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Mesmo com a ausência do baterista Reed Mullin, Corrosion of Conformity entrega aula de rock em SP

Corrosion of Conformity em SP - Foto: Reprodução YouTubeHá shows grandes e há shows pequenos. Há apresentações comuns e há apresentações marcantes. O que o público presente no show do Corrosion of Conformity viu no sábado, dia 12 de maio, em São Paulo, foi um evento bastante pequeno e modesto, mas daqueles que valem para sempre, como se fosse uma daquelas aulas de rock n’ roll que incentivam os fãs na montagem de bandas.

Mesmo com a ausência do baterista Reed Mullin, que é da formação clássica, a banda norte-americana de crossover fez muita gente ficar de boca aberta com os improvisos, sonoridade e peso vistos na pequena casa de shows Vic Club – que lembra uma mistura de Carioca Club com o Clash Club.

O retorno ao Brasil fez parte da turnê latino-americana que divulga o álbum “No Cross No Crown”, lançado em janeiro de 2018. Além da capital paulista, o C.O.C. tocou no dia 13 de maio no Rio de Janeiro.

Situada entre as bandas mais emblemáticas do crossover (gênero que mistura o thrash metal com o hardcore), o Corrosion of Conformity despertou grande expectativa por parte dos fãs justamente porque havia a promessa de vinda de sua formação clássica pela primeira vez ao Brasil.

A formação prometida era a dos três membros criadores da banda no início da década de 80 (o guitarrista Woody Weatherman, o baixista Mike Dean e o baterista Reed Mullin), além de ninguém menos que o respeitado guitarrista Pepper Keenan, que assumiu os vocais do grupo no fim da década de 80 e influenciou a sonoridade do grupo nos Anos 90.

Essa sonoridade envolve além do crossover, elementos do stoner rock e o que se acostumou a chamar de sludge metal, uma das várias vertentes do heavy metal que tem como principal característica a mesclagem de elementos do doom metal e do hardcore.

O espaço era bastante pequeno, mas este detalhe propiciava a sempre boa proximidade entre banda e público, num ambiente diferente dos que são vistos nos shows de arena.

O fim de semana prometia em oferta sonora, pois havia uma overdose de shows do rock pesado. O Living Colour e o Therion já haviam tocado na sexta-feira, 11 de maio, e, no domingo, 13, ninguém menos que Ozzy Osbourne se apresentaria no Allianz Parque, a Arena do Palmeiras. Muitos dos que escolheram ver apenas o Corrosion of Conformity não se arrependeram nenhum pouco do que presenciaram no Vic Club.

Quem chegou com um pouco de antecedência ao local do show pode ver bem de perto os roadies e técnicos de som fazendo os testes finais nos equipamentos e instrumentos. É aquela coisa de sempre: testa a guitarra, testa o baixo e os microfones e ainda  demora um pouquinho mais na bateria, sempre conversando com o pessoal da mesa de som, tentando deixar tudo na melhor qualidade possível.

Havia um roadie que chegou a testar os instrumentos de corda e os microfones e também havia um técnico de som que ficou concentrado na bateria. Parecendo ser bem detalhista, este último só deixou de averiguar o instrumento depois de ficar totalmente satisfeito.

O show

Depois de todos os testes, o ambiente do Vic Club ficou na escuridão e o baixista Mike Dean foi o primeiro a entrar, parecendo ainda fazer algum ajuste em seu instrumento. Era, na verdade, uma preparação para a música instrumental “Bottom Feeder (El Que Come Abajo)”, do ótimo álbum “Wiseblood”, de 1996.

Pouco depois da entrada de Mike Dean, o mesmo técnico que havia testado a bateria assumiu o instrumento, causando certa surpresa de alguns dos presentes, já que a expectativa era de que Reed Mullin estivesse ali. O baterista da formação clássica havia operado o joelho em março, mas o próprio cartaz do show trazia o músico. Mais tarde, no próprio perfil em redes sociais de Mullin, ficou claro que ele ainda não havia se recuperado de maneira plena a ponto de vir para a turnê latino-americana.

Mas quem afinal era o sujeito que estava ali na bateria? O nome da fera que substituiu Mullin é John Green, que já havia participado de outras apresentações com a banda logo na sequência da cirurgia do batera original.

Quem já viu Mullin tocar ao vivo ou em estúdio sabe que o sujeito é ótimo. Mas pergunte a quem foi ao Vic Club se John Green comprometeu o show e terá uma resposta automática: o cara simplesmente detonou e emplacou durante a apresentação uma mistura de técnica, peso e energia.

