Iron Maiden em show realizado na Arena do Palmeiras – Foto: Flavio Leonel/Roque Reverso

O Iron Maiden encerrou sua passagem por São Paulo na terça-feira, 27 de outubro, com mais um show para ficar marcado na memória dos fãs. Com efeitos visuais ainda mais impactantes do que de costume, a lendária banda britânica de heavy metal lotou pelo segundo dia o Nubank Parque e comemorou os 50 anos de carreira com apresentação grandiosa na capital paulista.

Em pouco mais de 2 horas de show na Arena do Palmeiras, o grupo desfilou clássicos da carreira que são símbolos do heavy metal e também aproveitou a turnê de comemoração de 50 anos para trazer faixas dos primeiros álbuns que nunca haviam sido tocadas em solo nacional, repetindo o mesmo set list da primeira noite na capital paulista, no domingo 25 de outubro.

A passagem do Iron Maiden por São Paulo fez parte da turnê mundial “Run For Your Lives”, que começou em maio de 2025 e vem passando por diversos países desde então. Além dos dois shows da capital paulista, o grupo também escolheu Curitiba para receber o show do dia 28 de outubro.

A turnê marca 50 anos desde que o baixista, Steve Harris, formou a banda no final de 1975 e o repertório abrange nove álbuns de estúdio do Iron Maiden.

Os discos escolhidos vão do primeiro “Iron Maiden”, de 1980, até o “Fear Of The Dark”, de 1992, que foi o último com o vocalista, Bruce Dickinson, antes de sua saída histórica do grupo – ele retornou no disco “Brave New World”, de 2000.

A abertura dos shows no Brasil ficaram por conta da banda britânica Alter Bridge.

Retorno ao local que fechou a turnê anterior e que marcou a despedida de Nicko McBrain

Os shows em São Paulo marcaram o retorno do Iron Maiden ao Brasil ao mesmo local no qual tocou pela última vez no País e quando o grupo encerrou a turnê “Future Past”.

Em dezembro de 2024, a banda fez duas apresentações no então Allianz Parque, a primeira delas com cobertura especial do Roque Reverso e a segunda entrando para a história como a última com o baterista Nicko McBrain tocando ao vivo com a banda – ele se aposentou e foi substituído pelo baterista Simon Dawson, já conhecido por tocar com o baixista Steve Harris no projeto paralelo British Lion.

Os fãs do Iron tiveram neste intervalo alguns aperitivos para apreciar em forma de shows. Em 2025, o vocalista Bruce Dickinson passou pelo Brasil em turnê de sua carreira solo. Foi uma das atrações principais do Dia do Rock do festival The Town, realizando um dos melhores shows do gigantesco evento realizado no Autódromo de Interlagos em São Paulo. No primeiro semestre de 2026, foi a vez do guitarrista Adrian Smith passar pelo Brasil para se apresentar no Bangers Open Air com seu projeto elogiado Smith/Kotzen.

A apresentação de gala de 50 anos do Iron Maiden no Nubank Parque

O Iron Maiden é uma das bandas internacionais com mais quilometragem brasileira entre tantas outras que passaram pelo solo nacional. Desde sua estreia no Brasil no Rock in Rio de 1985, o grupo já ultrapassou a marca de 40 apresentações no País.

Mesmo com essa frequência de respeito, o grupo sempre costuma trazer alguma carta na manga para surpreender os fãs, especialmente no quesitos de efeitos visuais e especiais que sempre foram ponto de destaque na carreira da banda.

Não seria exatamente na comemoração de 50 anos que o grupo decepcionaria um público acostumado com o mais alto nível de performance.

Desta vez, além das músicas dos primeiros álbuns que nunca haviam sido apresentadas em solo brasileiro, o grupo abusou da IA e aproveitou os efeitos visuais no mais alto nível, deixando vários fãs embasbacados.

A quadra de músicas escolhidas para começar o show foi da Era Paul Di’Anno, o que também serviu como homenagem ao vocalista morto em 2024.

“Murders in the Rue Morgue”, com introdução da faixa “The Ides of March”, “Wrathchild”, “Killers” e “Phantom of the Opera” realizaram o sonho de muito fã das antigas. A primeira faixa e “Killers” nunca haviam sido tocadas no Brasil, diferente de “Wrathchild”, executada em diversas passagens da banda pelo País.

