Turnstile no Lollapalooza 2026 – Reprodução de vídeo no YouTube

O Turnstile voltou ao Brasil para se apresentar como uma das atrações mais aguardadas, entre os fãs de rock, no Lollapalooza 2026. A banda norte-americana de hardcore tocou no domingo, 22 de março, o último dia dos três do festival realizado no Autódromo de Interlagos, em São Paulo.

Com rock intenso e energia, o grupo conseguiu trazer o “modo raiz”, voltando às origens do velho Lollapalooza e remando na direção contrária à da fórmula dominante que vem sendo adotada mais recentemente pelos organizadores do evento na capital paulista, de preferir modismo das redes sociais, como Instagram e TikTok, em detrimento da boa música.

Num mar de playback ou de atrações que sequer passariam na porta de edições históricas anteriores, o Turnstile inundou o evento com aquele rock que dá esperança de uma sobrevivência do estilo e, ao mesmo tempo, demarcou território num terreno dominado por música de qualidade discutível, tão dominante nos diversos meios de comunicação do Brasil e do restante do planeta.

Volta ao Brasil em momento mais badalado

Anos depois de sua primeira vinda ao Brasil em 2022, quando foi uma das atrações do mesmo festival, o Turnstile voltou muito mais badalado e aguardado.

Em 2026, a banda chegou ao Lollapalooza premiada com nada menos que dois Grammys, conquistados na cerimônia realizada em fevereiro em Los Angeles.

Conhecido tradicionalmente por um som mais ligado ao hardcore ou até mesmo um rock mais alternativo, o Turnstile ganhou o Grammy de Melhor Performance de Metal [?] com a ótima música “Birds”. A banda desbancou o Dream Theater (“Night Terror”), o Ghost (“Lachryma”), o Sleep Token (“Emergence”) e o Spiritbox (“Soft Spine”).

O segundo prêmio do Turnstile foi o de Melhor Álbum de Rock, com o disco “Never Enough”.

O álbum lançado em 2025 levou a melhor sobre “Private Music”, do Deftones, “I Quit”, do Haim, “From Zero”, do Linkin Park, e “Idols”, de Yungblud.

Energia, vibração e plateia em sintonia

No show realizado no Lollapalooza, o Turnstile focou o repertório nos dois álbuns mais recentes. Além do disco “Never Enough”, o álbum “Glown On”, de 2021, também foi bem representado.

E foi com a música título do mais recente e premiado disco que a banda iniciou a apresentação, conquistando o público logo de cara.

De uma vez só, rodas de mosh foram abertas, a principal delas com sinalizadores que, meses antes, no mesmo Autódromo de Interlagos, fizeram o show do System Of A Down entrar para a história das apresentações musicais.

Brendan Yates (vocal), Daniel Fang (bateria), “Freaky” Franz Lyons (baixo), Pat McCrory (guitarra) e Meg Mills (guitarra) conseguiram proporcionar ao público durante 1 hora de apresentação a experiência de ver um grupo de rock no auge do sucesso e da intensidade.

“T.L.C. (Turnstile Love Connection)”, do disco “Glown On”, “Real Thing”, do álbum “Time & Space”, de 2018, e “Sole”, do “Never Enough”, também se destacaram na primeira parte do show.

Vale salientar a presença do vocalista Brendan Yates, fundamental para levar o show e o público para momentos de catarse.

Outra figura importantíssima para deixar a apresentação impactante é o baterista Daniel Fang. Verdadeiro motor da banda, foi gratificante observar a intensidade do músico e a repercussão em toda a plateia no decorrer do show.

Na sequência da apresentação, após uma breve pausa, “Seein’ Stars”, do disco mais recente, serviu para diminuir o ritmo e fazer o público respirar com algo um pouco menos agitado e mais balanceado e até dançante.

Mais uma do “Glown On”, “Holiday”, trouxe, no entanto, novamente o caos que se consolidou novamente com rodas de mosh contagiantes espalhadas pela pista.

Após mais intensidade com “Look Out For Me”, do “Never Enough”, e uma nova breve pausa, a trinca final do show deixou a plateia realizada e em êxtase.

“Mystery” e “Blackout”, do “Glown On”, além da premiada “Birds”, mostraram o porquê do Turnstile ter ganho o respeito da crítica especializada e conquistado ainda mais fãs.

A plenos pulmões, o público cantou as três do início ao fim, com mais rodas de mosh espalhadas na pista.

O Roque Reverso não se empolgou em 2026 sequer para pensar em estar presente fisicamente no Lollapalooza, mas o show do Turnstile, mesmo acompanhado pela transmissão de TV, gerou aquele sentimento que só as boas e vibrantes apresentações de rock costumam proporcionar.

Ao final do show, as câmeras ainda captaram o vocalista Brendan Yates indo em direção ao público para cumprimentar os fãs, pular na plateia e “surfar” sobre ela, numa demonstração de gratidão pelo grande momento apoteótico visto no Lollapalooza.

O Roque Reverso foi em busca de vídeos no YouTube, mas havia apenas um na íntegra, exatamente o da música de abertura, além de outros no estilo short, como pode ser visto na sequência com os das músicas “Sole”, “Holiday” e “Birds”.

Set list

Never Enough
T.L.C. (Turnstile Love Connection)
Endless
I Care/Dull
Don’t Play
Real Thing
Sole

Seein’ Stars
Holiday
Look Out For Me

Mystery
Blackout
Birds
Com rock e energia, Turnstile trouxe ‘modo raiz’ de volta a festival que preferiu o modismo das redes