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30 anos do álbum ‘Vida Bandida’, que marcou o auge da criatividade de Lobão

"Vida Bandida" - Reprodução da capa“Vida Bandida” completa 30 anos em 2017 na condição de um dos melhores e mais bem sucedidos álbuns da história do rock nacional. No auge de sua criatividade, Lobão proporcionou ao grande público um disco repleto de riffs poderosos, letras cáusticas e músicas que até hoje figuram entre o melhor de sua produção.

Lobão vinha de bons trabalhos nos anos anteriores, tendo lançado o EP “Decadence Avec Elegance” em 1985, ainda com “Os Ronaldos”, e o LP “O Rock Errou”, no ano seguinte, que ultrapassou a marca de 100 mil cópias vendidas.

Enquanto o Lobão PJ despontava para o sucesso na esteira do Rock In Rio, o Lobão Pessoa Física ganhava os holofotes com as polêmicas que arrastariam sua carreira musical para o limbo alguns anos depois.

Em 1986, Lobão foi preso por porte de drogas para consumo pessoal, o “crime” que até hoje superlota o sistema prisional brasileiro, transformando-o nessa bomba-relógio que conhecemos.

Para o LP seguinte, Lobão e a gravadora RCA aproveitaram-se da publicidade em torno da detenção para promover estrondosamente um álbum de autoafirmação, inaugurado por uma faixa-título dotada de guitarras pesadas e de uma crítica social inteligente.

Assim como a faixa “Vida Bandida”, a maior parte das demais músicas do disco é fruto de parceria entre Lobão e o poeta Bernardo Vilhena, responsável pela maioria das letras. O álbum segue com uma evidente mistura de rock pesado e blues, mas sem se fechar para outros estilos.

O Lado A segue com “Da Natureza dos Lobos”, a clássica “Nem Bem Nem Mal”, “Soldier Lips”, com letra em inglês, e fecha com a tranquila “Girassóis da Noite”.

Já o Lado B guarda o hit que levou o álbum a alcançar Disco de Platina. Começa com “Esse Mundo que eu Vivo”, pela pela genial “Vida Louca Vida” e por “Tudo Veludo” até chegar a “Rádio Blá”, aquela do refrão “Blá blá blá… eu te amo”. A música escrachava as rádios comerciais – e foi tocada à exaustão pelas mesmas emissoras, virando até mesmo tema de novela na Rede Globo.

O disco encerra com a sensível e poética “Chorando no Campo” e marca o auge criativo e comercial de Lobão.

Oficialmente, “Vida Bandida” vendeu em torno de 400 mil cópias. Acredita-se, porém, que tenha vendido muito mais. Tanto que Lobão depois encampou uma batalha contra a indústria fonográfica, chamando a atenção para a falta de controle quantitativo sobre a impressão, na época, de LPs e mais tarde de CDs.

Livros e revistas passam pelo mesmo problema. Se alguém disser que vendeu mil ou um milhão, dificilmente será possível saber com certeza por não haver meios eficazes de controle, prejudicando, é claro, a classe artística.

Nos anos seguintes, com “Cuidado!” e “Sob o Sol de Parador”, Lobão promoveu uma série de experimentações musicais bacanas até, mas não conseguiu repetir o êxito comercial de “Vida Bandida”. Depois desta boa sequência de álbuns, ele voltaria a gravar um bom disco de rock somente em 2005, “Canções Dentro da Noite Escura”, mas nada que chegasse perto da fábrica de hits que o artista se transformou na década de 1980.

Ao mesmo tempo, além da batalha com a indústria fonográfica, em 1989, ele aproveitou o microfone da Rede Globo para pedir voto para Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais daquele ano. A ousadia o transformou em um pária para a mídia conservadora, que o relegou ao ostracismo por bastante tempo.

Os anos passaram e as posições políticas de Lobão migraram da extrema-esquerda para a extrema-direita. A mídia conservadora até tentou reabilitá-lo depois dessa endireitada, em especial o Grupo Abril, mas não rolou. O Lobão de hoje não passa de um articulista panfletário de uma revista mitômana, mas o do passado entregou um dos melhores álbuns de hard rock já produzidos no Brasil.

Para relembrar alguns dos sucessos do álbum “Vida Bandida”, o Roque Reverso descolou clipes da época no YouTube. Fique inicialmente com “Rádio Blá”. Depois veja um raridade co Lobão cantando “Vida Louca Vida” no programa “Cassino do Chacrinha”, da Rede Globo, nos Anos 80. Para fechar, veja os clipes de “Chorando no Campo” e “Vida Bandida”.

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2 Responses to “30 anos do álbum ‘Vida Bandida’, que marcou o auge da criatividade de Lobão”


  1. 28 de fevereiro de 2017 às 09:58

    O álbum realmente merecia um registro, apesar da fase atual do cantor.

  2. 2 Ricardo Gozzi
    28 de fevereiro de 2017 às 10:10

    Esse playback no Cassino do Chacrinha é impagável…


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