
Por Mauricio Gaia, do blog Combate Rock
Uma das bandas mais celebradas no País nos últimos anos, a Black Pantera traz mais um álbum que não decepciona. Reunindo peso e discurso político afiado, os mineiros de Uberaba fazem de “Continental” uma radiografia precisa de um Brasil e de um mundo que acompanha uma crise econômica e social que parece estar levando o mundo que surgiu no século XX ao colapso.
O sucessor de “Perpétuo” (2024) incorpora elementos de percussão afro-brasileira em canções como “Quando Canto”, com participação de Sandra Sá, e “Banzo”, que conta com a presença de Chico César.
Também em canções como “Hórus” há a presença sutil de teclados, que se soma a elementos de metal moderno.
As participações especiais – ou “feats”, como dizem os jovens – também são destaque no álbum. Além das presenças de Sandra Sá e Chico César, “Continental” também traz as presenças da rapper Duquesa, em “Seratonina” e Derrick Green em “Obsoleto”.
Na faixa título, há uma fala incidental do geógrafo e pensador brasileiro Milton Santos. Ali, ele questiona a capacidade dos países do Norte Global em trazer soluções para o futuro. “Eles não são o mundo”, cantam os Black Pantera no refrão da música.
Se em “Perpétuo”, a quase balada “Tradução” conseguiu furar a bolha do underground e virar um hit radiofônico nas rádios rock do país, desta vez, as candidatas são “Hórus” – segundo single do álbum – e a própria “Banzo”.
Embora as canções não sejam propriamente baladas, a produção caprichada parece ter sido feita sob medida para entrar no dial.
Mas isso não significa que o discurso seja apaziguador – sobram porradas nos racistas, nos falsos progressistas, naqueles que se dizem aliados mas preferem manter seus privilégios (como em “W.P.P”), nos donos do poder.
Contundente no discurso, às vezes mais suave no som, o Black Pantera continua avassalador e fez de “Continental” um álbum coerente com sua trajetória e, com certeza, figurará nas listas de melhores do ano.
Black Pantera se consolida como a banda mais relevante da atualidade com ‘Perpétuo’

