Há tempos criticado pela quantidade de rock and roll menor que a desejada entre as atrações de cada edição, o Rock in Rio, com início nesta sexta-feira, 13 de agosto, caiu de cabeça de vez nesta polêmica e traz, em 2024, sua edição com menos nomes do rock entre os convidados principais. O evento acontece nos dias 13, 14, 15, 19, 20, 21 e 22 de setembro na capital fluminense.

Com um mísero dia capaz de ser proclamado como “Dia do Rock” e sem o tradicional “Dia do Metal”, o festival na capital fluminense decidiu comemorar os 40 anos de sua primeira edição, realizada em 1985, com uma diversidade que trará, para horror dos mais exigentes amantes do rock, até música sertaneja.

A escolha escancara a perda – que se vê há anos – de força do rock no cenário pop, a despeito de um público do estilo que costuma ser um dos mais fiéis e presentes, quando o assunto é show musical.

Com tantas bandas de rock capazes de atrair público (mesmo que vindo pela enésima para o Brasil) e tantos outros grupos que jamais pisaram em solo nacional esperando algum convite, o Rock in Rio preferiu optar pela música pop e continuar investindo na questão da “experiência de estar num festival” que tem muito mais do que a música para entreter o público.

Mesmo com reparos um pouco tardios trazendo bandas que deveriam ter aparecido no festival há muito mais tempo, como o Deep Purple e o Journey, daria para trazer mais gente nesta condição, já que Joan Jett, Morrissey, Echo and The Bunnymen, The Cult, New Order, L7, só para citar alguns nomes de relevância e que nunca tocaram no evento, honrariam muito mais a história do festival do que Luan Santana, mesmo tendo vindo para o Brasil diversas vezes.

Suede, Oasis voltando, AC/DC em turnê de retorno que acabou há pouco tempo, também seriam nomes muito melhores e capazes de despertar atenção.

Ironicamente, é justamente numa edição com menos rock que o festival teve mais dificuldade de esgotar os ingressos, algo raro em edições anteriores mais disputadas.

A despeito de toda uma discussão atual de que a bolha de shows pós-pandemia está estourando, chama a atenção a dificuldade para a venda total das entradas.

A crítica do Roque Reverso em relação à edição de 2024 tem muito a ver com o que ele já causou em quase 40 anos. Desde 1985, quando houve a primeira edição, o Rock in Rio revolucionou o conceito de shows de rock no Brasil, abrindo uma série de portas para tantos outros festivais e atrações.

Não bastasse esse detalhe nada pequeno, o Rock in Rio formou gerações de fãs que viram ou conheceram, presencialmente ou pela TV, várias bandas pela primeira vez.

Com todas as críticas históricas à questão de trazer ou não uma quantidade relevante de atrações do rock, o festival sempre trouxe algum nome novo que nunca havia pisado no Brasil. Sim, o Journey pode ser um exemplo na edição atual, mas é muito pouco, perto do que já foi visto no Rock in Rio.

O que tem de rock no Rock in Rio?

Nesta edição de 2024, o destaque do estilo que leva dá nome ao festival fica mesmo para o Dia do Rock, no domingo, dia 15 de setembro. Em abril deste ano, a organização confirmou as bandas Deep Purple, Journey, Evanescence, Avenged Sevenfold e Incubus.

O grupo norte-americano de heavy metal Avenged Sevenfold será o headliner do Palco Mundo, acompanhado pelos compatriotas Evanescence e Journey.

A veterana banda brasileira Os Paralamas do Sucesso completa a escalação do principal palco do Rock in Rio no dia 15.

O lendário e britânico Deep Purple fará sua estreia no Rock in Rio, sendo o healiner do Palco Sunset e terá a companhia da banda norte-americana Incubus.

Atrações nacionais completam a escalação do palco secundário do Rock in Rio no dia 15 de setembro: o grupo Planet Hemp fará show, tendo como convidada a cantora Pitty; e veterano Barão Vermelho será a primeira atração a tocar no dia.

Uma boa dica neste mesmo dia 15 de setembro é o Palco Supernova, que trará atrações brasileiras do rock nacional que estão em boa evidência.

Além do veterano headliner Dead Fish, tocam a excelente banda Crypta, o arrasa-quarteirão Black Pantera e a banda The Mönic convidando o grupo Eskröta. Um leque de atrações que poderiam perfeitamente estar no Palco Sunset e um outro dia com falta de rock.

No mesmo dia, e nos dias 13 e 14, no Palco Highway Stage, tocam Black Jack, Canto Cego e The Lokomotiv.

Pouco rock nos demais dias

Nas demais escalações do Palco Mundo, os dias do Rock in Rio de 2024 tem pouquíssimo rock. No dia 13 de setembro, o primeiro do festival, estão confirmados os nomes do headliner Travis Scott, 21 Savage, da brasileira Ludmilla e do evento Matuê Parte Wiu e Teto.

No dia 14, além do headliner Imagine Dragons e do OneRepublic, o Palco Mundo terá a cantora sueca Zara Larsson e o brasileiro Lulu Santos.

No dia 19 de setembro, além do headliner Ed Sheeran, estão escalados Charlie Puth, Joss Stone e o cantor brasileiro Jão. Até o ator Will Smith foi escalado para o Palco Sunset neste dia, mas o rock ficou mesmo com algum acorde que Ed Sheeran decidir trazer à sua guitarra e alguma referência que Joss Stone quiser fazer no seu sempre bom show.

No dia 20, além da healiner Katy Perry, vão se apresentar Karol G, Cyndi Lauper e a brasileira Ivete Sangalo.

No dia 22, o Palco Mundo terá o headliner Shawn Mendes, além de Akon e NE-Yo. Vale lembrar que o dia também terá uma outra atração pop de peso, mas no Palco Sunset, com a headliner Mariah Carey.

O mesmo Palco Sunset ganhou recentemente nomes do rock para o dia 14 de setembro. O grupo brasileiro NX Zero será o headliner, tendo a companhia da banda britânica James, de Christone “Kingfish Ingran”, além das bandas brasileiras Pato Fu e Penélope juntas num show único.

O dia 21 de setembro traz uma homenagem à participação brasileira na história do Rock in Rio, num esquema de vários artistas tocando. A despeito de haver nomes do rock, como o Capital Inicial, Detonautas, NX Zero e Pitty, aberrações (pela ótica do rock) do sertanejo e do funk carioca estarão presentes.

10ª edição

A edição de 2024 será a 10ª do Rock in Rio no Brasil. O festival foi realizado na capital fluminense em 1985, 1991, 2001, 2011, 2013, 2015, 2017, 2019 e 2022.

Criado em 2009, o Roque Reverso fez a cobertura das edições de 2011, 2013, 2015, 2017, 2019 e 2022 do festival.
Nesta página especial do evento, é possível acompanhar as informações de vários shows destas seis últimas edições.

Com ainda menos destaque para o rock, edição de 2024 do Rock in Rio comemora 40 anos