O Helmet retornou a São Paulo para trazer para a capital paulista o show da turnê que celebra os 30 anos do álbum “Betty” na quarta-feira, 30 de abril. Com peso e técnica afiada, a banda norte-americana liderada pelo vocalista e guitarrista, Page Hamilton, saciou a vontade de fãs que lotaram o Carioca Club.

Foi a terceira vez desta composição atual da banda no Brasil, do total geral de 5 vezes, se forem contadas todas as formações que estiveram no País.

Todas as vezes em São Paulo e com cobertura do Roque Reverso, este Helmet consolidado do Século XXI veio desta vez ainda melhor do que nos shows de 2011 e de 2022.

Com a responsabilidade gigante de reproduzir ao vivo um disco do tamanho de “Betty”, a formação atual do Helmet tirou o desafio “de letra”, com ótimo entrosamento e uma dedicação musical que empolgou fãs.

Chegada em cima da hora

Em plena véspera do feriado do Dia do Trabalhador, foi um desafio, para quem trabalha em horário comercial na cidade de São Paulo, chegar ao bairro de Pinheiros sem perder as bandas de abertura em virtude do trânsito intenso nas ruas da cidade.

Foi o caso deste veículo de comunicação, que sequer recebeu convite de credenciamento da assessoria de imprensa responsável pelo show. Tudo bem que já é uma assessoria que tradicionalmente é bem conhecida entre vários jornalistas que cobrem shows por distribuir “nãos” em série nos credenciamentos de imprensa. Mas o surpreendente desta vez foi o ponto da falta do convite.

Em uma cidade onde, ainda bem, os shows não param, se qualquer jornalista que quiser cobrir todos os shows para os seus leitores tiver que gastar dinheiro com ingresso para entrar, seguramente irá à falência financeira.

Este Roque Reverso existe há 15 anos, tenta fazer a cobertura de shows das mais diversas correntes do rock e não vem ganhando 1 centavo sequer com o vasto conteúdo que produz com sua equipe enxuta. A história “por amor ao rock and roll” nunca foi tão seguida à risca para a manutenção deste site.

Não que isso seja uma novidade em veículos brasileiros online especializados em rock. Mas a falta de sensibilidade de quem trata do “corpo-a-corpo” com a imprensa não pode dificultar as coberturas jornalísticas.

Como a paixão pelo rock sempre fala mais alto e esse caso não é inédito, a solução foi comprar 1 quilo de arroz para ter direito ao sempre salvador ingresso social a nada menos que R$ 260,00, minutos antes do show.

O show

A apresentação do Helmet começou, como promete a turnê, com a execução do álbum “Betty”. E foi com a música de maior sucesso comercial do disco que a banda iniciou o show.

“Wilma’s Rainbow” é daquelas faixas que fazem a banda parecer “chutar portas”, mostrando a que veio. E a recepção da plateia foi de contemplação ao ver um dos grandes sucessos do grupo ao vivo, tocado com a mais elevada técnica musical.

As boas “I Know” e “Biscuits for Smut” vieram na sequência e mostraram a versatilidade da banda ao alternar andamentos musicais com maestria.

Capitaneados por Page Hamilton, os ótimos Kyle Stevenson (bateria), Dan Beeman (guitarra) e Dave Case (baixo) são daqueles achados que se encaixaram como uma luva naquilo que o Helmet precisa para manter seu legado.

Outro hit do álbum, “Milquetoast” veio na sequência da apresentação no Carioca Club e fez a plateia pular e agitar cabeças, como manda um bom show de rock pesado.

Técnica e peso de qualidade

“Tic” e “Rollo” foram as faixas seguintes e, como bem esperava qualquer fã das antigas do Helmet, trouxe a banda naquela mesclagem de técnica e peso que vale qualquer ingresso pago.

Kyle Stevenson tem não só a técnica que o Helmet exige na bateria, mas traz um nível a mais de agressividade ao instrumento do que o grande e ótimo John Stanier, que gravou o álbum e faz parte da formação clássica da banda.

Desde que este Roque Reverso viu Stevenson ao vivo no show de 2011 em São Paulo, é inevitável ficar boquiaberto com o domínio que o baterista tem de seu instrumento.

Seu envolvimento com a bateria é algo que chama muito atenção nos shows e resulta sempre em ótimas e decisivas participações nas apresentações da banda norte-americana.

