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O dia em que Paul McCartney venceu o dilúvio e inaugurou com show histórico a arena do Palmeiras

Paul McCartney e banda em SP - Foto: Divulgação Midiorama/Marcos HermesTerça-feira, 25 de novembro de 2014. Este foi o dia no qual Paul McCartney venceu um verdadeiro dilúvio na capital paulista e inaugurou com uma apresentação histórica o Allianz Parque, nova arena do Palmeiras, como novo espaço para shows da maior cidade da América Latina. A data e o evento entraram para a história do rock em São Paulo porque reuniu um ex-Beatle no local que já se transformou em ponto turístico e que tem tudo para atrair os maiores espetáculos musicais no município.

Com uma apresentação de quase 3 horas de duração, McCartney desfilou grandes clássicos dos Beatles, do Wings e de sua carreira solo. O show fez parte da turnê “Out There” e serviu também para divulgar o novo álbum do músico, “New”, que foi lançado em 2013.

Aos 72 anos de idade, Paul McCartney mostrou vigor, entusiasmo, simpatia e alegria impressionantes, contagiando os 45 mil sortudos que tiveram o privilégio de ver o ex-Beatle retornar à capital paulista depois de uma ausência de 4 anos. A chuva, que poderia ser um grande empecilho por causa do grande volume que caiu sobre o Allianz Parque, transformou-se, durante a apresentação, em fator coadjuvante para quem se concentrou nas músicas do show.

Organização

Se levado em conta que foi uma estreia de um novo espaço para um público gigante, a organização do show não comprometeu. É óbvio que alguns detalhes precisam ser corrigidos e aperfeiçoados para dar ao público que paga ingresso caro o melhor evento possível, mas a maioria dos presentes saiu com uma boa impressão da nova arena do Palmeiras.

Como já havíamos adiantado, o espaço é grandioso e impressiona pela imponência. Com ótima acústica para ser aproveitada, é importante que sejam feitos ajustes para o som que chega às cadeiras superiores e inferiores. O Roque Reverso esteve na Pista Comum, mas algumas pessoas que ficaram nesses setores citados chegaram a reclamar de momentos com som embolado, baixo e atrasado.

Com a fortíssima chuva que caiu sobre a zona oeste paulistana por volta das 18h30, a região em volta do Allianz Parque ameaçou se transformar num verdadeiro caos. Para quem foi de carro, muitos minutos foram perdidos no trânsito. Para quem já estava na fila, a falta de informação mais clara foi uma reclamação bastante ouvida. Especificamente para quem ficou na rua Turiaçu, um alagamento em frente ao novo estádio fez com que muita gente ficasse com água até as canelas.

Se serve de consolo, por incrível que possa parecer, a situação foi melhor do que se imaginava. Em outros tempos, antes de obras que foram feitas recentemente pela Prefeitura de São Paulo, não somente a Turiaçu alagaria de uma maneira bem mais dramática como a Avenida Pompeia se transformaria no verdadeiro rio que chegou a trazer grande dor de cabeça para os moradores da região antes das obras.

O show

Justamente por conta da chuva forte, os organizadores decidiram atrasar um pouco o início do show de Paul McCartney. Para que todos pudessem entrar, o show começou com 46 minutos de atraso, às 21h46. A música escolhida para abertura foi nada menos que “Eight Days A Week”, um dos vários clássicos dos Beatles que seriam executados até o início da madrugada do dia seguinte.

Vale destacar que, mesmo o som da Pista Comum, estava uns dois níveis mais baixos do que o recomendado para um bom show de rock logo no início da apresentação, mas nada que prejudicasse a perfeita compreensão do que estava acontecendo no palco.

O palco, por sinal, é um capítulo à parte. É preciso avisar a alguns promotores de show que os brasileiros estão com uma altura média bem maior do que em décadas passadas. No Allianz Parque, tal qual o cenário visto em diversos shows, de Estádio do Morumbi a Citibank Hall, o palco estava baixo para quem estava na Pista Comum.

Para muitos com altura abaixo de 1 metro e 80 centímetros, seria muito bem-vindo um aumento de alguns centímetros do local onde ficam os músicos. Não custa nada e seria ótimo para quem pagou caro pelo ingresso, mesmo não estando na famigerada Pista Vip.

Reclamações do palco à parte, os excelentes telões de alta definição que ficavam nas laterais acabaram compensando a dificuldade de muitos. No telão do meio, em vez de reforçar a transmissão do que acontecia no palco, como feito com bandas como o Metallica, os Rolling Stones e o Aerosmith, a produção de Paul McCartney preferiu incrementar o espetáculo com clipes, belas imagens adicionais e ótimos efeitos visuais que enriqueceram ainda mais a apresentação.

