
Por Marcelo Moreira, do blog Combate Rock
Mudar é necessário para seguir em frente e fazer coisas diferentes. Foi assim que o cantor inglês Ian Gillan definiu a sua carreira quando do lançamento de seu álbum solo “Gillan’s Inn”, em 2006. Nunca teve medo de mudar e encarar coisas novas, ainda que arriscadas e nem sempre bem-sucedidas.
O vocalista do Deep Purple nos ensina que é preciso coragem para mudar o tempo todo para continuar vivo e relevante. É disso que se trata a caixa “Gillan 1978-1982”. Ali, Gillan mudou muito, e se tornou ainda mais eterno.
A caixa de sete CDs na versão física reúne todos os álbuns da quarta fase de sua vida profissional. É quase um renascimento – mais um – depois de seu retorno nem tão triunfal à música em 1976.
“Preciso voltar ao terreno conhecido onde cheguei no topo”, comentou quando do lançamento do álbum “Magic”, lá do começo dos anos 80 do Século XX. E foi assim que ele tocou a vida.
Uma das maiores vozes de todos os tempos, ganhou notoriedade na banda psicodélica Episode Six em 1965. Quatro anos depois, chegou ao Deep Purple para fazer hard rock e virar estrela mundial. Mais quatro anos e cansou de ser artista e largou a música para investir na indústria naval e no setor de hotéis.
Não de muito certo e a música o salvou (ainda bem) em 1976. Com a Ian Gillan Band, teve talvez a fase mais criativa em sua carreira. Era um rock mais sofisticado, que mistura jazz e rock progressivo, com letras e temas reflexivos e sarcásticos.
Era ótimo, mas não dava o retorno financeiro e de audiência esperado. A banda durou dois anos e acabou para dar lugar a outro grupo, Gillan, que era uma volta ao hard rock que o consagrou. Foram sete álbuns que recolocaram o cantor no topo do rock pesado.
Foram sete álbuns até 1982, quando teve de fazer uma cirurgia nas cordas vocais e parar por tempo indeterminado. Era o fim do Gillan – e a mudança foi radical, já que no final de 1983 entrou para o Black Sabbath no lugar de Ronnie James Dio.
“Gillan 1978-1982” é uma caixa com sete CDs que é uma uma coleção abrangente do trabalho da banda durante os anos de 1978 a 1982, quando eles ascenderam à proeminência na cena da Nova Onda do Heavy Metal Britânico (NWOBHM).
O conjunto inclui sete álbuns dessa época, apresentando gravações de estúdio, um álbum ao vivo e uma riqueza de lados B e material bônus.
Os álbuns apresentados neste conjunto são os seguintes:
– “Gillan (The Japanese Album)” – Lançado originalmente em setembro de 1978, este foi o álbum de estreia da banda formada por Ian Gillan após deixar a Ian Gillan Band. Ele marcou uma mudança do jazz fusion para um som de rock mais pesado.
– “Mr. Universe” – Lançado em 1979, este foi um álbum fundamental que solidificou seu sucesso, apresentando uma mistura de hard rock e influências da NWOBHM.
– “Glory Road” – Lançado em 1980, este álbum é considerado o auge do sucesso da banda, tanto comercial quanto musicalmente.
– “Future Shock” – Lançado em 1981, este álbum deu continuidade ao sucesso da banda, mas o guitarrista Bernie Tormé saiu pouco depois.
– “Double Trouble” – Um álbum duplo de 1981 que combinou faixas de estúdio e performances ao vivo e marcou a estreia de Janick Gers como guitarrista.
– “Magic” – Lançado em 1982, este foi o último álbum de estúdio da banda antes de sua dissolução após a última apresentação na Wembley Arena em dezembro de 1982.
– “Double Trouble Live (1980-1981)” – Uma coletânea ao vivo que captura as poderosas performances da banda no Reading Festival de 1981, Rainbow Theatre de 1981 e Reading Festival de 1980.
A coleção inclui uma nova entrevista com Ian Gillan conduzida por Rich Davenport, proporcionando insights mais profundos sobre a história da banda e os álbuns.
O áudio foi remasterizado a partir das fitas originais sempre que possível, garantindo som de alta qualidade.
A embalagem foi projetada no formato 7″ x 7″, com livreto de 32 páginas, oferecendo uma apresentação visual única para colecionadores.
Depois da banda Gillan, o cantor ficou um ano e meio no Black Sabbath para empreender mais uma mudança radical em 1984 – a volta da formação clássica do Deep Purple, a chamada Mark II.
Ian Gillan fica cinco anos, saiu em 1989 para a carreira solo com mais dois álbuns até que retorna ao Deep Purple em 1993. Está na banda até hoje.
Caixa resgata os álbuns da fase mais pesada da carreira solo de Ian Gillan