Vale dizer que já nesta parte do show já era possível ver stage divings no Carioca Club e pequenas rodas de mosh. Quanto ao fato de alguns subirem ao palco para pular, o único detalhe não muito positivo é que há figuras que esquecem que o show é da banda sobre o palco.

O bom stage diving é aquele no qual a pessoa sobe e pula, sem firulas. Passou disso já vira exibicionismo desnecessário. Houve exemplos rápidos de ultrapassagem desta linha tênue do bom senso, mas nada que comprometesse a apresentação.

“Street Crab”, “Clean” e “Vaccination” vieram na sequência e mantiveram as alternâncias melódicas e de ritmo tão elogiadas do álbum “Betty”. Afiada, a banda parecia, assim como o público, curtir ao máximo o momento sobre o palco.

O disco também tem faixas que são feitas mais para uma audição tradicional do que para um show, mas o Helmet foi fiel com “Beautiful Love”, “The Silver Hawaiian” e “Sam Hell”, tentando trazer a mesma atmosfera do álbum.

Entre elas, foram também executadas com maestria e com muita qualidade as faixas “Speechless” e “Overrated”.

Estava feita ali a celebração dos 30 anos do álbum “Betty” e um público satisfeito com o que viu.

Hora de mais sucessos de outros discos

Mas haveria um novo momento do show com vários sucessos de outros discos que ampliaram a satisfação da plateia, sempre ávida por mais músicas.

Do álbum “Monochrome”, de 2006, veio logo de cara “Swallowing Everything” com mais peso para a noite no Carioca Club.

Mas esse peso seria ampliado com as músicas na sequência que pareceram escolhidas a dedo para levar o público à satisfação plena.

“Blacktop” e “Bad Mood”, por exemplo, fez o fã das antigas voltar no tempo do álbum de origem “Strap It On”, o primeiro lançado pelo Helmet, em 1990.

“Driving Nowhere” foi a representante da noite do disco “Aftertaste”, de 1997. E “Dislocated”, do mais recente álbum “Left”, de 2023, mostrou que o grupo não tocaria coisa só do passado.

Vale dizer que esta última foi precedida de uma ligeira discussão da banda com a equipe de som, já que o retorno do baterista Kyle Stevenson estava prejudicado.

Após o problema resolvido, a noite ficaria ainda melhor com o desfile de faixas do melhor disco da banda, “Meantime”, de 1992. O hit indispensável “Unsung” colocou o Carioca Club quase abaixo e foi complementado por nada menos que “Turned Out”, uma das prediletas dos integrantes deste Roque Reverso.

Após um breve período de pausa, a banda retornou para o bis com mais “Meantime”, para alegria dos fãs.

“Give It” e “Ironhead” tiraram mais gente do público para pular e agitar as cabeças.

E ainda teve o presente com “Just Another Victim”, que o Helmet gravou para trilha sonora de filme com o House of Pain e que costuma incendiar os shows.

O final apoteótico veio com a sempre ótima e necessária “In the Meantime”, que deu o toque final ao grande show do Helmet em São Paulo.

Mais uma vez, os comandados de Page Hamilton provaram que há muito da banda que precisa ser ouvido ao vivo e a cores nos palcos. Uma pena que o grupo venha tão pouco a um País onde há um público cativo.

Com tantos festivais em São Paulo de rock pesado, o Helmet é daquelas bandas que se encaxariam em qualquer line-up das mais diversas vertentes pesadas do rock.

Enquanto isso não acontece, sorte daqueles que viram mais uma grande apresentação da banda no País.

Para relembrar o grande show do Helmet no Carioca Club, o Roque Reverso descolou vídeos no YouTube, alguns deles filmados pelo próprio site. Confira a seguir.






Set list

Wilma’s Rainbow
I Know
Biscuits for Smut
Milquetoast
Tic
Rollo
Street Crab
Clean
Vaccination
Beautiful Love
Speechless
The Silver Hawaiian
Overrated
Sam Hell

Swallowing Everything
Blacktop
Driving Nowhere
Bad Mood
Dislocated
Unsung
Turned Out

Give It
Ironhead
Just Another Victim
In the Meantime

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Helmet celebra 30 anos do álbum ‘Beth’ com peso e técnica afiada em São Paulo
Flavio Leonel/Roque Reverso