
No Bangers Open Air que teve como grande destaque o brilho dos vocais femininos e bons shows do Black Label Society e do In Flames no sábado, 25 de abril, além da histórica reunião do Angra no domingo, 26 de abril, outros três shows específicos chamaram a atenção pela qualidade: os da dupla Smith/Kotzen, da banda Winger e do grupo Within Temptation.
Todos os três, escalados para o domingo no festival realizado no Memorial da América Latina, fugiram do óbvio e entregaram ao público presente apresentações dignas e merecedoras de reconhecimento.
Com técnica instrumental no primeiro caso, mais peso do que o esperado no segundo e com uma mesclagem de leveza e impacto sonoro no terceiro, a análise adequada, apesar de natural, é a de que muitas vezes é possível se surpreender em festivais.
Smith/Kotzen esbanja técnica
Quando dois grandes guitarristas se juntam em um projeto, dificilmente coisa boa não vem. E, claro, a dupla Smith/Kotzen, formada por Adrian Smith, do Iron Maiden, e por Richie Kotzen, com passagens por Mr. Big, Poison e The Winery Dogs, trouxe ao Bangers Open Air um show recheado de técnica e improvisos.
Amparado por uma cozinha de respeito, que traz a esposa de Kotzen, a baixista brasileira Julia Lage (Vixen), e o baterista também brasileiro Bruno Valverde (Angra), o projeto Smith Kotzen proporcionou aquele show que o amante da boa música fica em contemplação do início ao fim.
Ora com Smith nos vocais, ora com Kotzen, a apresentação ficou longe de ser algo parado, tedioso ou aquém do que se esperava.
Entre alguns dos destaques do show, vale ressaltar o início com “Life Unchained” e “Black Light”, além da ótima “Taking My Chances” e da não menos elaborada “Got a Hold on Me”.
Para fechar a apresentação, a música escolhida foi nada menos que “Wasted Years”, do Iron Maiden, cuja versão tocada no Bangers Open Air, com Smith nos vocais, mostrou o quanto Bruce Dickinson é um ser diferenciado. Não que tenha ficado ruim, mas com Bruce é algo inigualável.
Winger vai muito além da balada
Quem costuma ouvir o nome Winger, é, mesmo sem querer, remetido à balada “Miles Away”, que é o maior sucesso da banda norte-americana de hard rock.
A canção chegou a ser tema até de comercial de cigarro no Brasil nos Anos 1990 e ficou automaticamente cravada na memória de quem foi exposto à peça publicitária desde então.
Outro detalhe que atrapalhou, e muito, a imagem do Winger foi a ridicularização realizada pela série animada da MTV “Beavis and Butt-head”. Com piadas constantes feitas pelos personagens do desenho, até quem nunca ouvido falar da banda acabava entrando numa onda que prejudicou muito o grupo.
Em 2026, no Banger Open Air, o Winger mostrou que tem conteúdo de qualidade e muito além das baladas.
Depois de abrir com “Stick the Knife In and Twist”, a banda trouxe boas músicas da carreira com aquela pegada hard rock que tem uma legião de fãs pelo planeta.
“Can’t Get Enuff”, “Headed for a Heartbreak” e “Easy Come Easy Go” foram pontos altos do show, que terminou com “Madalaine” e ficou entre os bons momentos do Bangers Open Air.
“Miles Away”, é claro, foi tocada. E foi a música mais cantada do show. Mas o Winger mostrou que pode trazer conteúdo muito além da balada que o consagrou.
Within Temptation traz combinação entre leveza vocal e impacto sonoro
Quem esteve no festival no Memorial da América Latina em 2026 nos dois dias do evento, viu os vocais femininos como grandes destaques. Mas, na maioria das vezes, como algo gutural, por exemplo, com o Jinjer, o Arch Enemy e o Crypta.
No caso da apresentação do grupo holandês Within Temptation, a vocalista Sharon den Adel trouxe uma leveza vocal de alta qualidade que, combinada ao peso e impacto sonoro do restante da banda, foi muito bem recebida não apenas pelos fãs como por quem ainda não conhecia a atração europeia.
Com simpatia ímpar, Sharon den Adel conduziu o público nos diversos momentos do show e o resultado foi uma sintonia das mais empolgantes.
Após iniciar com “We Go to War” e mostrar na sequência “The Howling” pela primeira vez desde 2016 ao vivo, o grupo engatou uma sequência de canções que empolgou a maior parte do público presente.
“Bleed Out” e “In the Middle of the Night” mereceram destaque, assim como “The Heart of Everything”, tocada pela primeira vez ao vivo desde 2019.
As melhores do show na visão deste jornalista foram “Faster”, com uma performance de alto nível da vocalista, e “Ice Queen”, que ficou melhor ao vivo do que a versão original e que fez o coro do público deixar o momento ainda mais interessante.
‘Disneylândia do Heavy Metal’
O Bangers Open Air repetiu em 2026 o cenário que se encaixa como uma luva para os fãs das vertentes mais pesadas do rock. Considerado uma espécie de “Disneylândia do Heavy Metal” no Brasil, o evento se transformou rapidamente no lugar onde todo fã brasileiro e da América do Sul do estilo deseja estar, dada a quantidade de bandas importantes presentes no line-up e as diversas experiências que o festival proporciona.
Tal qual em 2026, o Roque Reverso fez a cobertura especial da edição de 2025 no Memorial da América Latina.
O site esteve presente no dia 2 de maio do ano passado, quando os destaques foram os shows de Glenn Hughes, Doro, Pretty Maids e Armored Saint; no dia 3, quando os shows de Municipal Waste, Saxon, Dark Angel e Sabaton dominaram o evento; e no dia 4, quando os shows de W.A.S.P., Destruction, Paradise Lost e Kerry King foram os de maior impacto.
Vídeos dos shows de Smith/Kotzen, Winger e Within Temptation
O Roque Reverso descolou vídeos das apresentações de Smith/Kotzen, Winger e Within Temptation no Bangers Open Air.
Fique abaixo com os vídeos escolhidos para os amantes do bom e velho rock and roll.

