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Pioneiro e colecionador de recordes, ‘Brothers in Arms’, obra-prima do Dire Straits, completa 35 anos

Por Rafael Franco*

Quinto álbum de estúdio do Dire Straits, o lendário “Brothers in Arms” completa 35 anos do seu lançamento nesta quarta-feira, 13 de maio de 2020. Com mais de 30 milhões de cópias vendidas ao redor do mundo, o disco é considerado um marco histórico do rock e colecionou diversos prêmios e recordes.

Um dos primeiros gravados com mixagem e masterização totalmente digitais, o clássico passou por este processo entre outubro de 1984 e fevereiro de 1985, no Air Studios, na ilha de Montserrat, e trouxe este pioneirismo tecnológico graças em muito ao perfeccionismo de Mark Knopfler, genial guitarrista e também vocalista principal da tradicional banda britânica.

Ele também foi, ao lado do engenheiro de som norte-americano Neil Dorfsman, o produtor do álbum.

O escocês de 70 anos – e 35 na ocasião -, por sinal, é o autor único de todas as nove faixas do disco, exceto “Money for Nothing”, que também é creditada em parceria com o astro Sting, convidado para cantar como backing vocal.

O videoclipe icônico desta música é um dos mais exibidos da história da MTV e também ficou famoso pelos efeitos de computação gráfica até então inéditos para a época.

Lançado no Reino Unido pela gravadora Vertigo Records e pela Warner Bros. Records nos Estados Unidos, o “Brothers in Arms” soube aproveitar a MTV, por sinal, para se tornar um marco da indústria fonográfica.

Em um tempo no qual ainda nem sequer se sonhava com a agilidade e a interatividade que a internet proporciona hoje, o então jovem canal de música popularizou o disco com clipes que ajudaram a tornar ótimas canções como “So Far Away”, “Walk Of Life”, “Your Latest Trick”, “Brothers In Arms” e a própria “Money For Nothing” em sucessos mundiais estrondosos.

Primeiro a alcançar marca de 1 milhão de CDs vendidos

A tecnologia inovadora, por sinal, andou de mãos dadas com o Dire Straits neste álbum por diversos motivos. Com gravação digital completa (DDD), coisa rara para a época, o disco se tornou o primeiro da história a vender um milhão de cópias no formato de CD e também carregou o honroso status de ser o primeiro a ser mais comercializado neste tipo de mídia do que em sua versão em LP, mídia então dominante no mercado.

Condecorado com dois prêmios Grammy concedidos em 1986 e ainda ganhador de um terceiro troféu da honraria mais importante da música 20 anos depois, o “Brothers in Arms” é o oitavo álbum mais vendido do Reino Unido em todos os tempos e um dos 30 com mais cópias comercializadas na história, sendo considerado uma das grandes obras-primas do rock.

Impulsionado principalmente pelos inspiradíssimos riffs e arranjos de guitarra de Knopfler, jornalista formado que largou a profissão para se tornar um astro da música, o álbum também mistura, com extrema competência, vários estilos musicais. Uma marca registrada da banda desde o primeiro trabalho do grupo, de 1978, quando trouxe o superclássico “Sultans of Swing”. Com sonoridade sofisticada, o “Brothers in Arms” tem pitadas de blues, country, pop, rock, rockabilly e jazz.

Hits clássicos

Um dos riffs de guitarra mais famosos da história do rock está presente em “Money For Nothing”, segundo single do disco, já a partir do seu início. E a canção é marcada por uma grande evidência à MTV, citada já a partir do início, na voz de Sting na introdução da música com o verso “I Want My MTV” e depois com Knopfler cantando “You Play The Guitar on the MTV” por mais de uma vez no hit.

O videoclipe de “Money For Nothing”, por sua vez, é um dos primeiros a usar animação gerada por computador. Principal sucesso do disco, que também é a faixa-título de uma coletânea que o Dire Straits lançaria em 1988, esta música acabou sendo inspirada por uma conversa que Knopfler e o baixista John Illsley presenciaram de perto em uma loja de eletrodomésticos em Nova York.

