
O primeiro fim de semana do Rock in Rio 2026 foi o que concentrou as atrações do rock e nomes com proximidade ao gênero musical. Entre a sexta-feira, 4 de setembro, e a segunda-feira, 7 de setembro, o rock foi melhor representado, como se esperava, pelo Foo Fighters, headliner, do primeiro dia, teve bons momentos no sábado, 5, no dia reservado ao heavy metal e vertentes próximas, resistiu ao pop, no domingo, 6, com boa apresentação do grupo veterano brasileiro Barão Vermelho, e apareceu em vários momentos daquele que já se transformou rapidamente no maior momento do festival, o show do lendário Elton John.
Durante o fim semana prolongado pelo feriado de 7 de setembro, também chamaram a atenção, apresentações com qualidade musical acima da média, como do Nova Twins, do The Hives, do Sepultura (veja texto especial aqui) e do Bad Omens; com energia, como do Rise Against; e com grandes efeitos de telão aliados ao peso da música, como do Bring Me The Horizon, da cantora Poppy e do Avenged Sevenfold.
Entre as atrações brasileiras além do grande Sepultura, também mereceu destaque a boa apresentação do necessário Black Pantera e da ótima Nervosa (hoje uma banda com componentes de diversas nacionalidades) e o show do Capital Inicial convidando o guitarrista Dado Villa-Lobos, eterno membro da Legião Urbana.
Foo Fighters
Figura já carimbada de grandes festivais no Brasil, o Foo Fighters não trouxe grandes surpresas de performance na sexta-feira, mas manteve a tradição de boas apresentações no Rock in Rio.
Na sua terceira vez no festival e na primeira vez sem o saudoso baterista Taylor Hawkins, o grupo liderado pelo vocalista e guitarrista Dave Grohl, mais uma vez, mostrou porque o rock não pode ser esquecido num festival que vem nas edições mais recentes tirando o espaço para o estilo.
Não ficaram de fora do set list, grandes hits, como “All My Life”, a primeira da noite, além de “The Pretender”, “Times Like These”, “My Hero”, “Learn to Fly”, “Walk”, “Breakout”, “Best of You” e “Everlong”.
Os fãs brasileiros, no entanto, foram presentados com “Marigold”, que chegou a ser gravada pelo Nirvana e pelo projeto Late!, de Dave Grohl, e também ganharam um bônus que não estava no set list quando o grupo tocou “Exhausted”, pedida por um fã e que foi executada pela primeira vez no Brasil.
Elton John
Falar de Elton John e sua gigantesca importância na música pode ser um clichê, mas, em tempos de franca qualidade questionável em vários gêneros neste Século XXI, nunca é demais destacar o legado do cantor britânico, ainda mais quando ele faz, de fato, uma apresentação de gala em solo brasileiro.
Foi justamente isso que aconteceu no Rock in Rio 2026, em apresentação especial para o público brasileiro na segunda-feira, em um momento que representou uma interrupção na aposentadoria do cantor de 79 anos.
Em uma apresentação que já entrou para a lista das maiores da história do festival brasileiro, Elton John entregou exatamente tudo que se esperava de uma estrela do seu alto calibre.
Resgatando um arsenal de hits que entraram para a história da música, o cantor britânico e sua ótima banda navegaram por linha do tempo que se confunde com a própria história da música pop.
Quem ousa dizer que Elton John não toca rock já teve o início do show como amostra de que essa avaliação não procede. Com a dobradinha “Funeral for a Friend/Love Lies Bleeding”, o Rock in Rio presenciou uma verdadeira aula musical, com muito rock and roll e uma qualidade dos músicos com décadas de entrosamento.
“Bennie and the Jets”, “Tiny Dancer”, “Rocket Man (I Think It’s Going to Be a Long, Long Time)”, “Goodbye Yellow Brick Road” e “Saturday Night’s Alright for Fighting” foram alguns dos clássicos que vieram na sequência e que deixaram a plateia hipnotizada e emocionada em diversas oportunidades no decorrer do show.
No BIS, as duas últimas foram nada menos que “Skyline Pigeon”, sucesso aqui no Brasil e que não era tocada ao vivo desde 2019, e Your Song.
Ao fim do show, que teve transmissão em TV aberta, a certeza, com repercussão nacional e internacional, de que houve uma daquelas apresentações que entraram para a história do Rock in Rio.
Barão Vermelho
Veterano e oferecendo ao público do Rock in Rio no domingo a turnê de reencontro de uma de suas formações clássicas, o Barão Vermelho matou a saudade dos fãs que ainda não haviam visto ao vivo neste ano o retorno de Frejat aos vocais.
Uma das mais importantes bandas da história do rock nacional, o Barão é a cara do festival fluminense desde 1985 e a escolha foi importante, a despeito de ter sido feita para um dia com pouco rock.
Com o baixista Dé, também há muito tempo longe da banda, e com os integrantes veteranos atuais, o baterista Guto Goff, e o tecladista Maurício Barros, o Barão desfilou clássicos da carreira, com um repertório em linha com o apresentado, por exemplo, no grande show da turnê realizado em São Paulo em maio na Arena do Palmeiras.
Num set list mais enxuto para se adaptar ao horário menor de apresentação do festival, não ficaram de fora hits nacionais, como “Maior abandonado”, “Pense e dance”,”Bete Balanço”, “Por que a gente é assim?” e “Pro dia nascer feliz”.