Depois da abertura com “Eight Days A Week”, o ex-Beatle mesclou bastante os sucessos de toda carreira, não apenas se concentrando nas músicas da maior banda de todos os tempos. Sim, nas onze primeiras músicas, não ficaram de fora clássicos históricos, como “All My Loving”, “Paperback Writer” e “The Long and Winding Road”, mas Paul trouxe, por exemplo, “Let Me Roll It”, da época do Wings, e encantou não apenas pelos acordes marcantes como pela lindíssima guitarra colorida usada na canção.

Também tocou coisas do novo álbum, como “Save Us”, e manteve a tradição de dedicar a música “My Valentine” para a esposa Nancy. A impressão que se passava nessas onze primeiras músicas era de um set list menos agitado e voltado para o pessoal da área mais tranquila do rock.

A partir do clássico “We Can Work It Out”, notou-se uma agitação maior vinda do palco e também do público. Com “And I Love Her” e “Blackbird”, a emoção tomou conta do Allianz Parque e o público ainda foi presenteado com uma elevação do palco onde estava Paul nesta segunda canção citada. Assim, o ex-Beatle foi visto com nitidez por toda a arena, enquanto, na música seguinte, “Here Today”, fez uma homenagem ao eterno e saudoso parceiro John Lennon.

Público e a chuva pouco antes do show de Paul McCartney e banda em SP - Foto: Divulgação Midiorama/Marcos HermesPúblico e a chuva pouco antes do show de Paul McCartney e banda em SP - Foto: Divulgação Midiorama/Marcos HermesPaul McCartney em SP - Foto: Divulgação Midiorama/Marcos HermesPúblico no show de Paul McCartney em SP - Foto: Divulgação Midiorama/Marcos HermesPúblico no show de Paul McCartney em SP - Foto: Divulgação Midiorama/Marcos HermesPaul McCartney em SP - Foto: Divulgação Midiorama/Marcos Hermes

Depois de tocar as novas  “New” e “Queenie Eye” e executar o clássico “Lady Madonna”, Paul McCartney voltou a agitar a plateia com “All Together Now”, que, segundo ele, era uma música para os jovens presentes. Com efeitos e animações bem legais no telão central, os ex-Beatle manteve o clima legal na nova arena, enquanto a chuva moderada, vinha e voltava, fazendo com que muitos até dispensassem às capas protetoras.

Após a execução de “Lovely Rita”, da nova “Everybody Out There”, de “Eleanor Rigby” e de “Being for the Benefit of Mr. Kite!”, o Allianz foi palco da primeira catarse incontestável. “Com a belíssima “Something”, Paul homenageou mais um saudoso amigo dos Beatles, desta vez George Harrisson.

Inicialmente usando um ukulele num início de canção sem o apoio dos demais músicos e, depois, com todo um show de entrosamento com os demais componentes na parte que contou com todos os instrumentos, McCartney fez o estádio inteiro se arrepiar e cantar junto, num dos mais belos momentos em apresentações realizadas em São Paulo em 2014.

Com a plateia mais do que ganha, o ex-Beatle passou então a distribuir clássicos da grande banda para todos os gostos. Logo na sequência, a sempre alegre e simpática “Ob-La-Di Ob-La-Da” fez com que parte do público interagisse com a banda por meio de bexigas coloridas que deixaram o Allianz Parque ainda mais bonito.

Mesmo a ótima “Band on the Run”, que não é dos Beatles e foi a intrusa da sequência tocada, manteve todos empolgados, nas três bem construídas partes da canção. Importante destacar a qualidade dos músicos que acompanham Paul, especialmente o já conhecido baterista Abe Laboriel Jr., que é um show à parte e garante toda a energia das apresentações.

De volta aos clássicos, foram tocadas a agitada “Back in the U.S.S.R.”, a eterna balada “Let It Be” e a apoteótica “Live and Let Die”, que trouxe um show pirotécnico muito bem articulado pela equipe de Paul McCartney, em um novo momento de catarse do público que foi seguido por um outro imediatamente.

Talvez, ao lado de “Something”, a execução de “Hey Jude” tenha sido a mais sensacional da noite. Com a plateia cantando a música do início ao fim e chegado ao êxtase no famoso coro dos “Na-Na-Nas”, o mais frio dos mortais não ficaria imune ao cenário de empolgação visto na arena do Palmeiras.

Coincidentemente durante esta música, a chuva apertou demais no Allianz Parque, mas o público estava tão ligado no show que muitos nem ligaram para a molhadeira geral provocada, numa época em que a seca atinge como nunca a cidade de São Paulo.

Depois para uma breve pausa para o descanso, Paul e seus companheiros de banda voltaram para o primeiro bis com nada menos que “Day Tripper”, uma das mais pesadas da noite. Esta parte do show foi completada ainda por “Hi, Hi, Hi” e por “I Saw Her Standing There”.

