Arquivo para 31 de março de 2011

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É rock argentino, nena! É Spinetta, el flaco

Por Marcelo Galli

Alguém teria dito que o Brasil ficou surdo para a música feita por bandas e músicos dos países vizinhos porque a riqueza musical interna bastava. Deve ter sido algum argentino integrado, tipo Fito Paez, quem fez essa análise. Não precisa ser gênio para chegar à mesma conclusão, e concordo com ele. E, aqui o pesar é todo meu, ruim que seja dessa maneira. Enquanto a fina flor da Música Popular Brasileira está ‘allá’, também a Xuxa e os Paralamas do Sucesso, azar para os que não conhecem Luis Alberto Spinetta, por exemplo, sem dúvida o principal nome do rock argentino, ou nacional, como eles costumam nomear.

São dele algumas das músicas mais bacanas que escutei nos últimos dois anos. Spinetta nasceu na desde sempre nostálgica Buenos Aires, em 23 de janeiro de 1950, no bairro de Belgrano. Gravou mais de duas dúzias de discos, teve mais de uma dúzia de bandas e projetos, entre eles Almendra, Pescado Rabioso, Invisible e Spinetta y los Socios del Desierto. Autodidata, conseguiu criar seu próprio estilo.

Além de tocar muito guitarra, uma Fender, é um compositor inteligente, melodioso, complexo alguma vezes, mas em outras se sai com um riff chiclete (daqueles bons, que não desmancham na boca) como em “Habladurías del mundo”, do Artaud, de 1973. Profundo em suas letras, tem de tudo, de Rimbaud, Nietzsche, Foucault à psicanálise, aos temas locais cujo mote é a viagem pelo país, como em “Rutas Argentinas” e “Toma El Tren Hacia El Sur”, do segundo do Almendra, de 1970. Spinetta reúne qualidades difíceis de encontrar em um músico roqueiro. A palavra está batida faz tempo, eu já até devo ter usado nesse texto, mas o cara é gênio.

É Beatles, é Zeppelin, é Hendrix, é rock, progressivo, psicodélico, hard, é blues (o pai dele foi um cantor amador, Spinetta passou a infância escutando tangos, experiência que deve ter deixado o blues dele mais blues), a fonte está na cara, mas as canções não soam como cópia de exemplos anglo-saxões, há algo autóctone. Escute “Barro, tal vez”, do disco “Kamikaze”, de 1982, na interpretação de Mercedes Sosa, e vai compreender o que quero dizer.

Para se ter ideia da importância do “El flaco” (o magro), na lista feita há quatro anos pela revista Rolling Stones local dos 100 discos mais importantes da música argentina, ele é responsável por dois. No topo do ranking aparece Artaud, com o Pescado Rabioso, mas é praticamente um disco solo, feito com músicos convidados e velhos amigos; e no sexto lugar, Almendra, de 1969, que tem a irresistível balada “Muchacha Ojos de Papel”. O segundo melhor disco é do ex-integrante da Sui Generis, Charly García, com “Clics modernos”, de 1983. Spinetta e ele gravariam um disco juntos em 1985, mas só foi registrada uma canção em parceria (“Rezo por vos”). O Lulu Santos, no “Liga lá”, gravou uma música de García.




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