Posts Tagged ‘Roger Rocha Moreira

25
fev
16

Um obituário artístico do Ultraje, antes que seja tarde

Roger Rocha Moreira - Foto: WikipédiaA mídia tem explorado bastante nos últimos dias o que seria uma polêmica em relação ao tratamento dispensado ao Ultraje a Rigor por parte da plateia e pelo staff dos Rolling Stones. Em um resumo bem grosseiro, o Ultraje foi abrir o show dos Stones no Rio, alguém na plateia chamou Roger Rocha Moreira de “coxinha” – melhor definição, a meu ver, inexiste – e o educadíssimo bandleader dedicou “Filho da Puta” depois de soltar um enigmático “vocês vão cair”.

Mais tarde, alegou ter sido tratado como “lixo” pelo staff dos Stones. Houve gente séria que comprou a versão de Roger no princípio da fofoca de coxia, mas aí foi olhar mais atentamente o histórico de um e de outro e percebeu que tinha coisa estranha na parada.

Os shows dos Rolling Stones no Brasil já foram abertos por ícones do rock nacional como Rita Lee, Barão Vermelho, Cássia Eller e Titãs. Até o monumental Bob Dylan abriu apresentações dos Stones por aqui.

E não havia relatos, até agora, de maus-tratos sem que houvesse provocação, seja por parte da banda inglesa, seja por seu staff.

Já Roger tem em seu histórico coisas como o “migué” dado na abertura de um show de Peter Gabriel no SWU. Num contraponto interessante, o cineasta Carlos Gerbase, ex-batera do Replicantes, relatou a experiência de sua banda ao abrir um show do Ultraje nos anos 1980.

A falsa polêmica comprada pela mídia ao menos serviu para o grande público descobrir – ou relembrar – que uma das bandas mais promissoras dos anos 1980 não consegue, há quase 30 anos, espaço em jornais, revistas, rádios, TVs ou internet por causa de sua música. O Ultraje a Rigor transformou-se em um cadáver ambulante que, por algum descuido coletivo, não foi sepultado com dignidade. O Roque Reverso decidiu então fazer um último esforço e publicar aqui o obituário artístico do Ultraje a Rigor.

O primeiro disco do Ultraje, “Nós Vamos Invadir Sua Praia”, saiu em 1985 com estrondoso sucesso. Era o primeiro redespertar do rock nacional. Salvo engano, todas as músicas do disco entraram nas paradas. Feito similar ao do RPM, a grande febre da juventude oitentista nacional. No ano em que o Brasil vivia o fim de uma ditadura civil-militar de mais de duas décadas, as letras de Roger chamaram a atenção pela irreverência, em uma época em que era cool dobrar a censura, que seria formalmente extinta apenas com a Constituição cidadã de 1988, esta mesma que garante as liberdades e os direitos de hoje e que alguns setores mais conservadores vêm tentando rasgar.

“Nós Vamos Invadir Sua Praia” é um discaço. Essencial em qualquer discoteca básica de rock nacional. O mais bacana para mim eram as guitarras de Carlo Bartolini, mais conhecido como Carlinhos. Rock é guitarra e o Ultraje tinha um dos melhores. Poucas vezes se viu no rock nacional um guitarrista com tanto bom gosto. Quem ouvir mais atentamente o disco vai perceber que Carlinhos tinha o timbre certo para cada ocasião, sem contar a excelente técnica e os belos arranjos.

Dois anos depois, veio “Sexo!!”. Outro sucesso estrondoso. Ainda que não tenha conseguido o mesmo feito do primeiro disco, “Sexo!!” emplacou vários hits além da faixa título. Um deles, “Pelado”, virou abertura de novela global, o máximo que um artista brasileiro podia almejar no Brasil dos Anos 1980.

Buscapé

Começou então o declínio. Carlinhos tinha saído da banda e, apesar de sucedido pelo também brilhante Sérgio Serra, a fonte de criatividade de Roger secou e a banda começou a cambalear. O terceiro trabalho, “Crescendo”, de 1989, emplacou duas músicas: “Filho da Puta” e “O Chiclete”. Mas não tinha mais a novidade, a mesma criatividade nem o mesmo apelo dos dois bons discos anteriores. Era o trabalho de uma banda com um contrato a cumprir com a gravadora e que precisava desovar a produção.

