Para muitos, a versão de 2011 do Rock in Rio começou no dia 25 de setembro e terminou na madrugada do dia 26. A Noite do Metal finalmente trouxe shows memoráveis num único dia, honrando o nome do festival com aquilo que mais gostamos de ver: rock no seu estado mais pesado.

No Palco Principal, o público pode assistir a uma grata surpresa, o Coheed and Cambria; a mais um grande show do bom e velho Motörhead; a uma apresentação brutal, insana e perturbadora do Slipknot; e a um show simplesmente histórico do Metallica.

No palco Sunset, Sepultura, Korzus e Angra também fizeram boas apresentações com os convidados especiais e jams bem montadas.

Bastante criticada por causa de um número grande de atrações que não pertencem ao rock, a edição de 2011 do festival realmente está um pouco atrás das três anteriores, quando o assunto é line-up. Mas, depois das duas primeiras noites ficarem sem um show de grande impacto, a do dia 25 trouxe a magia que faltava para que o evento ficasse na memória dos brasileiros e gerou uma repercussão enorme em redes sociais e rodinhas de conversa diversas, como há muito tempo não se via em relação a um festival de rock no Brasil.

O fato de a Rede Globo ter passado uma parte importante dos shows da noite ao vivo também foi decisivo para esta repercussão. Mesmo com seu criticado histórico monopólio sobre atrações musicais e esportivas, não há como negar o poder de alcance da emissora de TV aberta. Pode ser estranho em tempos de YouTube, mas muitas pessoas tiveram só anteontem a oportunidade de conhecer realmente ao vivo pela televisão o poder sonoro de um Metallica e o alto grau de hipnose do Slipknot.

Em tempos de predominância de pop sertanejo, axé, pagode de corno e rock sem sal fru-fru nas diversas transmissões da emissora carioca, o espetáculo rockeiro visto no domingo serviu para dar uma chacoalhada no cenário sem graça que montaram para a música na TV na última década. Mesmo com alguns deslizes da Globo, como informações erradas sobre a história das bandas (dizer que era a primeira vez do Motörhead no Brasil foi inacreditável!) e o corte do bis do show do Metallica (como conseguem fazer isso?), o rock voltou a ser assunto na segunda-feira, até ofuscando um pouco as tradicionais conversas sobre futebol no pós-domingo.

“Que showzaço do Metallica!”

“Aqueles mascarados arrebentaram!”

“O que foi aquela rodinha de mosh insana do Slipknot?”

“Como o cara do Metallica tira aquele som do baixo parecendo uma guitarra?”

“E aquela bateria subindo e girando no show do Slipknot?”

Essas foram só algumas das frases ouvidas pelo editor deste blog nesta terça-feira aqui em São Paulo, logo após o retorno da saga que foi a viagem ao Rio de Janeiro. Conforme o prometido, o Roque Reverso esteve presente na Cidade do Rock, sentiu de perto toda a emoção da noite do dia 25 e jamais vai esquecer tudo aquilo.

Num resumo de opinião básico sobre o palco principal: a banda de hadcore melódico Glória entrou numa fria, mas conseguiu até enfrentar com dignidade uma plateia de 100 mil pessoas; o Coheed and Cambria, como já foi dito, surpreendeu pela qualidade musical e também por não se intimidar com o tamanho do público; o Motörhead fez sua básica demonstração do que é o velho e bom rock pesado; o Slipknot fez uma apresentação avassaladora e apoteótica; e o Metallica mostrou o motivo de ser a maior banda de metal da atualidade.

Foi muito importante a Globo ter retratado esses momentos. Muito moleque adolescente que nunca tinha tido a oportunidade de ver uma apresentação ao vivo pela TV pode ter tido a necessidade de conhecer mais as bandas e mais detalhes do metal a partir de agora. Isso traz uma esperança até para que o rock nacional, tão fraquinho atualmente, possa sofrer uma injeção de ânimo e criatividade. Isso foi visto, por exemplo, após as edições do Rock in Rio de 1985 e 1991. Não custa sonhar com a repetição deste cenário agora.

Este jornalista chegou ao evento do domingo às 5 da tarde, depois de mais de 5 horas de viagem de ônibus e mais um trecho de translado até a Cidade do Rock. Usou o tempo que faltava para o começo dos shows do palco principal para conhecer a estrutura do evento, enquanto os telões espalhados por todos os cantos mostravam as boas apresentações do Palco Sunset. Ficou impressionado com as enormes filas para comprar comida e bebida, gostou bastante da Rock Street e achou legal a ideia de incluir no evento brinquedos, como a montanha russa e a roda gigante, todos com filas imensas também.

Quanto ao público do evento, havia gente de todas as idades, mas claramente havia um predomínio de verdadeiros amantes do rock pesado e menos gente que estava ali pela grandiosidade do evento. Como já era esperado, foi impressionante a presença de gente de São Paulo no festival. Merece também grande destaque a verdadeira invasão do povo de Minas Gerais, que se destacava entre os demais sotaques presentes do Brasil e da América do Sul no evento. Às vezes, nem parecia que estávamos no Rio de Janeiro, já que a quantidade de paulistas e mineiros realmente era marcante.

Após o fim do show do Glória, como a grande maioria dos presentes, o editor deste blog se dirigiu ao Palco Principal para ver os quatro shows restantes, sempre com a intenção de chegar o mais perto possível do Metallica. Conquistou território aos poucos entre os shows do Coheed and Cambria e do Motörhead; tratou de tentar sobreviver à loucura que foi a apresentação do Slipknot, enfrentando ondas de empurra-empurra que chegaram a assustar este veterano de shows; e finalmente conseguiu um sensacional local para ver o Metallica, que preparou um set list impecável.

Nos próximos dias, enquanto o editor se recupera fisicamente dos shows e da cansativa viagem de volta, o blog trará as resenhas detalhadas dos shows, com vídeos, fotos, set list e tudo que os leitores estão acostumados a ver neste espaço. Fica a torcida para que, nos próximos dias do Rock in Rio, o espírito roqueiro da noite do metal prevaleça e continue dando sentido ao grande festival.