O Sepultura anunciou nesta sexta-feira, 8 de dezembro, que vai parar. O anúncio oficial, realizado pela banda em entrevista coletiva à imprensa que foi transmitida ao vivo no YouTube para todo o planeta, veio acompanhado da notícia de que o grupo brasileiro vai iniciar uma turnê de despedida no primeiro trimestre de 2024 para celebrar os 40 anos de carreira.

A turnê tem duração prevista de 18 meses e a ideia da banda é tocar em diversos países do mundo.

“O Sepultura vai parar. Vai morrer. Uma morte consciente e planejada”, destacou o grupo em comunicado nas redes sociais. “Será uma celebração do passado e do presente pela última vez”, acrescentaram os músicos.

De acordo com o grupo, a turnê de 40 anos vai ser gravada e vai virar um disco ao vivo de 40 músicas registradas em 40 cidades diferentes.

“Eu não queria ver o Sepultura acabar com uma briga, por exemplo, dentro da banda, ou alguém ir para um rehab de drogas e não conseguir subir no palco para tocar, ou a gente ficar velho demais para curtir”, afirmou o guitarrista Andreas Kisser na entrevista coletiva. “Enfim, eu acho que são novos desafios que a gente vai ter individualmente, mas sempre representando o Sepultura de alguma forma. O Sepultura não vai acabar. A gente vai parar, mas o Sepultura não acaba. Vai estar nos nossos fãs ouvindo nossas músicas e a gente quer celebrar com vocês, com os fãs, essa turnê”, complementou.

A turnê de despedida

A turnê começará no Brasil no dia 1º de março, em show que será realizado em Belo Horizonte no Arena Hall.

“Nós vamos começar onde a gente começou”, disse o baixista Paulo Jr, único remanescente da formação original da banda, criada em 1984, em BH, pelos irmãos Max e Igor Cavalera, que deixaram o Sepultura em 1996 e 2006, respectivamente, mas que continuam atualmente executando sucessos do grupo, tanto em show do Cavalera Conspiracy como em apresentações lotadas que celebram aniversários de álbuns clássicos do Sepultura.

Na sequência do show de Belo Horizonte em março de 2024, o Sepultura tem shows agendados ao longo do mês em Juiz de Fora (2/3, no Estacionamento Cultural), Brasília (9/3, no Arena Lounge), Uberlândia (15/3, no Castelli), Porto Alegre (21/3, no Araújo Vianna), Curitiba (22/3, no Live Curitiba) e Florianópolis (23/3).

Conforme as datas divulgadas nas redes sociais da banda, após o show de Florianópolis no Arena Opus, haverá apresentações pela América Latina em abril e entre o fim de outubro e o fim de novembro na Europa.

Antes, da turnê europeia, o Sepultura tem, no dia 6 de setembro, um show programado para setembro, no dia 6, em São Paulo, no Espaço Unimed.

Os ingressos do Brasil estarão disponíveis a partir de segunda-feira, 11 de dezembro, ao meio-dia no site da Eventim. Os ingressos para a América Latina já estão disponíveis nos respectivos países. Os ingressos da Europa estarão disponíveis a partir da quarta-feira, 13, às 10 horas, pelo horário local, nos respectivos países.

Carreira e legado

Em toda a carreira, o Sepultura gravou 15 álbuns de estúdios, sendo os discos “Arise” (1991), “Chaos A.D.” (1993) e “Roots” (1996), justamente os da fase clássica que contava com Max, Igor, Andreas e Paulo, os mais importantes e de maior sucesso da carreira.

O disco mais recente da banda é o álbum “Quadra”, de 2020. Com Andreas, Paulo e os membros restantes Derrick Green (vocal) e Eloy Casagrande (bateria), o disco recebeu inúmeros elogios da crítica e do público.

O Sepultura é a maior banda de rock da história do Brasil e levou musicalmente o nome do País para o mundo, estando em nível de exposição, entre os símbolos brasileiros, apenas atrás de Pelé, Ayrton Senna, Tom Jobim e a Seleção Brasileira.

É uma das maiores bandas do heavy metal em toda a história e só não superou gigantes do rock pesado, como Metallica, Slayer e Megadeth, porque houve a briga histórica de Max Cavalera e sua esposa Glória com o restante da banda em 1996, resultando na saída do vocalista, mentor e principal compositor do grupo até então.

Com a entrada do ótimo Derrick Green em 1997 nos vocais, o Sepultura gravou bons álbuns, mas nunca mais chegou ao nível da época de ouro da formação clássica.

Ainda assim, pela resistência e manutenção de seu som pesado, o grupo merece reconhecimento e agradecimento dos fãs de heavy metal.

A notícia desta sexta-feira, 8 de dezembro, parece colocar um fim nas esperanças de que a formação clássica, mesmo com todas a desavenças entre Max e Andreas Kisser, voltasse a se reunir.

O Roque Reverso acredita, porém, que, com todas as demonstrações recentes de Max e Igor sobre a história da banda, inclusive com a ótima regravação do EP “Bestial Devastation” e do álbum “Morbid Visions”, que estão entre as melhores coisas feitas no heavy metal em 2023, a história do fim do Sepultura está muito longe de um fim. E que muita coisa ainda deve acontecer apos o anúncio deste 8 de dezembro.

Sepultura anuncia que vai parar após turnê de despedida que começará em 2024