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Em show excelente em SP, Metallica lota autódromo e mescla boas músicas do novo álbum com clássicos da carreira

Metallica em SP no Autódromo de Interlagos - Foto: Divulgação MetallicaO Metallica se apresentou no sábado, dia 25 de março, em São Paulo, no Autódromo de Interlagos, e proporcionou um excelente show aos devotados fãs. Mesclando as boas músicas do ótimo novo álbum “Hardwired… to Self-Destruct” com clássicos da carreira, a banda norte-americana de thrash metal levou ao êxtase a plateia que lotou e quebrou recorde de público no festival realizado na capital paulista que nunca havia tido uma banda ligada ao heavy metal como headliner.

Cerca de 100 mil pessoas estiveram no sábado no evento, público jamais visto numa única noite naquele festival. Seguramente, de 70 mil a 80 mil pessoas estavam em volta do palco onde o Metallica fez seu ótimo show. Foi uma invasão histórica dos fãs da banda. Eles tingiram de preto o festival dos descolados de camisas coloridas e roupas modernas e mostraram, pela enésima vez, como os seguidores do heavy metal são fiéis.

Foi a primeira vez que o Metallica tocou num festival em São Paulo. Antes disso, a banda havia se apresentando na capital paulista apenas em turnês próprias: em 1989, 1993, 1999, 2010 e 2014. Fora de São Paulo, o grupo já havia se apresentado no Rock in Rio em três oportunidades: em 2011, 2013 e 2015.

O show de 2017 em Interlagos foi seguramente o melhor da banda desde a histórica apresentação no Rock in Rio em 2011. Depois de superar problemas com a chuva em 2014 em São Paulo e de superar problemas técnicos de som no festival da capital fluminense em 2015, o Metallica fez um show coeso, seguro e de acordo com o histórico matador da banda em apresentações ao vivo.

Visivelmente empolgados e felizes por trazerem as músicas do novo álbum na nova turnê, os músicos do Metallica também demonstraram estar perfeitamente descansados, diferente de uma ou outra apresentação que passou pelo Brasil no fim de algumas turnês, como a de 1993, quando o grupo veio a São Paulo pela divulgação do Black Album e quando foi visível o cansaço pela longa e estafante turnê.

Outro ponto importante que ajudou no andamento do show foi a ausência da famigerada Pista Vip. Sem a grade separando o público, foi possível um espaço mais democrático para todos os fãs chegarem mais perto do palco. O Roque Reverso, como sempre, ficou bem próximo da grade e, desta vez em São Paulo, muitos fãs das antigas que não conseguem ficar perto da banda por causa da separação de Pista Vip e Pista Comum de outros shows puderam se  aproximar. Este detalhe deixou toda a pista de uma maneira homogênea e sem os pontos de frieza que a Pista Vip costuma proporcionar em várias apresentações de todas as bandas.

O show

Poucos minutos depois das 21 horas, o Metallica subiu ao palco. Logo após a tradicionalíssima introdução com a música gravada de “Ecstacy of Gold”, de Ennio Morricone, a banda de thrash metal veio com a dobradinha que inicia o novo álbum “Hardwired… to Self-Destruct”. Com a pegada forte de faixa “Hardwired”, que foi capaz de gerar rodas espalhadas de mosh por alguns cantos, e com a cadência e peso de “Atlas, Rise!”, o grupo já satisfez logo de cara quem estava louco para ver coisas do novo trabalho.

“São Paulo, você está muito bonita”, exclamou o vocalista e guitarrista James Hetfield, em inglês, logo após as duas canções. “Não me importa de onde são ou quem veio aqui para nos ver. Vocês agora são parte da família Metallica. Bem-vindos! Estamos felizes por vocês se juntarem a nós”, acrescentou o vocalista, levando a multidão impressionante ao delírio.

Este jornalista acompanha shows grandes desde o início dos Anos 90. Em Interlagos, desde a apresentação do KISS em 1999, passando por Iron Maiden em 2009 e por mais duas edições anteriores do festival em questão. Talvez, apenas no show do Iron Maiden, quando o público estimado foi de pouco menos de 70 mil pessoas, aquele pedaço do Autódromo de Interlagos esteve tão lotado.

