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Em show com problemas de som e truculência dos seguranças, Nuclear Assault traz o thrash a SP

Exatamente há um mês, no dia 30 de julho, o Nuclear Assault passou por São Paulo para um show único no Carioca Club. A banda norte-americana trouxe seu peso à casa de shows para um bom público, que desafiou a noite fria e chuvosa para rever um dos grandes nomes do thrash metal oitentista.

A noite poderia ter sido perfeita, se o som do Carioca Club não estivesse ruim, se a banda não tivesse enfrentado problemas sérios com seus instrumentos e se os seguranças da casa não tratassem os clientes com a mais pura truculência, digna de animais irracionais.

O Roque Reverso, que havia, no show do Helmet, conseguido credencial para a cobertura, não teve o mesmo êxito na apresentação realizada pelo Nuclear no Carioca Club. A justificativa dos produtores desta vez foi a de que a lista de credenciamento já havia sido fechada e que não daria mais tempo para incluir o blog entre os veículos de imprensa cadastrados.

Ingresso comprado, ficou a expectativa de ver, depois do dinheiro gasto, um tratamento, no mínimo, condizente com os valores cobrados. Este jornalista descolou um lugar bem na grade que separava o público da banda e, de lá, foi possível acompanhar a tentativa de o grupo, na raça, superar os problemas com os instrumentos e com o som embolado do local. Mais do que isso, também conseguiu ver o péssimo trabalho dos maus preparados seguranças do Carioca Club, que devem estar acostumados com samba e axé e não sabiam que, num show de rock, são normais algumas demonstrações mais intensas de energia por parte do público.

O show do Nuclear Assault ficou concentrado nos primeiros álbuns da banda, justamente os que marcaram época na década de 80. Da formação clássica, apenas o guitarrista Anthony Bramante, que saiu da banda em 2002, estava ausente. Ele vem sendo substituído já há algum tempo por Scott Harrington, que não tem a mesma intensidade e escapa um pouco do padrão convencional de um músico de heavy metal, com direito a chinelão, coisa que este jornalista nunca havia visto num palco de show de rock em mais de 20 anos acompanhando espetáculos do gênero.

Além de Harrington, estavam lá três caras com muita história para contar: John Connelly (vocal/guitarra), Dan Lilker (baixo) e Glenn Evans (bateria). Destes três, somente o grandalhão e lendário Lilker, com tantas bandas de destaque em seu currículo (Anthrax, S.O.D. e Brutal Truth, só para lembrar algumas), continua com a mesma aparência. Connelly, gordinho e de cabelo curto, nem de longe lembrava o jovem da década de 80. Evans, já com os cabelos brancos, também demonstrava a idade.

A banda já subiu ao palco com três petardos do álbum “Survive”, de 1988. De uma vez só, foram tocadas “Rise From The Ashes”, “Brainwashed” e “F#”, já com o som embolado que marcaria grande parte da apresentação. Apesar de muitas vezes os vocais de Conelly ficarem praticamente inaudíveis, o público abriu uma imensa roda no Carioca Club para o mosh. Outros fãs tentavam dar stage divings, mas eram barrados com violência pelos seguranças, coisa bem diferente do que aconteceu, há um ano no mesmo local, quando o Biohazard fez um show histórico com sua formação clássica.

Na sequência, uma dobradinha matadora do ótimo álbum “Handle With Care”, de 1989. Para começar, “New Song” e, logo depois, a megaclássica “Critical Mass”. Este foi um dos momentos meio decepcionantes do show, já que a guitarra de Scott Harrington teve problemas com as cordas e a banda foi obrigada a tocar sem ele, que tentava, no meio da música, afinar novamente o instrumento reparado minutos antes pelo rodie, tudo isso, bem na frente deste jornalista.

Foi naquela hora que ficou claro um abismo do Nuclear Assault em relação a outras bandas de sua época que, hoje, fazem shows em arenas lotadas em diversos locais do planeta. Num tempo em que Metallica, Slayer, Megadeth e Anthrax arrecadam rios de dinheiro com o Big Four, foi muito estranho, e ao mesmo tempo triste, assistir ao Nuclear sem ter uma guitarra reserva para um de seus músicos, coisa que qualquer banda cover costuma possuir atualmente no Brasil.

