Arquivo para abril \12\-02:00 2015



12
abr
15

Veja os horários de cada atração do Monsters of Rock 2015

Monsters of Rock - Cartaz de DivulgaçãoA sexta edição do Monsters of Rock brasileiro será realizada nos dias 25 e 26 de abril na cidade de São Paulo e os horários de cada atração já são conhecidos. Segundo os organizadores do festival, o evento que será realizado na Arena Anhembi tem os shows dos headliners Ozzy Osbourne (25) e KISS (26) agendados para as 22h30.

O Judas Priest, que é a banda convidada especial para os dois dias de festival, tocará às 20h40. No dia 25, a antepenúltima atração, o Motörhead, começará o show às 18h50, mesmo horário do início da apresentação do Manowar no dia seguinte.

O horário das 17h20 está reservado no dia 25 para o Black Veil Brides e, no dia 26, para o Accept.

A partir das 15h50, tocam o Rival Sons no primeiro dia e Unisonic no domingo. O horário das 14h20 terá o Coal Chamber no sábado e Yngwie Malmsteen no dia seguinte.

Às 13h50, é a vez do Primal Fear no dia 25, que terá De La Tierra às 12 horas. O Steel Panther toca no dia 26 às 13h05. Antes, no mesmo dia, toca o Dr. Pheabes.

Os ingressos já estão no terceiro lote, tanto o Monsters Pass, que é válido para os dois dias do festival, como a entrada para um único dia. Podem ser comprados no site Ingresso Rápido.

Uma opção de venda sem taxa de conveniência em ponto físico é a Loja da Fnac em Pinheiros, na capital paulista. Há outros pontos aqui espalhados.

Os preços atuais da entrada inteira são de R$ 700,00 (Monsters Pass) e de R$ 400,00 (ingresso para único dia).

Uma ótima notícia é que não haverá a famigerada Pista Vip! Desde o dia 11 de janeiro, as compras podem ser feitas em 3 vezes sem juros.

As três primeiras edições do Monsters of Rock no Brasil aconteceram em 1994, 1995 e 1996 no Estádio do Pacaembu. Em 1998, o festival foi realizado na pista de atletismo do Ibirapuera. Em 2013, na Arena Anhembi.

A primeira edição, em 1994, trouxe quatro bandas nacionais (Angra, Dr. Sin, Viper e Raimundos) e quatro internacionais (Suicidal Tendencies, Black Sabbath, Slayer e KISS).

Na edição de 1995, o número de atrações aumentou. A única banda nacional foi o Virna Lisi. Já entre o nomes internacionais, os representantes foram Rata Blanca, Clawfinger, Paradise Lost, Therapy?, Megadeth, Faith No More, Alice Cooper e Ozzy Osbourne.

Na edição de 1996, o grupo Raimundos foi o único brasileiro. Na parte internacional, os nomes foram Heroes del Silencio, Mercyful Fate, King Diamond, Helloween, Biohazard, Motörhead, Skid Row e Iron Maiden.

O Monsters de 1998 também trouxe grande número de atrações. Entre os brasileiros, os representantes foram o Dorsal Atlântica e o Korzus. Do lado internacional, Glenn Hughes foi o primeiro a tocar, seguido por Savatage, Saxon, Dream Theater, Manowar, Megadeth e Slayer.

Em 2013, o Monsters retornou para matar as saudades dos fãs e foi realizado na Arena Anhembi. Os headliners do ano retrasado foram o Slipknot, que fechou o primeiro dia, e o Aerosmith, que encerrou o segundo dia do evento. Destaque também para outros grandes shows, como os do Whitesnake e do Ratt. O festival também contou com as apresentações do Queensrÿche, do Korn e do Limp Bizkit e surpreendeu pela qualidade sonora na sempre questionada Arena Anhembi.

10
abr
15

Morrissey libera clipe da faixa ‘Kiss Me A Lot’

Morrissey - Foto: DivulgaçãoMorrissey liberou no YouTube o clipe da faixa “Kiss Me A Lot”. A música faz parte do disco mais recente do cantor e compositor britânico, “World Peace Is None of Your Business”, lançado em julho do ano passado.

O novo disco é o décimo de estúdio da carreira do ex-vocalista dos Smiths e teve produção de Joe Chiccarelli, que já trabalhou com os grupos The Strokes e The Killers.

“World Peace Is None of Your Business” sucedeu o álbum “Years of Refusal”, de 2009. Surgiu após um período conturbado da carreira de Morrissey.

