Por Marcelo Moreira, do blog Combate Rock
“Nós fazemos música para a cabeça, não para os pés.” A declaração arrogante do guitarrista inglês Robert Fripp lá nos anos 70 irritava muita gente, mas sempre fez sentido para um segmento de apreciadores de música sofisticada. Até hoje a maioria dos que tentam entender o King Crimson continuar sem entender o que ouvem – e mesmo assim gostam.
Fripp e seu King Crimson ousaram fazer música experimental dentro do rock e foram muito além do progressivo, como quase todos gostam de rotulados Até faz um pouco de sentido, ainda que bastante impreciso.
O grupo misturava jazz e música erudita com toda a sorte de experimentos musicais, com pitadas de John Cage, Karlheinz Stockhausen e Koellreuter, entre outros. Definitivamente, era bem diferente de tudo o que se ouvia naquela década fervilhante.
Oficialmente com as atividades encerradas em 1975, o King Crimson voltou ainda mais esquisito em 1981 – e isso é um elogio. O baixista era um americano que tinha tocado de tudo e com muita gente, entre eles Frank Zappa. Tony Levin chamou a atenção or ser um dos primeiros a utilizar um instrumento novo, o stick, uma espécie de guitarra-baixo tocado por meio de digitação.
O vocalista e guitarrista Andre Belew, também americano, também vinha de circuitos experimentais e complementava o estilo econômico e quase hipnótico de Fripp, enquanto o baterista Bill Bruford, jazzista por natureza, assumia a tarefa de unificar toda aquela salada sonora.
Entre 1981 e 1985 foram três discos de estúdio e um vídeo ao vivo em que desfilaram muita classe e inovação, e também muita esquisitice, principalmente com uma canção chamada “Elephant Talk”
Atraindo um público de vanguarda que ia além do rock, seus shows eram concorridíssimos e um deles está sendo editado em CD, vinil e nos streamings neste momento.
“Sheltering Skies (Live in Fréjus, August 27th 1982)” é o primeiro registro ao vivo da formação oitentista da banda dos anos 80 lançado em vinil.O registro é de 27 de agosto de 1982 e foi lançado no dia 6 de setembro. Os LPs estão no mercado, assim como as canções em plataformas digitais.
Era a turnê europeia do álbum “Beat”, o segundo daquele período e daquela formação. As edições, todas em formato deluxe, terão livreto com informações do escritor de rock progressivo e biógrafo do King Crimson Sid Smith.
O lançamento é importante porque não existem registros oficiais ao vivo em áudio deste período – somente o que foi extraído de um vídeo da época gravado no Japão; Em caixas de raridades da banda, nos anos seguintes, aparecem canções esparsas retiradas de shows do Canadá, dos Estados Unidos e do Japão.
Depois do segundo fim da banda, em 1985, o King Crimson retornaria somente em 1994, primeiro como um quarteto, com a formação dos anos 80, e logo depois como um sexteto, com a adição do baterista e percussionista Pat Mastelotto e do baixista e stick man Trey Gunn; Essa fase durou até 2003.
Houve uma tentativa de retorno em 2007, mas foi somente em 2012 que o grupo voltou como um septeto e um novo guitarrista e vocalista, Jakko Jakszyk, que durou até 2020, quando Fripp, o líder, hoje com 77 anos, jurou que seria o fim definitivo.
Adrian Belew e Tony Levin surpreenderam no ano passado ao anunciarem que se juntariam para homenagear a banda e o legado daquela formação dos anos 80. Farão neste ano uma turnê pelos Estados Unidos sob o nome Beat, junto ao baterista do Tool, Danny Carey, e ao guitarrista Steve Vai.
Show de 1982 do King Crimson é lançado em vinil e nos streamings


