
Por Marcelo Moreira, do blog Combate Rock
Houve um tempo em que a busca por inovações e “criação” de novos subgêneros transformou o rock em uma espécie de “Olimpíada” musical: Os ingleses do Venom para serem os satânicos e blasfemos; bandas americanas de hard rock se esforçavam para ser a mais sacana e libidinosa, enquanto os thrashers da Califórnia competiam para ver quem era o mais “podre” e pesado. E o guitarrista sueco Yngwie Malmsteen liderava a disputa de instrumentista mais veloz do mundo.
Eram os Anos 80 de muita criatividade e audácia, que acabaram premiando uma improvável banda sueca em uma área em que o Black Sabbath reinava quase sozinho: o som verdadeiramente pesado, daqueles de colocar medo e fazer tremer qualquer edificação.
O quinteto Candlemass decidiu inverter ordem das coisas e desacelerou tudo, distorcendo o mais distorcido que podia e aumentando o volume até as aias da surdez. E então surgiu o doom metal.
A banda nada mais fez do que explorar todas as possibilidades em torno da canção “Black Sabbath – tétrica, assustadora, pesada e genial.
Para o “cérebro” da banda, o baixista Leif Efling, era o maior orgulho ser considerado o “motor da banda mais pesada do mundo” – foram inúmeras as enquetes em que o Candlemass “ganhou” o título.
Ao longo de 45 anos e inúmeras formações e hiatos, o Candlemass desfilou o que havia de mais apavorantes e sombrios sons das trevas, seja com o o vocalista Messiah Marcolin, seja com o norte-americano Robert Lowe nos vocais. Tudo sempre muito soturno, pesado aterrorizante
O mais recente lançamento é um álbum duplo ao vivo – mais um, dirão alguns, a julgar pela profusão de lançamentos do tipo feito pela banda.
“Tritonus Nights” captura a banda em shows mais diretos e crus, enfocando dois momentos distintos e dois discos importantes na história do heavy metal.
O disco registra performances completas de músicas dos álbuns “Epicus Doomicus Metallicus” e “Nightfall”, gravadas no histórico Södra Teatern, em Estocolmo, capital da Suécia.
Acompanhado de um livreto de 12 páginas, este lançamento celebra o legado de 45 anos da banda.
Os shows aconteceram em novembro de 2021, marcando o 35º aniversário de ambos os álbuns.
A formação — Lars Johansson (guitarra), Mats “Mappe” Björkman (guitarra), Leif Edling (baixo), Janne Lindh (bateria) e o vocalista original Johan Längquist — apresentou interpretações diferentes do que os fãs estavam acostumados de clássicos mais do doom metal.
Um destaque especial foi a inclusão de “Battlecry”, uma rara faixa pré-Epicus raramente tocada ao vivo — um verdadeiro presente para os fãs de longa data.
O concerto representou uma enorme homenagem à própria história do Candlemass, que se equipara ao Heavy Load como a banda mais importante dos primórdios do som pesado na Suécia.
O áudio foi gravado e mixado profissionalmente, com masterização feita por Patrick Engel no Temple of Disharmony, garantindo que as performances soassem poderosas, atmosféricas e fiéis ao legado monumental da banda.
Álbum histórico ao vivo celebra mais de 4 décadas do Candlemass

