biohazard iniciou o segundo petardo da noite. Acompanhado de gritos empolgados de Graziadei de “quebra tudo, São Paulo”, o grupo mandou ver nada menos que “Urban Discipline” e fez com que o palco fosse mais vezes invadido pelos fãs, mantendo a pista eufórica para a música seguinte: “Come Alive”, do mais recente álbum.

Com a “Wrong Side of the Tracks”, a terceira da noite do grande álbum “Urban Discipline”, o grupo continuou dando aquilo que a plateia queria, mas Graziadei chegou a parar a música duas vezes. Na primeira, achou que a galera não estava agitando como deveria e chamou a atenção de todos. Na segunda, foi a vez de dar uma pequena bronca em um dos seguranças que tentou impedir um stage diving de um fã. “Sai daqui. Família, família!”, disse o vocalista, apontando para a pista e levando o público à loucura.

Nem é preciso dizer que esta foi a senha para a liberação de uma invasão definitiva do palco. Depois daquilo, quem quisesse subir, não teria resistência alguma. Durante “Wrong Side of the Tracks”, Graziadei repetiu o que havia feito no memorável show de 2010 no Carioca Club e tocou sua guitarra erguido pelo público da pista que estava próximo ao palco, uma cena que sempre contagia quem aprecia grandes momentos do rock n’ roll!

Na música seguinte “Tales from the Hard Side”, já havia tanta gente no palco que era difícil visualizar a banda em alguns momentos! Os fãs tiravam fotos com o grupo, davam stage diving e até assumiam o microfone com Graziadei, numa espécie de “bagunça quase organizada”. Era tanta gente que o vocalista chegou a pedir mais cuidado na sequência, pois equipamentos já estavam sendo danificados com a euforia.

A calmaria no palco durou pouco, já que outro clássico do “Urban Discipline”, “Black and White and Red All Over”, foi executada e era impossível não vibrar. Graziadei, por sinal, fez questão de “homenagear” a mídia manipuladora e escolheu um nome bastante conhecido dos brasileiros para citar. “Fuck, Globo!”, foi o coro puxado pelo vocalista, que foi seguido pelo Via Marquês inteiro a plenos pulmões.

A banda deu sequência ao show com vários clássicos de outros discos, como “Five Blocks To The Subway” e “Down For Life”, ambas do álbum “State of the World Address”. Sem mostrar cansaço, o público curtia muito a apresentação e os stage divings já eram uma rotina.

Antes de iniciar “Vengeance is Mine”, do novo álbum, Graziadei proporcionou um momento histórico em shows de rock internacional em São Paulo. Se, em 2010, no Carioca Club, o vocalista recebeu uma camisa do Palmeiras de um dos fãs, mostrou para a platéia e ainda bateu o punho cerrado no peito, em 2013, ele quis saber quem torcia pelo Corinthians no meio do público no Via Marquês e quem torcia para o seu maior rival, o alviverde de Palestra Itália. Como houve uma divisão do público, ele pediu para que cada torcida na pista ficasse de um lado do palco. Chegaram a gritar o nome do São Paulo também e o vocalista pediu para que os torcedores da equipe ficassem no fundo da pista.

O que se viu na sequência foi uma divisão maior entre corintianos e palmeirenses, com uma pequena parcela de são-paulinos ao fundo. Foi então que, depois da divisão, Graziadei iniciou a música e foi feito o chamado “Wall of Death”, no qual cada lado corria em direção ao outro para o enfrentamento. Se estivéssemos com alguns elementos que envergonham e sujam a imagem das torcidas organizadas, talvez poderia ter saído morte neste evento, mas o que se viu no “Wall of Death” foi a formação de uma imensa roda de mosh, na paz, como deve ser.

Se você acha que a agitação do show terminou ali, está totalmente enganado. Tudo porque, na sequência, o vocalista do Biohazard conseguiu novamente mexer com o público com uma música cover do Bad Religion, “We’re Only Gonna Die (From Our Own Arrogance)”, que foi gravada no álbum “Urban Discipline”.

Com o desafio lançado de que estaria colhendo imagens para um DVD ao vivo, disse que gostaria de ver a maior roda possível no show, para mostrar que São Paulo poderia ser escolhida como local de gravação, em detrimento, por exemplo, do famoso público fã de música pesada da Argentina. O Biohazard começou a música, Graziadei parou e exigiu mais do público e o Via Marquês quase veio abaixo com tamanha vibração.