Era gente para todos os lados e cantos, espalhada inclusive nas partes elevadas que ficam dos lados da pista. Só este detalhe já dava uma dimensão do show e, sem a menor dúvida, isto empolgou demais a banda.

Metallica em SP no Autódromo de Interlagos - Foto: Divulgação MetallicaMetallica em SP no Autódromo de Interlagos - Foto: Divulgação MetallicaMetallica em SP no Autódromo de Interlagos - Foto: Divulgação MetallicaMetallica em SP no Autódromo de Interlagos - Foto: Divulgação MetallicaMetallica em SP no Autódromo de Interlagos - Foto: Divulgação MetallicaMetallica em SP no Autódromo de Interlagos - Foto: Divulgação Metallica

 

Depois da fala de Hetfield, o Metallica trouxe o primeiro ultraclássico da noite: “For Whom The Bell Tolls”. Com o início marcante de baixo imortalizada pelo saudoso Cliff Burton, o ótimo e atual baixista Robert Trujillo deu os primeiros acordes e o público recebeu a melodia imediatamente com uma empolgação imensa.

Na sequência, veio “The Memory Remains”, que não é de um álbum clássico do Metallica, mas se transformou em hit de uma geração mais nova que é fã da banda. Com participação gigantesca no refrão e surpreendendo a banda com o coral a plenos pulmões, o público fez sua parte de maneira belíssima.

No final da música, o guitarrista Kirk Hammett fez um pequeno solo e tocou acordes da música “Judas Kiss”, do disco “Death Magnetic”. Mas foi apenas uma pequena palhinha de algo do álbum anterior do Metallica que acabou sendo ignorado durante a apresentação. Quem acompanhou as vindas de 2010 a 2015 da banda, já havia presenciado uma overdose de “Death Magnetic” e, talvez, não tenha sentido grande falta de faixas do disco.

O momento era de desfile de clássicos e a primeira do Black Album logo deu as caras. “The Unforgiven”, com os belíssimos acordes de violão de Hetfield foi executada com maestria e emocionou muita gente que nunca havia ouvido a canção ao vivo e de perto. Vale destacar o trabalho bacana que o Metallica tem feito com as imagens de telão. Cada vez mais caprichadas, elas vem trazendo desenhos que lembram as músicas ou até mesmo trecho dos clipes históricos.

O telão em Interlagos, por sinal, não foi o da turnê atual da banda. Em vez dos atuais telões espelhados e em formato cortado, o grupo optou pelo tradicional das mais recentes turnês. Isso, de forma alguma, prejudicou o público, que pode conferir cada detalhe do show nas imagens bem definidas que eram exposta ao lado e ao fundo do palco.

Pausa de clássicos e volta a apresentação do disco novo. Com mais uma dobradinha, o Metallica tocou as ótimas “Now That We’re Dead” e “Moth Into Flame”, que estão entre as melhores do novo trabalho. Especialmente nestas canções, foi possível ver uma banda entrosada, envolvida e empolgada com o álbum recente. Com som perfeito e destaque para o baterista Lars Ulrich na primeira faixa, o público cantou e vibrou, sem deixar de contemplar fixamente a banda totalmente em forma.

Quem assistiu ao show pela TV pode não ter tido a mesma dimensão de quem estava em Interlagos. A bateria de Lars, muito bem equalizada, gerava aquelas porradas de som que chegam no peito do público. E, quem gosta de heavy metal, sabe que show bom já começa com este tipo de detalhe. Talvez, apenas com o tradicional som do Rock in Rio, o Metallica tivesse equalizado um som de maneira tão interessante quanto à vista no autódromo (pelo menos, no local onde o Roque Reverso estava).

Antes de “Moth Into Flame”, James Hetfield voltou a elogiar o público e agradeceu os fãs da “família Metallica”. Foi gratificante ver a banda executando perfeitamente a música, apagando a imagem da sacanagem que a organização do Grammy fez com o microfone do vocalista na premiação deste ano, quando o grupo tocou com a cantora pop Lady Gaga.

De volta às músicas antigas, o Metallica trouxe a primeira do grande disco “…And Justice for All”. “Harvester of Sorrow”, talvez seja, depois de “One”, a música mais executada deste álbum, mas não enjoa. Claro que poderia ter havido uma novidade com uma eventual apresentação de uma inédita ao vivo aqui no Brasil, como “The Shortest Straw” ou “Dyers Eve”, mas este jornalista ainda tem esperanças depois que viu “The Frayed Ends of Sanity” no Rock in Rio de 2015.