Depois disso os integrantes da banda foram saindo, as formações foram mudando e, ainda que tenha abrigado de excelentes músicos no decorrer dos anos, o Ultraje transformou-se num projeto pessoal de Roger. Pelas letras, é possível dizer que o líder do Ultraje envelheceu – como, aliás, acontece a todo ser humano -, mas não amadureceu. De 1989 em diante, Roger não produziu mais nada digno de nota. Nada disso, entretanto, desmerece a importância de Roger e do Ultraje para o rock brasileiro. Fazia parte do processo.

Até que, com o advento das redes sociais, Roger Rocha Moreira abdicou da posição de lenda viva do rock nacional e conseguiu, assim como Lobão, mais notoriedade pela exposição de opiniões ultrarreacionárias do que pela boa música que no passado teve o mérito de produzir. Deu vida própria ao “Rebelde Sem Causa”, ao reacionarismo assumido em “Eu Gosto de Mulher”, ao complexo de vira-latas evidente em “Inútil” e passou a enxergar comunistas embaixo da cama e dentro do armário.

Musicalmente, Roger parou no tempo. Ideologicamente, permaneceu na Guerra Fria. Por fim, transformou seu projeto pessoal em banda de apoio de um talkshow conduzido por um neofascista descontrolado. E antes que ele consiga transformar o Ultraje em uma nota de rodapé na história do rock nacional, o Roque Reverso presta aqui sua singela homenagem.

Descanse em paz!

11
dez
14

Tempos delicados: a ameaça conservadora

John Lennon e Yoko Ono, em foto histórica tirada por  Annie Leibovitz em 1981Vivemos tempos delicados. Essa frase provavelmente já se aplicou em todas as épocas e todos os lugares do mundo, em cada situação a seu modo. O tempo delicado de nosso lugar e nossa época é a caretização desenfreada de uma sociedade hipócrita, assim como suas consequências.

Quem ridicularizou ou menosprezou os avanços da extrema-direita no Brasil e no mundo ao longo dos últimos poucos anos agora ergue a sobrancelha em sinal de preocupação com os higienistas de plantão.

A eleição presidencial mal tinha terminado e uns gatos pingados já estavam nas ruas para pedir um novo golpe militar e acabar com essa tal de democracia. Talvez se trate de pessoas ansiosas por verem familiares e amigos sendo presos, torturados, mortos ou simplesmente desaparecerem pelas mãos de uma nova Redentora.

Talvez só estejam cansadas de ver a mídia divulgar tantos escândalos e o andamento de tantas investigações sobre suspeitas de corrupção. Afinal, não haveria mais notícias sobre temas tão incômodos, e muito menos investigações. Ou então, como bem lembrou o amigo jornalista Mario Rocha, se trate apenas de gente com saudade não apenas da censura às notícias, mas também aos discos, aos livros, aos shows, aos filmes e às peças de teatro.

As Senhoras de Santana do século 21 não conseguiram insuflar o golpe que tanto almejam (ainda?), mas crimes já são cometidos em seu nome. No fim de setembro, o jovem Hiago Augusto Jatoba de Camargo foi morto a facadas em Curitiba enquanto trabalhava como cabo eleitoral de Gleisi Hoffman (PT), candidata derrotada na campanha para o governo do Paraná.

Agorinha mesmo, no último dia 10 de dezembro, enquanto o Brasil era tardiamente apresentado às conclusões e recomendações da Comissão da Verdade, responsável por esclarecer as responsabilidades pelos abusos cometidos durante a ditadura cívico-militar (1964-1985), o excelentíssimo senhor deputado Jair Bolsonaro (PP) tomou a tribuna do Congresso Nacional para dizer à ex-ministra e também deputada Maria do Rosário (PT) que só não a estupraria porque ela não merece.

Bolsonaro claramente abusa de sua imunidade parlamentar para permanecer impune. Tem gente querendo vender o tema como “polêmica”, mas se trata de crime. Talvez ninguém se espante se o Congresso não cassar o mandato de Bolsonaro para que este possa responder criminalmente pela agressão. Afinal, trata-se de um caso explícito e registrado de ameaça de violência contra a mulher levado a um Congresso dominado por homens em um país machista.