Se o primeiro bis foi encabeçado por “Day Tripper”, o segundo trouxe simplesmente “Yesterday”, que fez muito marmanjo chorar. A diferença entre um artista comum e um que está entre os mais importantes da história de toda a música é que o segundo exemplo pode tirar do bolso clássicos a todo o momento, não deixando o clima do show cair.

Depois da emocionante interpretação de “Yesterday”, Paul trouxe a música mais pesada da noite e uma das preferidas deste jornalista que vos escreve, quando o assunto é Beatles: “Helter Skelter”, talvez um dos primeiros embriões do que passou a se chamar heavy metal tempos depois dela ser lançada. Com efeitos imensos em todos os telões, a música ainda tirou energia de quem já havia visto mais de duas horas e meia de show.

Para fechar o bis e a apresentação, o ex-Beatle trouxe trinca do álbum indispensável “Abbey Road”: “Golden Slumbers”, “Carry That Weight” e “The End”. A primeira da trinca emocionou particularmente este jornalista de uma forma diferente, pois era uma das prediletas de seu saudoso pai e, não por acaso, também entrou na lista das mais admiradas entre as pérolas da banda de Liverpool.

Fim de show e a sensação, além do cansaço inevitável, era de sonhos realizados das diversas gerações presentes no Allianz Parque. Dos mais velhos, que viveram o auge dos Beatles, aos mais novos, que apenas pegaram os relatos dos mais antigos e aproveitaram os tesouros musicais, não havia rostos sem a expressão de alegria.

Chamou a atenção também a imensa quantidade de torcedores palmeirenses presentes no Allianz Parque. Como se quisessem testemunhar o primeiro grande show no próprio estádio, diversos palestrinos foram com a camisa do clube e vibraram muito com o evento. O mais legal de tudo é que houve respeito dos demais que torciam para outros clubes, entendendo o que aquilo representava para os alviverdes.

O saldo final da apresentação de Paul McCartney foi dos melhores. Tal qual o que já havia sido visto no Morumbi em 2010, o ex-Beatle não decepcionou os fãs. No dia seguinte, por sinal, ele voltou ao Allianz Parque para o segundo show e o set list foi pouquíssimo mudado, com a entrada de “Magical Mistery Tour” no lugar de “Eight Days A Week” e com a volta de “Get Back” ao repertório.

Para comemorar o grande show do dia 25 de novembro de Paul McCartney, o Roque Reverso descolou vídeos no YouTube. Fique inicialmente com “All My Loving”, “Something” e “Band On The Run”. Depois veja a execução de “Let It Be”. Para fechar, um vídeo que traz uma filmagem da arquibancada com “Live And Let Die” e “Hey Jude”. Viva o rock!!!

Set list

Eight Days A Week
Save Us
All My Loving
Listen To What The Man Said
Let Me Roll It
Paperback Writer
My Valentine
Nineteen Hundred And Eighty-Five
The Long And Winding Road
Maybe I’m Amazed
I’ve Just Seen A Face
We Can Work It Out
Another Day
And I Love Her
Blackbird
Here Today
New
Queenie Eye
Lady Madonna
All Together Now
Lovely Rita
Everybody Out There
Eleanor Rigby
Being For The Benefit Of Mr. Kite!
Somenthing
Ob-La-Di Ob-La-Da
Band On The Run
Back In The USSR
Let It Be
Live And Let Die
Hey Jude

Day Tripper
Hi, Hi, Hi
I Saw Her Standing There

Yesterday
Helter Skelter
Golden Slumbers
Carry That Weight
The End

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4 Responses to “O dia em que Paul McCartney venceu o dilúvio e inaugurou com show histórico a arena do Palmeiras”


  1. 1 Ana Luísa
    1 de dezembro de 2014 às 01:50

    Ótima análise, também senti uma divisão do show em duas partes, com a segunda a partir de We Can Work It Out. Apesar de Black Bird ser minha preferida, confesso que Golden Slumbers é a música que mais me emociona, não tem comparação. Mas não posso falar muito sobre o show pois estava enfeitiçada pela nossa nova casa. Fiquei um pouco mais depois do fim da apresentação e pude ver outros suínos, devidamente uniformizados, assim como eu, admirando cada detalhe da Arena. Teve até um coro de “olê porcô” 💚💚💚 enfim, enquanto não temos show do Palestra, temos show desse menino Paul.

    • 1 de dezembro de 2014 às 13:15

      Valeu, Ana!
      “Golden Slumbers” é demais e nem todos valorizam essa música…
      Quanto à arena, eu já vi muito show na época do antigo palestra e não havia visto o pessoal tão empolgado assim.
      Parecia que a galera queria meio que testemunhar o primeiro grande show e também meio que “fiscalizar” se tudo tava certinho… 🙂

  2. 3 Rafael Granato Valin Franco
    1 de dezembro de 2014 às 11:27

    Venceu o dilúvio mesmo e tornou a chuva totalmente secundária. O set list do show já fala por si só e o gênio Paul segue em grande forma.


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