Em 2013, o cantor chegou a ter alguns problemas de saúde que provocaram o cancelamento de algumas apresentações na América Latina.

Após o lançamento do disco, já em 2014, novas notícias negativas preocuparam ainda mais os fãs. Tudo porque Morrissey revelou pela primeira vez um diagnóstico de câncer.

Contudo, o cantor disse que fez vários tratamentos para combater a doença e seguiu na ativa com vários shows. “Eu não vou me preocupar com isso, vou descansar quando estiver morto”, assegurou na época.

Em junho deste ano por exemplo, ele tem vários shows agendados para os Estados Unidos.

O clipe de “Kiss Me A Lot” não deixa de ser mais uma boa notícia para quem estava preocupado com o futuro da carreira de Morrissey.

Veja abaixo:

09
abr
15

Esgotados os ingressos no Rock in Rio para dia do Queen com Adam Lambert e mais 2 datas

Adam Lambert com o guitarrista do Queen, Brian May - Foto: DivulgaçãoOs ingressos para o dia de estreia do Rock in Rio 2015 no Brasil já estão esgotados. No dia (18 de setembro), o Queen (ou o que sobrou dele) se apresentará com Adam Lambert nos vocais. Segundo a organização do festival, outras duas datas também já estão com todas as entradas vendidas: o dia 26, que conta com a cantora Rihanna como headliner, e o dia 27, que fecha o evento e terá a cantora Kate Perry como atração principal, além do A-ha como nome importante.

Como prometido, as vendas para o público em geral comprar os ingressos do Rock in Rio começaram pontualmente às 10 horas da manhã desta quinta-feira, dia 9 de abril.

Durante a manhã, porém, houve problemas no site usado para a compra e diversos internautas reclamaram nas redes sociais.

O Roque Reverso, que conseguiu comprar ingressos para o dia do Metallica (19 de setembro), penou. Só conseguiu atingir o objetivo depois de muita paciência em frente à tela do computador.

De acordo com o último balanço divulgado pelos organizadores do Rock in Rio ainda no fim do período da tarde, 545 mil ingressos, do total de 595 mil já foram vendidos.

Segundo os produtores, o dia 26 de setembro, noite em que Rihanna encerra o Palco Mundo, foi o primeiro a ter ingressos esgotados para a edição de 30 anos do Rock in Rio. Os bilhetes para esta data foram todos vendidos após 57 minutos do início das vendas, às 11 horas, momento em que o processo de compra foi normalizado.

Depois da data de Rihanna, os ingressos do dia do Queen acabaram e, na sequência, as entradas para o dia de Kate Perry.

O festival de 2015  será realizado no Rio de Janeiro em setembro, nos dias 18, 19, 20, 24, 25, 26 e 27.

No dia 18, além do Queen com Adam Lambert nos vocais, tocarão o OneRepublic, The Script e uma infinidade de atrações nacionais que vão se revezar no Palco Mundo, num momento que fará um revival dos 30 anos.

No dia 19, é a vez do Metallica ser o headliner de uma das noites do rock pesado pela terceira edição consecutiva. Desta vez, a banda norte-americana terá a companhia do Mötley Crüe, do Royal Blood e do Gojira no palco principal.

No dia 20, Rod Stewart tocará com Elton John e Paralamas do Sucesso.

No dia 24, o rock pesado volta com o System of a Down como atração principal. O grupo terá a companhia do Queens of The Stone Age e do Holywood Vampires, banda formada por ninguém menos que Alice Cooper, Johnny Depp e Joe Perry (Aerosmith). O grupo brasileiro CPM 22 tende a ser a banda deslocada da vez, já que não tem nada a ver com os demais.

No dia 25 de setembro, o peso continua, já que tocarão o De La Tierra, o Mastodon, o Faith No More e o headliner Slipknot.

No dia 26, a cantora pop Rihanna será a atração principal e terá a companhia de Sam Smith, Sheppard e o cantor brasileiro Lulu Santos. No dia 27, é a vez de Kate Perry ser a headliner, depois das apresentações do grupo norueguês A-ha, da banda brasileira Cidade Negra e da recém-anunciada cantora pop sueca Robyn.

Além das atrações do Palco Mundo, há uma série de nomes já confirmados para o Palco Sunset, aquele que traz uniões inusitadas e marcantes.