Em “Killers”, o mascote Eddie fez sua primeira aparição no palco, bem ao estilo da capa do álbum de mesmo nome de 1980, num visual que ainda não tinha sido usado nos shows anteriores a 2026 no Brasil.

“Phantom of the Opera”, por sua vez, não era inédita em solo nacional, mas não aparecia por aqui desde 2013 na turnê “Maiden England”. Com cenário clássico ao fundo, o grupo mostrou técnica impecável e levantou o público.

Início da Era Bruce, a fase de ouro do Iron Maiden

Com o megaclássico “The Number of the Beast”, a banda iniciou a reprodução da Era Bruce Dickinson na Arena do Palmeiras e trouxe sucessos da fase de ouro do Iron Maiden para uma multidão de cerca de 50 mil pessoas. Tradicionalmente tocada mais ao fim dos shows, foi diferente ver a faixa na primeira metade da apresentação, mas a execução continuou sendo de grande qualidade.

Importante destacar que a expectativa pela performance do baterista Simon Dawson no lugar de Nicko McBrain não resultou em decepção. Ele pode ser discreto e não ter o mesmo carisma do membro anterior, mas foi bastante competente durante o show. Tocou sem maiores contratempos e justamente em “The Number of the Beast” passou sem problemas em partes mais desafiadoras da canção repleta de mudanças de andamento.

Na sequência da apresentação, “Infinite Dreams” foi executada com maestria pela banda, que começou seu show à parte com os cenários ainda mais trabalhados do que os vistos nas canções anteriores. Depois de ficar 38 fora dos palcos a música voltou ao set list da banda nesta turnê de 50 anos e foi um dos pontos altos do show na Arena do Palmeiras.

“Powerslave”, “2 Minutes to Midnight” e “Rime of the Ancient Mariner” vieram em seguida, representando o que, para muito fã do Iron Maiden é o melhor disco da banda.

Enquanto os temas egípcios e os cenários quase estáticos da mais alta qualidade complementaram a qualidade da composição da faixa-título do álbum de 1984, em “Rime of the Ancient Mariner”, a banda optou por efeitos “mais do que especiais” para contar a história da faixa de 13 minutos.

Foi aí que entrou no show o uso de Inteligência Artificial para criar cenas incríveis que deixaram os fãs hipnotizados. Sim, a IA tomou o mundo e é uma realidade, mas, quando é usada por gente criativa, tende a ter efeitos muito mais positivos.

Se o Iron Maiden já nadava de braçada desde os Anos 1980 em seus espetáculos com pitadas teatrais que entraram para a história da música, agora, a banda entrou para padrão “absolute cinema”. O que se viu no telão em “Rime of the Ancient Mariner” foi algo bem acima de toda a apresentação dos britânicos. Algo bem no nível de uma das faixas que sempre está entre as mais aguardadas dos shows.

“Run to the Hills”, “Seventh Son of a Seventh Son” e “The Trooper” mantiveram o show de efeitos no telão e a banda tocando no mais alto nível. Na última das três, Eddie voltou ao palco para o duelo tradicional com o guitarrista Janick Gers. E Bruce Dickinson levantou, além da bandeira britânica, a bandeira brasileira, emocionando a plateia.

Foi então que o Iron Maiden surpreendeu mais uma vez o público com efeitos em um dos seus maiores clássicos. Em “Hallowed Be Thy Name”, o padrão “absolute cinema” voltou a aparecer e altas doses teatrais levaram os fãs a mais um experiência inesquecível.

Numa simulação de cela, Bruce Dickinson cantou boa parte da música entre grades, encarnando o personagem da música que fala sobre um homem condenado à morte que relata seus minutos finais de vida antes do enforcamento. Em dado momento, ele sai da cela para se dirigir a uma espécie de montanha com a forca no topo. Ele tenta fugir de uma simulação de espírito maligno que representa a morte, mas não consegue escapar e acaba possuído e enforcado.

Numa junção de interpretação de Bruce com efeitos especiais incríveis, toda a perseguição, simulação de enforcamento e um mergulho no penhasco levaram o show a um nível poucas vezes visto entre as apresentações de rock no Brasil. Após toda essa simulação, o vocalista, depois de uma explosão, surgiu no palco com a corda da forca na mão, para delírio da plateia.