Superando os obstáculos, a banda tentava dar ao público um show digno. Mas, entre os obstáculos, estavam novamente os seguranças. Durante a execução da instrumental “Game Over”, do álbum de estreia de mesmo nome do grupo, de 1986, eles atingiram o grau máximo de truculência e falta de preparo quando uma menina tentou dar um stage diving. Ela driblou inicialmente os brucutus, mas eles conseguiram agarrá-la. Na tentativa de fugir, a menina quase derrubou Dan Lilker e foi empurrada por um dos seguranças para cima do público. Por sorte, prevendo que poderia cair sobre a grade de separação e se machucar feio, ela deu um salto maior e caiu sobre alguns dos presentes. Foi agarrada novamente pelos seguranças, que a levaram para fora da casa, novamente com truculência.

A atitude revoltou o público que estava logo à frente do palco e todos começaram a xingar os seguranças despreparados, que chegaram a ameaçar retirar um rapaz do local só porque ele também havia ficado indignado com o tratamento dado à garota. Ou seja: você gasta com um ingresso que não é barato, vê uma cena absurda de violência e ainda é obrigado a ficar calado, sob o risco de ser expulso do local em caso de protesto. Até quando, seremos obrigados a aceitar estes desrespeitos ao consumidor?

A banda não chegou a se manifestar em relação à postura dos seguranças. Tentava lidar com os problemas de som, emendando várias músicas que incendiavam a galera presente. Após tocar “Butt Fuck”, “Justice”, “Sin”, ‘Betrayal”, “Price Of Freedom” e ótima “Wake Up”, o grupo teve novos problemas com a guitarra, desta a vez a de Conelly, na música “When Freedom Dies”. Enquanto o rodie arrumava o instrumento, o jeito foi o guitarrista cantar a música sem a guitarra.

Com o problema sanado, foi a vez de Dan Lilker assumir o vocal e tocaram “My America“, “Hang the Pope” e “Lesbians“. Na sequência, já com Conelly de volta aos vocais, a banda emendou “Great Depression” e “Trail of Tears” . O curto show de 1 hora de duração foi fechado com a música “Technology”.

Para o público presente, valeu a pena ver o Nuclear Assault de perto novamente. Fica, no entanto, a grande crítica à organização do show e ao próprio Carioca Club na questão dos seguranças e do som ruim. Com tantos shows de metal que a casa vem recebendo com mais frequência desde o ano passado, já passou da hora de aprender a respeitar os fãs do estilo.

Nós, do Roque Reverso, gostaríamos de trazer apenas boas notícias sobre os shows de rock, mas não podemos fechar os olhos para as coisas erradas que acontecem quando não se dá atenção correta às necessidades do público. Muitos podem criticar e dizer que o importante é ter visto a banda, mas, se não reclamamos das coisas mal feitas, que não são exclusividade do Carioca Club, elas tendem a continuar se manifestando.

Como o assunto aqui é música, descolamos vídeos do show no YouTube. Para começar, fique com as apresentação da música “New Song”, muito bem filmada pelo LbvidzTV. Depois, veja um vídeo com “Critical Mass”, “Game Over” e “Butt Fuck”, com direito ao momento em que a menina foi empurrada pelos seguranças. Para fechar, um vídeo com as músicas “Wake Up” e “When Freedom Dies”. Se quiser assistir ao show na íntegra, poderá ter a oportunidade de curtir neste link, graças ao pessoal da Metal BR, que fez também um belo trabalho de edição e colocou um vídeo no YouTube.

Set list

Rise From The Ashes
Brainwashed
F#
New Song
Critical Mass
Game Over
Butt Fuck
Justice
Sin
Betrayal
Price Of Freedom
Wake Up
When Freedom Dies
My America
Hang The Pope
Lesbians
Great Depression
Trail Of Tears

Technology


2 Responses to “Em show com problemas de som e truculência dos seguranças, Nuclear Assault traz o thrash a SP”


  1. 1 Luiz Hetfield
    3 de setembro de 2011 às 19:49

    Eu tava nesse show e também achei que o Nuclear merecia um local melhor para tocar, não uma casa de pagode que não respeita nós headbangers com esse som lixo
    Fora esses seguraças filho da puta que xingaram e trataram mal a gente
    Tem que boicotar esse lugar Tem tanta casa melhor em SP

  2. 2 Flavio
    7 de setembro de 2011 às 16:46

    Também acho que poderiam descolar uma casa melhor…No Testament (resenha em breve), o local estava entumpido de gente!


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