A instrumental ficaria completa com as guitarras de Woody Weatherman e Pepper Keenan. O primeiro, responsável pela guitarra solo, trouxe vários momentos interessantes durante a apresentação. O segundo já havia mostrado todo o seu talento nos shows memoráveis que o Down fez no Brasil no SWU Festival de 2011 e em São Paulo em 2013. Na apresentação do Vic Club com o C.O.C., Keenan mandou bem não somente na guitarra como também nos vocais.

A segunda música da noite foi a ótima “The Luddite”, do novíssimo álbum. Com peso e som cadenciado, o Corrosion of Conformity trouxe um entrosamento impecável e mostrou que, mesmo na produção de material novo, tem muito em oferecer em qualidade.

Corrosion of Conformity em SP - Foto: Reprodução YouTubeCorrosion of Conformity em SP - Foto: Reprodução YouTubeCorrosion of Conformity em SP - Foto: Reprodução YouTubeCorrosion of Conformity em SP - Foto: Reprodução YouTube

“Broken Man”, “Señor Limpio”, “Long Whip/Big America” e “Wiseblood” vieram na sequência, resgatando aos fãs a sonoridade dos grandes álbuns “Deliverance” e o já citado “Wiseblood”.

Depois destas quatro músicas, o C.O.C. emendou “Who’s Got the Fire”, do disco “America’s Volume Dealer”. Foi um dos pontos altos do show, com toda a banda trazendo um som bastante agradável para os ouvidos.

Merece grande destaque a performance do baixista Mike Dean durante todo o show. Além de mandar bem nos vocais de apoio, ele traz na sua performance com o instrumento aquela química dos músicos que sentem cada detalhe das canções. Chegou a ser emocionante a dedicação de Dean a cada faixa executada naquela noite. Um músico que não tem a menor vergonha de se entregar completamente durante cada acorde.

“Wolf Named Crow”, “Seven Days”, “Paranoid Opioid” e “13 Angels” vieram em seguida e tudo aquilo visto em São Paulo encantava qualquer sujeito amante de boa música. Estava tudo ali, a poucos metros de distância, numa casa pequena e sem maiores luxos.

A parte final do show trouxe alguns dos maiores sucessos do Corrosion of Conformity. “Vote With a Bullet”, do disco “Blind”, de 1991, e “Albatross”, do álbum “Deliverance” valeram cada centavo pago e cada grão de feijão ou arroz doado para complementar o ingresso promocional da apresentação em São Paulo.

Ambas as músicas tiveram clipes emblemáticos na finada MTV Brasil em canal aberto nos Anos 90 e ajudaram a resgatar muitos fãs brasileiros para a banda. Quem acompanhava o saudoso programa “Fúria Metal”, apresentado pelo grande Gastão Moreira, lembrou com muito carinho daqueles bons tempos.

Pequena pausa para o descanso e a banda voltou rapidamente para o bis com “Clean My Wounds”. Para muitos, a música ficou ainda mais interessante ao vivo do que na versão estúdio. Com um verdadeiro show de improviso, a canção fez o grupo gerar no Vic Club uma longa jam de incrível qualidade, fechando com chave de ouro a apresentação.

Para alguns, o show foi um pouco curto, mas, mesmo assim, não há dúvida que valeu muito a pena presenciar um show do Corrosion of Conformity. Numa época em que coisas novas capazes de surpreender são cada vez mais raras no rock n’ roll, foi uma experiência gratificante ver os norte-americanos proporcionando uma verdadeira aula de rock pesado.

O Roque Reverso não obteve o credenciamento de imprensa a tempo, mas não ia deixar de presenciar um show deste quilate. Além desta resenha, o site descolou alguns vídeos no YouTube para dar uma noção do que foi a apresentação do C.O.C. em São Paulo.

Fique inicialmente com o de “The Luddite”. Depois, com qualidade de gravação bem melhor, fique com “Who’s Got the Fire”, “13 Angels” e “Albatross”. Para fechar, fique com “Clean My Wounds”.

Set list

Bottom Feeder (El que come abajo)
The Luddite
Broken Man
Señor Limpio
Long Whip/Big America
Wiseblood
Who’s Got the Fire
Wolf Named Crow
Seven Days
Paranoid Opioid
13 Angels
Vote With a Bullet
Albatross

Clean My Wounds

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