A primeira parte do show chegou ao fim com a faixa “Iron Maiden”. De maneira diferente das diversas vezes em que a banda se apresentou no Brasil, desta vez, o Eddie gigante que sempre aparece no fundo do palco veio desta vez no telão, também com uso de IA. A despeito da alta resolução capaz de parecer algo bem real, alguns fãs estranharam a ausência do grande boneco de sempre, por mais que a experiência tenha sido impactante.

Na volta para o bis, o Iron Maiden trouxe nada menos que a trinca “Aces High”, “Fear of the Dark” e “Wasted Years”, cada uma com seu apelo e efeito. Se, na primeira, a IA ajudou em efeitos incríveis no telão de uma perseguição aérea do avião de Eddie na Segunda Guerra, na segunda faixa, o tradicional coro gigantesco prevaleceu no Nubank Parque e, na terceira, a catarse tomou conta da arena, com o público cantando a plenos pulmões uma das canções mais conhecidas da banda.

Se chegou aos 50, pode e deve tentar os 60 em diante

Com toda a energia, produção e qualidade apresentada no show de São Paulo, o Iron Maiden provou, mais uma vez, que está muito longe de uma aposentadoria. Com o baixista de 70 anos Steve Harris pulando feito uma criança em várias canções, ficou evidente que a banda tende a se transformar num Rolling Stones do heavy metal, com seus componentes desafiando as idades avançadas e provando que a música e os shows são os combustíveis para a longevidade. Se ultrapassou os 50 anos de carreira, tem condições de tentar os 60 em diante.

Bruce Dickinson tratou de avisar que aquele não seria o último show em São Paulo e que a banda voltaria novamente, para alívio dos fans.

Símbolo eterno do heavy metal, o essencial show do Iron Maiden continua sendo uma experiência que todo o apreciador do estilo musical precisa vivenciar.

Marcas históricas

De acordo com a assessoria de imprensa do Nubank Parque, o Iron Maiden totalizou cinco apresentações na arena do Palmeiras e alcançou a marca de 200 mil pessoas reunidas no espaço ao longo desses shows.

Além da marca de público, o grupo britânico se tornou a segunda banda com mais apresentações no Nubank Parque, ficando atrás apenas do Guns N’ Roses, que realizou um total de 6 shows na nova arena palmeirense.

Se for levado em conta outros nomes ligados ao rock com mais apresentações que as duas bandas, o eterno beatle Paul McCartney, que fez o show de inauguração da arena em 2014, continua sendo o maior recordista, com nada menos que 10 apresentações do Nubank Parque.

Relação com a Arena começou em 2016

A relação entre o Iron Maiden e o Nubank Parque começou em 2016, quando a banda subiu ao palco pela primeira vez no local, durante a “The Book of Souls World Tour”.

Na ocasião, o espetáculo, que contou com cobertura do Roque Reverso, reuniu cerca de 42 mil pessoas.

Banda também tocou no antigo Estádio Palestra Itália

Importante relembrar que o Iron Maiden chegou a se apresentar no antigo e histórico Estádio Palestra Itália antes da transformação em arena.

O grupo tocou pela primeira vez em sua história em São Paulo em 1992 na turnê do álbum “Fear of the Dark”.

A outra apresentação no estádio foi em 2008, quando a banda trouxe a histórica turnê “Somewhere Back in Time”, relembrando os maiores sucessos da carreira em sua época de ouro.

Vídeos do show de 27 de outubro

Para relembrar o grande show do Iron Maiden no dia 27 de outubro no Nubank Parque, o Roque Reverso selecionou vídeos no YouTube, a maioria filmada por este veículo jornalístico.

Confira abaixo.














Set list

Murders in the Rue Morgue
Wrathchild
Killers
Phantom of the Opera
The Number of the Beast
Infinite Dreams
Powerslave
2 Minutes to Midnight
Rime of the Ancient Mariner
Run to the Hills
Seventh Son of a Seventh Son
The Trooper
Hallowed Be Thy Name
Iron Maiden

Aces High
Fear of the Dark
Wasted Years