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‘Heaven and Hell’, 40 anos: como Dio ressuscitou o Black Sabbath

Por Marcelo Moreira, do blog Combate Rock

Um duende aparece na vida da última banda que realmente criou um gênero musical e a transforma por completo, resgatando-a da ruína e do ostracismo. E o anjo do inferno surgiu para o Black Sabbath em Los Angeles para catapultar a banda mais pesada que já existiu a uma nova vida, a um improvável recomeço e a um novo capítulo da história do rock.

“Heaven and Hell”, lançado no dia 25 de abril e que completa 40 anos de existência, não poderia ser um título mais apropriado para o disco do Sabbath em 1980, promovendo a estreia de Ronnie James Dio nos vocais substituindo o instável e insano Ozzy Osbourne.

Apesar do bom começo e das boas maneiras que Dio mostrou nos encontros com Tonny Iommi (guitarra) e Geezer Butler (baixo), havia uma desconfiança: um norte-americano baixinho, descendente de italianos, no meio de delinquentes dos subúrbios ingleses de Birmingham…

Os problemas finais de Ozzy na banda foram muitos, mas ele era um deles, comera o pior da comida amassada pelo diabo junto com eles e entendia o que rolava apenas pelo olhar, para não falar no incompreensível dialeto de Aston West Bromwich.

Mas o que fazer depois da segunda e definitiva demissão de Ozzy? Quem estaria à altura? Não foram poucos os que recomendaram o baixinho que acabara de brigar com Ritchie Blackmore. Fora do Rainbow, Dio estava livre e confiante para voar e brilhar no rock pesado, que era a sua intenção.

As primeiras conversas com Iommi foram promissoras, mas Dio também estava receoso de assumir o posto de Ozzy em uma banda icônica e gigante, por mais que a decadência se avizinhasse.

Quase dez anos mais velho do que Iommi e Butler, Dio estava à beira dos 40 anos de idade e 25 de trajetória, sendo que tinha conhecido o sucesso apenas com o Rainbow. Seria possível conciliar duas culturas díspares – a rudeza e aspereza de Aston, Birmingham, com o submundo das periferias de Nova Jersey?

Nas primeiras sessões de ensaios para ver o que rolava, ainda em 1979, a música “Heaven and Hell” brotou, um começo bastante auspicioso, ainda que o vocalista tivesse de tocar baixo, já que Geezer estava enrolado com seu divórcio na Inglaterra.

Todo mundo estava se dando bem, mas ainda havia muita desconfiança: daria certo um anão de voz poderosa que gostava de cantar sobre contos de fadas cantando na banda que era sinônimo de peso e trevas?

Demorou muito pouco para a resposta viesse, por mais que Butler, reintegrado, quisesse interferir em quase todas as letras do álbum, para ira de Dio.

Era a primeira crise, e Iommi foi diplomático e eficiente ao contorná-la. Era inegável que o material que tinham composto, com a adição de contribuições importantes do baixista, era forte e explosivo, com muito potencial.

Houve uma leve sugestão para que o nome da banda fosse trocado, mas o empresário Don Arden e Iommi ignoraram Dio.

A ideia era que o Black Sabbath abandonasse o hard rock, o jazz e o rock progressivo de “Never Say Die”, de 1978, para voltar ao “rock pauleira”, já conhecido como heavy metal em 1980.

A reinvenção do Black Sabbath foi saudada como um dos eventos musicais mais importantes daquele ano. “Heaven and Hell” surpreendeu porque foi a ressurreição de um moribundo, dado com as cores do morto. Foi impactante e contundente.

A voz de Dio era um colosso. Gigantesca, preenchia todo o espaço e empurrava a banda de uma forma nunca vista, complementando os riffs monstruosos de Iommi.

O material novo era impressionante, de qualidade, e o antigo ganhava novas cores, por mais que Dio não escondesse certo desconforto em cantá-lo, assim como Ian Gillan diria três anos depois, ao substituir o próprio Dio.

Era uma outra banda, revigorada, estridente, poderosa e capaz de se igualar ao trabalho dos dez anos anteriores. “Heaven and Hell”, a música, logo se tornou um hino, com seus mais de sete minutos épicos e o ataque vocal destruidor em toda a música.

Não há uma música ruim no álbum. “Neon Knights” é a abertura dos sonhos de um disco de banda de heavy metal. Rápida, pesada e técnica, é mais um épico da banda, assim como a fantástica “Children of the Sea”, que vem na sequência e que é o mais puro doom metal, com a enganosa introdução “baladeira”.

“Die Young”, uma porrada imensa, certamente seria o grande hit se não fosse a faixa-título. Riffs mortais e vocais cortantes são a característica da canção.

“Lonely s the Word” é a cara de Dio, com sua levada mais hard e com toques épicos. “Lady Evil” segue a mesma toda, um pouco mais acessível, com riffs matadores de baixo e guitarra e um groove vocal estupendo.

“Wishing Well” e “Walk Away”, diante de avassaladora avalanche de hits, acabam meio escondidas, mas se encaixariam bem em qualquer disco de heavy metal daquela década.

Ressuscitado e rejuvenescido, o Black Sabbath estava pronto para reinar novamente, e o fez com competência e muito peso até o final de 1982, mesmo com a saída de Bill Ward (substituído pelo jovem Vinnie Appice, o irmão mão pesada de Carmine Appice, outro baterista estupendo).

“Mob Rules”, o álbum seguinte, não teve a mesma contundência, mas manteve o quarteto em alta e como referência para os iniciantes do thrash metal californiano e para aas bandas consolidadas da já consolidada New Wave of British Heavy Metal, como Saxon, Iron Maiden e Def Leppard.

Os 40 anos de “Heaven and Hell” só reforçam a ideia que como foi impressionante a reinvenção do Black Sabbath com Ronnie James Dio. Não está errado quem considera o álbum como o nascimento do heavy metal verdadeiro dentro do rock.

Para comemorar os 40 anos do álbum, o Roque Reverso descolou vídeos no YouTube. Fique inicialmente com o clipe de “Neon Knights”. Depois, assista aos vídeos ao vivo de “Children of the Sea” e de “Heaven and Hell”. Se quiser ouvir o álbum na íntegra, basta seguir para o último vídeo.


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