O show em Interlagos agradava demais. E o Metallica trouxe a última da noite do novo álbum. Com suas três partes distintas, “Halo On Fire” foi a música hipnotizante da noite, com o público contemplando a longa faixa do início ao fim. A voz de James chegou a dar umas pequenas falhadas, mas nada que comprometesse a apresentação.

Note que várias das músicas do “Hardwired… to Self-Destruct” tem tons que exigem demais da voz de Hetfield ao vivo. São tons diferentes, por exemplo, do “Death Magnetic” e ainda mais distantes das fases mais antigas do grupo. Ainda assim, com seus mais de 50 anos, o vocalista, eternamente perfeccionista, acaba se desdobrando para entregar algo decente para o público.

Metallica em SP no Autódromo de Interlagos - Foto: Divulgação MetallicaMetallica em SP no Autódromo de Interlagos - Foto: Divulgação MetallicaMetallica em SP no Autódromo de Interlagos - Foto: Divulgação MetallicaMetallica em SP no Autódromo de Interlagos - Foto: Divulgação MetallicaMetallica em SP no Autódromo de Interlagos - Foto: Divulgação MetallicaMetallica em SP no Autódromo de Interlagos - Foto: Divulgação Metallica

Por falar em fases mais antigas do Metallica, eis que o baixista Robert Trujillo trouxe algo completamente inesperado no solo poderoso de baixo que fez logo após “Halo On Fire”. Ele trouxe inicialmente os acordes de “The End of the Line”, do Death Magnetic, e inicialmente, transformou o baixo quase que num instrumento de percussão. Mas a surpresa viria na sequência: nada menos que mais do que a metade da faixa  “Anesthesia (Pulling Teeth)”, do primeiro álbum, “Kill ‘Em All”.

Foi difícil não lembrar mais uma vez do saudoso Cliff Burton e não se emocionar. Trujillo é um excepcional músico e, a despeito de algumas correntes de fãs mais radicais do Metallica que ainda torcem o nariz para ele e qualquer baixista que assuma o lugar de Cliff, ele é um dos grandes responsáveis pelo ressurgimento do Metallica após a traumática saída de Jason Newsted.

A partir daquele momento do show, só clássicos apareceriam no show do Metallica. E, aproveitando a deixa do álbum “Kill ‘Em All”, a banda trouxe mais um petardo histórico: simplesmente “Whiplash”, que não era executada havia muito tempo pelo grupo em São Paulo, desde 1993. Obviamente, rodas de mosh novamente foram abertas, mesmo com isso sendo impossível em alguns locais da Pista que estavam completamente abarrotados de gente.

“Sad But True” foi a música seguinte. Antes dela, James Hetfield chegou a fazer a tradicional pergunta que tenta medir a quantidade de fãs novos e antigos da banda. Depois de questionar quem já havia visto o grupo antes ao vivo e quem estava ali pela primeira vez, ele chegou à conclusão de que a divisão estava em 50%, algo que só comprova a capacidade incrível do Metallica conseguir renovar seu público mesmo com mais de três décadas de existência.

As quatro músicas seguintes executadas são meio que figurinhas carimbadas em shows do grupo: “One”, “Master of Puppets”, “Fade to Black” e “Seek & Destroy”, talvez, estejam entre as mais executadas em toda a história da banda. As duas primeiras são as mais pedidas sempre. As outras duas são dois outros clássicos que servem para emocionar e levantar, respectivamente, o público.

Em “One”, o Metallica repetiu efeitos do Rock in Rio 2015 usados no telão central e lateral, com imagens de soldados indo para a guerra. Definitivamente, depois de tantos casos complexos envolvendo fogos de artifício, o grupo adotou o laser. Com isso, as simulações de bombas e tiros de “One” ficaram mesmo com os efeitos visuais do laser.

Em “Master of Puppets”, por sinal, foram interessantes as cordas de marionetes que apareceram no telão central ao fundo do palco. Em alguns momentos, dava a impressão que as cordas estavam ligadas a James Hetfield, como se ele fosse a marionete.

