
Por Marcelo Moreira, do blog Combate Rock
É para encerrar a novela e não tocar mais no assunto: o cantor Roger Daltrey venceu de novo e impôs a sua vontade: o baterista Zak Starkey decididamente está fora da banda de apoio do grupo The Who, mesmo depois dos desmentidos do guitarrista Pete Townshend há algumas semanas, em clara queda de braço com Daltrey. O vaivém de declarações sobre a demissão ficou patético com desmentidos e informações lamuriosas nas redes sociais.
Em texto nas redes sociais, em tom resignado, Townshend voltou atrás no último fim de semana e reconheceu que Zak, desde 1996 na banda e filho do ex-beatle Ringo Starr, estava mesmo fora da banda e desejava boa sorte em seus novos projetos. Antes, desmentiu um comunicado da própria banda e afirmava que nada mudava.
A crise começou em março, em um show beneficente do The Who em Londres em favor de uma entidade que arrecada fundos para tratamento de câncer em crianças. Roger Daltrey é o patrono da causa e se incomodou com a performance de Starkey, a ponto de reclamar no palco que não ouvia direito o que era tocado na bateria.
A desavença continuou depois do show, nos camarins. Dias depois, veio o comunicado da demissão de Starkey.
Townshend tentou contornar, desmentiu, mas acabou cedendo. Na turnê de despedida pela América do Norte, em agosto, o substituto será Scott Devour, que toca na banda solo de Daltrey
Por que Townshend cede, se considera Zak Starkey um bom baterista? Afilhado de Keith Moon, ex-integrante do Who morto em 1978, Zak realmente é ótimo baterista e tinha ótimo entrosamento com o resto da banda de apoio. A trombada com o vocalista em março não seria o suficiente para que saísse do Who.
Se o guitarrista Townnshend é o coração e o cérebro, como principal compositor, Daltrey mostra quem realmente manda. Quando Moon morreu, evitou que o guitarrista incluísse na formação um segundo guitarrista e um tecladista, mas teve de engolir Kenney Jones (ex-Small Faces e The Facess) no lugar de Moon.
Daltrey nunca escondeu que não gostava de Jones e muito fez para que fosse demitido. O Who acabou em 1982 e, na primeira volta, em 1989, vetou a reintegração de Jones – que, aliás tinha se antecipado e recusado qualquer possibilidade de retorno ao Who. Simon Phillips, da banda solo de Townshend, tocou com a banda e com os projetos solo dos integrantes até 1994.
O vocalista não se opôs à entrada de Starkey em 1996 e nem à de Pino Palladino, em 2002, quando da morte do baixista John Entwistle. Entretanto, em 2010, forçou a saída do tecladista John “Rabbit” Bundrick para colocar os três tecladistas de sua banda solo, comandados por Frank Sims. Cinco anos depois, exigiu a troca de Palladino pelo jovem Jon Button.
O Who está parando, como indica a turnê de despedida pela América do Norte.
Era para ser uma aterrissagem suave, mas ficará marcada pela polêmica e pela disputa de poder entre os dois remanescentes que comandam a banda desde 1962.