Na ocasião, os dois acompanhavam o canal MTV sintonizado em um dos televisores do local e ouviram um funcionário do estabelecimento dizendo a uma pessoa que estava ao seu lado que deveria ter aprendido a tocar algum instrumento e virado um músico. Ele apontou que, desta forma, não teria de seguir enfrentando a rotina de carregar caixas pesadas de equipamentos dentro da loja. Para completar, deu a entender que os músicos ganhavam a vida facilmente, “sem ter de trabalhar”. Além disso, o carregador da loja ficava tirando sarro do visual dos artistas na TV, fato também explorado na letra da música em tom de gozação.

No videoclipe, este homem trajando camisa xadrez e boné de jogador de beisebol, é retratado na animação clássica na qual aparece primeiro sentado em um sofá para depois entrar dentro de uma TV e mergulhar na guitarra tocada por Knopfler no clipe.

Outro grande sucesso do álbum, a faixa “Walk of Life” traz uma base principal de teclado que se repete até o fim da canção e se tornou clássica ao ser executada em um sintetizador, instrumento usado com frequência por várias bandas naquela década, o que a tornou ainda mais “grudenta”.

A canção fala de um sujeito que tem como ofício tocar músicas antigas na rua para se sustentar. E esta “Caminhada da Vida” é representada por Knopfler no videoclipe original da música, lançado no Reino Unido. Porém, a canção se popularizou de forma gigantesca principalmente por causa da versão norte-americana do clipe, que alterna uma performance da banda no palco com imagens de acidentes engraçados ocorridos com atletas em jogos dos esportes mais amados pelo público dos Estados Unidos.

Os outros dois principais hits do álbum são as baladas “So Far Away”, com forte base de baixo e outro inesquecível riff de guitarra produzido por Knopfler, e “Your Latest Trick”, com um belíssimo arranjo musical e destaque para o saxofone tocado por Michael Brecker.

A longa e lenta “Why Worry”, de 8min31s de duração, é mais uma linda canção do álbum.

A faixa-título “Brothers in Arms”, que fecha o disco e conta com outros grandes riffs de guitarra de Knopfler, também transcorre em ritmo lento e é um tanto quanto sombria ao falar da história de um soldado ferido em batalha na Guerra das Malvinas, conflito armado entre tropas britânicas e argentinas ocorrido em 1982. O tom apocalíptico e o tema pesado, porém, não atrapalham em nada a excelente canção, considerada por muitos fãs como um dos grandes clássicos da banda.

“Ride Across The River” e “The Man’s Too Strong” são outras duas músicas do disco focadas em questões militares, enquanto “One World”, penúltima faixa do álbum e com uma letra melancólica, tem uma pegada um pouco mais pop e pode ser considerada uma canção “Lado B” do disco.

Disparado o maior sucesso comercial do Dire Straits, o “Brothers in Arms” foi o primeiro álbum a emplacar dez discos de platina no Reino Unido e foi eleito pela prestigiosa revista Rolling Stone como um dos 500 melhores discos da história. Um verdadeiro clássico, indispensável e inesquecível.

Para comemorar os 35 anos do disco clássico do Dire Straits, o Roque Reverso descolou clipes no YouTube. Fique inicialmente com “So Far Away”. Depois, veja os vídeos oficiais de “Money For Nothing”, “Walk Of Life”, “Your Latest Trick” e “Brothers In Arms”. Se quiser ouvir o álbum na íntegra, vá até o último vídeo.

*Rafael Franco é jornalista e amante do bom e velho rock n’ roll

 

 

Pioneiro e colecionador de recordes, ‘Brothers in Arms’, obra-prima do Dire Straits, completa 35 anos


6 Responses to “Pioneiro e colecionador de recordes, ‘Brothers in Arms’, obra-prima do Dire Straits, completa 35 anos”


  1. 13 de maio de 2020 às 01:56

    Sensacional álbum! Fundamental para quem gosta do bom e velho rock and roll!!!
    A minha preferida, disparado, é “Brothers in Arms”, que também tem um dos melhores clipes da história!

  2. 3 Tiago
    14 de maio de 2020 às 20:06

    Parabéns pela matéria, muito bom rever estes clipes e ler sobre o disco! Valeu Rafael!

  3. 5 Rodrigo Granato
    17 de maio de 2020 às 12:15

    Excelente matéria! Conhecer a história desse álbum que é um ícone para os amantes do rock’n roll e, pq não dizer, para os amantes da boa música foi uma ótima leitura.

  4. 6 Roque Reverso
    3 de junho de 2020 às 01:19

    Essa resenha era uma das mais solicitadas do Roque Reverso!
    Obrigado, Rafael!!!


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