Maria do Rosário - Foto: Agência BrasilE o que isso tem a ver com rock? O rock, apesar de ter conquistado o mundo por seu caráter libertário e revolucionário, é também um meio dominado por homens e muitas vezes conservador e machista. Dave Mustaine, Yngwie Malsmsteen e Ted Nugent aparecem entre os grandes nomes da vanguarda do atraso roqueiro no plano internacional. No Brasil, Lobão e Roger Moreira disputam palmo a palmo algum prêmio de indigência política que sabe-se lá por que ainda não foi criado.

Quem discorda pode até achar exagero isso, ou achar que existe “mulher pra casar e mulher pra transar”, mas provavelmente recorrerá a outro peso e a outra medida se um dia o alvo dessa violência for sua mãe (salvo os bebês de proveta e os entregues pela cegonha todo mundo tem uma; árbitros de futebol têm duas), sua irmã, sua filha ou qualquer mulher com quem se tenha alguma relação de afeto.

O machismo, assim como o racismo, é um sistema de opressão e violência. Vivemos em uma sociedade machista, é fato. Mas isso é uma criação coletiva. Não tem que ser assim pra sempre. Mudá-la e torná-la mais civilizada cabe a cada um de nós. O combate a sistemas de opressão não é apenas legítimo, mas tarefa obrigatória para quem almeja melhoras em uma sociedade desigual e injusta como a que vivemos. Um dos caminhos é o repúdio a toda e qualquer forma de violência, venha esta de onde vier.

O Roque Reverso força o gancho, mas não se omite. Para inspirar uma trilha sonora de combate à violência contra a mulher, fique com “Rape Me” (Nirvana), “Luka”(Suzanne Vega) e “Camila, Camila” (Nenhum de Nós).

13
nov
11

Chuva e briga de roadies do Ultraje e de Peter Gabriel marca 2º dia do SWU 2011

Como era esperado, a chuva caiu durante o dia em Paulínia no segundo dia do SWU Music & Arts Festival 2011. Este detalhe, somado aos ventos fortes que atingiram o local do festival, causou atraso de mais de uma hora no show do Ultraje a Rigor no Palco Consciência, já que o tipo de cobertura usada pela organização do SWU não deu conta do empecilho.

Com o atraso, o show da banda brasileira colou no do norte-americano Chris Cornell, programado para 18h30, e pressionou a grade de horários, que se completaria com show de Peter Gabriel, às 22h50.

Durante a apresentação do Ultraje, logo na primeira música, os roadies de Peter Gabriel arranjaram confusão com os da banda brasileira e rolou um quebra-pau entre eles.

Segundo os integrantes do Ultraje, a equipe do ex-vocalista do Genesis queria obrigar o grupo brazuca a fazer um show menor, com meia hora, em vez de uma apresentação de 1 hora, como estava programado desde o início. 

Um verdadeiro absurdo, digno de gringos idiotas que se acham melhores que os outros!!!

Para completar, o show do Ultraje foi interrompido no final pela própria organização quando o grupo ainda tocava a música “Marylou”. O sempre irreverente Roger Rocha Moreira, vocalista da banda brazuca, homenageou, durante o show, os gringos folgados com a música “Filho da Puta”.

Sem saber realmente o motivo da confusão, o público chegou a pensar que os roadies gringos eram de Chris Cornell. E sobrou até xingamento para o vocalista do Soundgarden, que nada tinha a ver com o problema. “Ei, Cornell, vai tomar no cú!”, gritou o plateia, totalmente do lado da banda brasileira, como realmente tinha que ser, só que com o alvo errado.

Após o show, Roger esclareceu que o problema era mesmo com Peter Gabriel e ainda escreveu no Twitter: “A equipe de Peter Gabriel queria que tocássemos só meia hora. Mandamos à merda. Colocamos os caras no lugar deles.”

Aqui neste link, você pode ter acesso à reportagem do G1, com os vídeos das entrevistas de Roger e de seu irmão, um dos roadies que se envolveu na briga e que deu um belo soco num dos gringos folgados.

O Roque Reverso está do lado da banda brasileira, que merece respeito pela sua história no rock nacional. Em homenagem ao Ultraje, fique com a dedicação especial para Peter Gabriel:




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