Depois de executarem “Victory”, do primeiro álbum “Biohazard”, o grupo trouxe a já tradicional dobradinha “Punishment” e “Hold My Own”, ambas novamente do prestigiado “Urban Discipline”. Nem é preciso dizer que “Punishment” foi a mais cantada pelo público. Maior sucesso da banda norte-americana, ela foi o ponto alto do show e, sozinha, já valia o ingresso.

Ao fim da apresentação, Graziadei e seus companheiros de banda agradeceram demais o público presente e fizeram diversos elogios à plateia paulistana (que cantou durante o show até “Parabéns a você” para a filha dele), prometendo uma volta em breve. Depois, ainda posaram humildemente para fotos com os diversos fãs, para alegria de todos.

Se comparado ao show do Carioca Club, em 2010, a apresentação do Via Marquês não foi capaz de superá-la, pois lá havia a formação clássica da banda, um público tão vibrante como o de 2013 e um pouco menos de confusão no palco. Ainda assim, o show do Via Marquês já é forte candidato a um dos melhores deste ano na lista do rock pesado.

Para relembrar os grandes momentos do Biohazard em São Paulo, descolamos vídeos no YouTube. Fique inicialmente com um que traz “Shades of Grey” e “Urban Discipline”. Depois veja a muvuca no palco em “Tales from the Hard Side”, a enorme roda de mosh em “We’re Only Gonna Die (From Our Own Arrogance)” e a banda tocando “Punishment”. \m/

Set List

Shades of Grey
Urban Discipline
Come Alive
Wrong Side of the Tracks
Tales from the Hard Side
Each Day
Black and White and Red All Over
Five Blocks To The Subway
Down For Life
Vengeance is Mine
We’re Only Gonna Die (From Our Own Arrogance)
Victory
Punishment
Hold My Own

06
abr
12

Biohazard libera clipe da música “Vengeance is Mine” do novo álbum lançado em janeiro

O Biohazard liberou recentemente na internet o vídeo da música “Vengeance is Mine”, que faz parte do novo álbum “Reborn in Defiance”, lançado em janeiro de 2012 pela banda norte-americana via gravadora Nuclear Blast. O video oficial é resultado de um concurso mundial de fãs e foi criado e compilado pelo diretor Travis Campbell.

O disco foi produzido por Toby Wright, que já trabalhou com o Alice in Chain, KISS, Primus e Slayer, entre outros grupos importantes do rock pesado. “Reborn in Defiance” é o primeiro disco do grupo em 7 anos e o primeiro com a formação original da banda em 18 anos.

Para quem ainda não conhece o Biohazard, são nova-iorquinos do distrito do Brooklyn, que despontaram para o sucesso nos anos 90 com a habilidade de conseguir misturar, como poucos, o hardcore, o metal pesado e elementos do rap num único som. Com um histórico de dificuldades pessoais, os caras sempre foram respeitados, não só pelo som, mas também pelas letras fortes, que retratavam a deterioração urbana, a corrupção, crimes e a ruína social das grandes cidades.

Em 2008, os quatro membros originais do grupo, Billy Graziadei (vocais e guitarras), Bobby Hambel (guitarras), Evan Seinfeld (vocais e baixo) e Danny Schuler, reuniram-se para comemorar o aniversário de 20 anos de seu primeiro registro com uma série de shows. A turnê contou também com apresentações no Brasil, com destaque para o histórico show realizado em São Paulo em julho de 2010 no Carioca Club.

Depois da longa turnê e com todo o sucesso que o retorno provocou, o Biohazard decidiu gravar um novo álbum, que acabou sendo o último de Evan Seinfeld, que anunciou a saída da banda logo após a conclusão do trabalho, ainda em 2011. No lugar de Seinfeld, entrou o baixista e vocalista Scott Roberts, que foi bem recebido pelos fãs, apesar da grande marca deixada pelo antigo membro.

Fique abaixo com o clipe novo do Biohazard:

31
jul
10

Biohazard em SP foi ponto alto do mês de julho, com show vibrante e inesquecível

Julho chega ao fim e o Roque Reverso não poderia deixar de falar do show que marcou o mês em São Paulo e que já entrou para a história dos mais vibrantes que passaram por esta cidade. 10 de julho é o dia. O Biohazard é a banda, que, em sua formação original, era bastante aguardada pela legião de fãs do hardcore e do thrash metal presentes. O Carioca Club, uma modesta casa acostumada a receber eventos da música sertaneja, forró e pagode, é o local do evento que abriu as portas para uma matinê de sábado das mais pesadas que passaram por lá.

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