Antes de “Fade to Black”, Kirk Hammet voltou ao seu tradicional solo de guitarra. Chegou a tocar a introdução da injustamente pouco executada “Leper Messiah”, do disco “Master of Puppets”, esfregou a guitarra nos amplificadores e até chegou a tocar o instrumento com os pés.

Na sequência, a belíssima “Fade to Black” gerou mais um dos momento de contemplação coletiva do show, com muitos vendo pela primeira vez aquele grande momento. James Hetfield elogiou a cantoria do público e disse que era gratificante ter esse feedback dos fãs.

“Seek & Destroy”, depois de muito tempo em solo nacional, foi tocada antes do bis. Ela fechou a primeira parte do show e, como sempre, levou o público ao delírio. Rodas maiores de mosh foram observadas neste clássico metallico.

Na volta do bis, mais uma pancada sonora das antigas. “Battery” foi mais uma daquelas para fã antigo não reclamar. Forte e rápida, também gerou rodas de mosh em vários pontos da Pista.

Para fechar, o Metallica trouxe “Nothing Else Matters” e a sempre presente “Enter Sandman”. Sempre entre as campeãs de audiência, ambas as canções agradaram a todos e encerraram com chave de ouro a apresentação. Interessante que, depois de muito tempo, a banda não usou as já tradicionais bolas pretas de plástico que eram usadas em “Seek & Destroy” e que estavam aparecendo em “Enter Sandman” nos shows da atual turnê.

Ao final da apresentação, todos os componentes da banda agradeceram e elogiaram o público no microfone. Lars jogou várias baquetas para plateia. James, Kirk e Robert vieram com uma chuva de palhetas.

O saldo final foi dos mais positivos. O sentimento geral era de que aquela apresentação havia sido de qualidade e com o selo Metallica de grande show de heavy metal.

Interessante destacar que o Roque Reverso teve sua credencial de imprensa negada pela assessoria do festival. Isso mesmo depois de ter feito a cobertura das cinco edições anteriores, sendo as duas últimas credenciado.

Ainda assim, como temos o Metallica entre as bandas favoritas do site e respeito enorme pelos nossos leitores, pagamos ingresso para ver o grande show. Mas decidimos ignorar o restante do festival, pois não teríamos condições de ir no segundo dia para cobrir, por exemplo, os Strokes. Com isso, foco central no grande Metallica, que, de maneira disparada, foi a maior atração do evento e já entrou para história de todas as edições.

Para celebrar a grande apresentação no Autódromo de Interlagos, o Roque Reverso descolou clipes no YouTube, alguns deles filmados pelo próprio site. A emissora que transmitiu o evento está meio que perseguindo e retirando os vídeos do YouTube. Com isso, fomos atrás de vídeos amadores. Se o canal parar com essa idiotice de apagar momentos históricos de shows, poderemos aproveitar e colocá-los aqui.

Fique inicialmente com a abertura do show e “Hardwired”. Na sequência, assista ao vídeos de “Atlas, Rise!”, “The Unforgiven” e “Now That We’re Dead”. Para fechar, fique com os de “One”, “Fade to Black” e “Seek & Destroy”.

Set list

Hardwired
Atlas, Rise!
For Whom The Bell Tolls
The Memory Remains
The Unforgiven
Now That We’re Dead
Moth Into Flame
Harvester of Sorrow
Halo On Fire
Whiplash – com trecho de Anesthesia (Pulling Teeth) antes
Sad But True
One
Master of Puppets
Fade to Black
Seek & Destroy

Battery
Nothing Else Matters
Enter Sandman

 

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4 Responses to “Em show excelente em SP, Metallica lota autódromo e mescla boas músicas do novo álbum com clássicos da carreira”


  1. 1 Diego Braga
    27 de março de 2017 às 10:22

    Definitivamente, um excelente show!
    A qualidade do som estava impecável e a banda em excelente forma. Valeu a pena enfrentar um festival eclético como aquele para ver os monstros do Metallica chutando bundas! \m/

  2. 27 de março de 2017 às 12:39

    Vendo algumas atrações do festival pela TV no dia seguinte, a constatação é inevitável: o Metallica sobrou e nadou de braçada neste evento.
    Foi até covardia! 😛

  3. 4 Lúcia
    29 de março de 2017 às 18:46

    Magnífico!
    O melhor show deles por aqui em muitos anos!


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