The Hives, Rise Against e Nova Twins
Na sexta-feira, a primeira noite do festival ainda trouxe, além do Foo Fighters, um Palco Mundo com The Hives, Rise Against e Nova Twins. Enquanto as duas primeiras atrações já eram bem conhecidas dos brasileiros e, mais uma vez, compareceram com shows competentes e elogiados por público e crítica, a dupla Nova Twins fez sua estreia no Rock in Rio.
Com Amy Love nos vocais e guitarra e Georgia South no baixo e backing vocal, a dupla britânica chamou a atenção com seu rock com roupagem moderna e envolvente.
Trazendo inúmeros elementos de diversas vertentes não apenas do rock, mas de outros gêneros musicais, o inclassificável e bom som do Nova Twins merecia um público mais numeroso do que o observado no Rock in Rio.
Enquanto a dupla desfilava bons sons, como “Antagonist”, “Cleopatra”, “Piranha”, “Monsters” e “Glory”, vários espaços gigantescamente vazios puderam ser observados na Pista, um pecado para um dos melhores shows do festival de 2026.
Bring Me The Horizon, Poppy, Bad Omens e Avenged Sevenfold
O sábado mais voltado ao heavy metal e vertentes teve uma variedade grande para o público desfrutar. Para muitos, o Rock in Rio acertou em trazer atrações do gênero mais novas do que de costume.
Não exatamente uma banda novata, o Bring Me The Horizon foi, de longe, a que aproveitou melhor o novo Palco Mundo do Rock in Rio. Com efeitos absurdos, mesmo quem não era fã do grupo não passou ileso a performances como a vista na música “Kool-Aid”, que fez o palco parecer coisa no estilo Tomorrowland, tamanho o visual proporcionado ao público.
No dia seguinte, porém, todo o impacto visual chegou a ser questionado com vídeos na internet que sugeriram momentos de playback neste show. A despeito desta dúvida levantada, a apresentação gerou impacto importante para o público do rock, num momento de perda crescente de espaço do gênero, especialmente no festival da capital fluminense.
A cantora Poppy também trouxe um show que entrou para a lista de mais comentados do festival. Com a técnica que vem crescendo no heavy metal moderno de mesclar vocais limpos com vocais guturais, ela conquistou novas levas de fãs e agradou quem foi assistir ao show no Rock in Rio.
Com grande expectativa, o Bad Omens foi o headliner do Palco Sunset no sábado e também não decepcionou. Destaque para o vocalista Noah Sebastian, que mostrou toda a sua técnica em diversos momentos da apresentação.
Headliner do Palco Mundo, o Avenged Sevenfold se apresentou pela terceira vez no Rock in Rio, a segunda como atração principal. A legião que foi ver a banda saiu satisfeita e presenciou músicas, como os hits “Nightmare” e “Hail to the King”, talvez, os dois sucessos mais conhecidos do grupo por quem não exatamente fã da banda.
Black Pantera, Nervosa, Capital Inicial e Dado Villa-Lobos
Dois shows distintos de atrações nacionais de vertentes diferentes do rock também geraram boa repercussão.
Figura já carimbada dos festivais de rock mais recentes pelo Brasil, o Black Pantera se juntou ao grupo Nervosa no sábado no Palco Sunset. Aproveitando o lançamento do seu álbum mais recente, “Continental”, a banda mineira passou mais uma vez o recado contra o racismo e, claro, incomodou adivinha quem? Todo aquela parcela do rock que insiste em pensar erroneamente que o estilo não pode ter mensagens políticas ou de protesto, como se a vida inteira tivessem prestado a atenção apenas na melodia, e não nas letras.
Destaque, claro, para a sempre ótima “Fogo nos Racistas”, cuja mensagem de protesto abrangeu também fascistas, nazistas e machistas. Na internet, reações exageradas negativas de uma parcela do público mostrou que o recado do Black Pantera foi alcançado com êxito.
Também com álbum lançado em 2026, o elogiado “Slave Machine”, a banda Nervosa trouxe a junção de integrantes de várias nacionalidades com um thrash metal de respeito. Capitaneado pela vocalista e guitarrista brasileira, Prika Amaral, e trazendo como um grande destaque a guitarrista grega Helena Kotina, o grupo mostrou o motivo de ser respeitado na cena internacional e o porquê de estar presente em vários festivais importantes do heavy metal.
Outra atração carimbada do Rock in Rio e de vários outros festivais nacionais há décadas, o veterano Capital Inicial se apresentou na primeira noite do festival e trouxe os seus inúmeros hits, desta vez com a companhia de Dado Villa-Lobos.
Além dos hits de sempre, como “Independência” e “Veraneio Vascaína”, foi interessante resgatar, com Dado, clássicos da Legião Urbana, como “Será” e “Geração Coca-Cola”, que se juntaram “Que país é esse?”, já tradicional no set list do Capital e que serviu para um protesto da banda quanto à atual situação do País, com denúncias envolvendo os Poderes da República.
O Roque Reverso não acompanha presencialmente uma edição do Rock in Rio desde 2015, mas nunca deixa de trazer pelo menos um resumo do festival, dada a sua inegável importância histórica. Enquanto existir uma única pessoa que possa ser resgatada pelo rock, mesmo que pela TV, sempre valerá a pena retratar, mesmo que de longe, eventos como esse.
Para relembrar alguns bons momentos do rock no Rock in Rio, o Roque Reverso descolou vídeos no Youtube.

