Derrick Green, durante show do Sepultura no Rock in Rio 2026 – Foto: Reprodução de vídeo no YouTube

A despedida do Sepultura segue em curso e, no Rock in Rio 2026, a banda trouxe seu último show da história do festival com muito peso e competência. No sábado, 5 de setembro, reservado ao heavy metal e suas vertentes (algumas nem tanto), o grupo brasileiro que é orgulho nacional presenteou os fãs com uma apresentação que trouxe apenas músicas da fase com o vocalista Derrick Green, que entrou no Sepultura em 1997, após a briga histórica que gerou a saída do vocalista e fundador, Max Cavalera, em 1996.

A despeito de alguns narizes torcidos dos fãs mais antigos pela falta dos maiores clássicos da longa carreira da banda, Andreas Kisser na guitarra, Paulo Jr. no baixo, Derrick Green nos vocais e Greyson Nekrutman na bateria entregaram, mais do que tudo, um show digno, superando o desafio que eles mesmos criaram com a escolha do set list exclusivo para o Rock in Rio.

Alguns dos maiores sucessos da fase Derrick Green estiveram presentes, desde músicas do primeiro álbum com ele, “Against”, de 1998, até o mais recente, “Quadra”, de 2020, além de faixas do EP “The Cloud of Unknowing”, de 2026.

E foi justamente com a mesclagem do primeiro álbum com o vocalista e o trabalho mais recente que o show começou, com uma trinca contando com “Against”, “Choke” e “All Souls Rising”.

Os mais novos podem até pensar (e o mais velhos podem até ter esquecido), mas, quando “Choke” foi lançada como a primeira música de trabalho com Derrick Green, o impacto foi grande e ela já entrou na lista de mais apreciadas de muitos fãs.

Era um desafio brutal reerguer o Sepultura sem Max Cavalera, mas a banda, ainda com Igor, além de Paulo e Andreas, seguiu firme e bateu o pé pela sua existência, para alívio dos fãs na época.

Com Derrick trazendo um estilo diferente de Max, mas muita energia, o Sepultura seguiu por décadas lançando muito material de qualidade.

As três faixas seguintes do show (“Kairos”, “Means to an End” e “The Place”) comprovam exatamente isso, sendo diferentes cada uma da outra, mas trazendo a essência do Sepultura da Era Derrick Green.

Vale destacar, e muito, a presença do atual baterista Greyson Nekrutman, mais um gigante que a banda encontrou para ocupar um posto sempre de grande responsabilidade.

Do eterno mestre Igor Cavalera até o monstro Eloy Casagrande, a bateria do Sepultura sempre foi meio que o coração da banda e contou sempre também com muito talento e peso.

Com o norte-americano Greyson Nekrutman, a tradição está mantida, pois o músico parece uma verdadeira máquina. E ainda tira algumas levadas pesadas como se fosse a coisa mais simples do mundo, sendo um elemento fundamental para elevar a qualidade da apresentação.

O show ainda continuou com muita coisa muito boa, como “Phantom Self” e “Convicted in Life”, esta última famosa por um clipe forte que chegou a chocar os mais sensíveis na época do lançamento, mas com um peso maravilhoso pra quem gosta de Sepultura.

“Mind War” e “Corrupted”, do ótimo, mas subestimado por muitos, álbum “Roorback”, fizeram lembrar o quanto o Sepultura já trouxe de trabalho de qualidade. Para ficar perfeito, ficou faltando apenas incluir para uma eventual trinca a ótima “Apes of God”.

Em “Corrupted”, Andreas Kisser pediu uma roda gigante de mosh e o público atendeu com várias rodas imensas que empolgaram o mais frio dos fãs, graças também a execução primorosa da banda.

A lenta “Beyond the Dream” trouxe o lado mais introspectivo de Derrick Green, com a interpretação de uma faixa mais lenta do que o normal da carreira do Sepultura, mas que deveria ser mais explorado pelo grupo.

“Sepulnation” fechou a apresentação e o gosto de “quero mais” ficou entre os fãs, num set list bom, mas que até poderia ser maior, dada a importância daquele momento.

O Sepultura ainda tem pela frente no Brasil o show final de despedida previsto para São Paulo em novembro.

A apresentação no Rock in Rio foi a despedida para o festival, que sempre honrou a história da banda que mais representou o Brasil em todo o planeta.

Dois erros gigantescos, infelizmente, marcam a história do Sepultura. O primeiro e mais traumático foi a separação de 1996. O segundo é este fim precoce previsto para 2026, já que os fãs nunca quiseram o fim da banda.

Neste intervalo, o maior acerto foi a escolha de Derrick Green, que proporcionou a existência do grupo por mais três décadas.

A homenagem no Rock in Rio foi, portanto, mais do que justa e merecida para este vocalista importante demais para a história da banda.

O Roque Reverso costuma trazer vídeos dos shows junto com as resenhas, mas como acompanhou o show pela TV e a oferta de vídeos no YouTube ficou bem pequena, restaram apenas filmagens no estilo Shorts, com apenas trechos das músicas.

A depender das filmagens que forem sendo inseridas no YouTube, elas serão aproveitadas aqui.

Set list

Against
Choke
All Souls Rising
Kairos
Means to an End
The Place
Phantom Self
Convicted in Life
Sacred Books
Mind War
Corrupted
Beyond the Dream
Sepulnation