A edição comemorá os 30 anos do primeiro festival no Brasil, realizado em 1985. O valor estipulado para os ingressos nesta fase de venda geral ao público foi de R$ 350,00 (inteira) e R$ 175,00 (meia-entrada). Quem é cliente Itaucard, pode comprar com 15% de desconto e parcelar em 6 vezes.

08
abr
15

Twisted Sister anuncia fim em 2016 e Mike Portnoy como substituto de baterista morto

Formação restante do Twisted Sister, ainda se Mike Portnoy - Foto: DivulgaçãoPoucas semanas após a morte do baterista AJ Pero, o Twisted Sister anunciou que encerrará as atividades em 2016. Até lá, a banda de hard rock dos Estados Unidos realizará uma turnê de despedida e, para o lugar do baterista falecido, foi convocado nada menos que o excelente Mike Portnoy, mais conhecido pela marcante passagem na batera do Dream Theater.

Portnoy se juntará ao restante do TS, formado pelo vocalista Dee Snider, além de Jay Jay French (guitarra), Mark Mendoza (baixo) e Eddie Ojeda (guitarra).

De acordo com o comunicado do grupo norte-americano, todos os shows agendados para 2015 serão realizados e terão a presença de Portnoy.

Segundo a banda, duas apresentações específicas servirão para honrar a memória de AJ Pero, sendo que uma será feita na costa leste e a outra na costa oeste do Estados Unidos.

O primeiro show será realizado em Las Vegas, no dia 30 de maio, no Hard Rock Hotel and Casino, e será registrado para um futuro lançamento em DVD e também CD ao vivo.

A segunda apresentação, especialmente para a família de Pero, está prevista o dia 13 de junho, no Starland Ballroom em Sayreville, New Jersey.

Em 2016, a banda volta para a estrada com a turnê “Forty and F*ck It”, celebrando 40 anos da carreira iniciada em 1972 e se despedindo dos fãs.

AJ Pero morreu aos 55 anos e o anúncio de seu falecimento foi feito no dia 20 de março na página oficial do grupo no Facebook, quando a principal suspeita da morte foi um ataque cardíaco.

O músico, que foi encontrado morto no ônibus de turnê do Twisted Sister, tocou na fase clássica da banda norte-americana de hard rock, na década de 80, e retornou em definitivo em 2003.

06
abr
15

Machine Head volta ao Brasil para apresentação única em SP em junho

Machine Head em SP - Cartaz de DivulgaçãoO Machine Head voltará ao Brasil em junho para uma apresentação única em São Paulo. O show será realizado no dia 7, no Via Marquês, na zona oeste da capital paulista, e faz parte da turnê de divulgação do álbum “Bloodstone & Diamonds”, lançado em 2014.

Os fãs interessados em conferir a performance do grupo liderado pelo guitarrista e vocalista Robb Flynn podem comprar ingressos pelo site da Ticket Brasil.

O valor das entradas de 1º Lote é de R$120,00 (Pista Meia/promocional – limitados). Para o 2º lote, o preço é de R$ 150,00 (Pista Meia/promocional). Para o Camarote, o valor é de R$ 200,00 (Meia/promocional).

Os pontos de venda físico são as Loja Hellion e 255, na Galeria do Rock, além da Loja Metal Music, em Santo André, localizada na Rua Dona Elisa Fláquer, 184.

A primeira vez do Machine Head no Brasil foi em 2011. Na ocasião, a banda norte-americana excursionou com o Sepultura pela América Latina e fez disputados shows e território nacional em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.

Fundado em 1991, em Oakland (EUA), o Machine Head tem oito álbuns lançados de estúdio. O grupo já atingiu a expressiva marca de 3 milhões de discos vendidos em todo planeta.

Para comemorar o retorno do Machine Head ao Brasil, o Roque Reverso descolou no YouTube o clipe oficial da música “Now We Die”, presente no novo álbum “Bloodstone & Diamonds”.

05
abr
15

Show do Smashing Pumpkins no Lollapalooza foi como uma ilha de rock em noite de pop e eletrônico

Smashing Pumpkins no Lollapalooza - Foto: Divulgação LollapaloozaO Smashing Pumpkins tocou no dia 29 de março no Lollapalooza 2015 e deixou uma boa impressão para os fãs novos e antigos que acompanharam a apresentação ao vivo ou pela TV. Num show relativamente curto, a banda norte-americana liderada pelo vocalista e guitarrista Billy Corgan reuniu, no Autódromo de Interlagos, na cidade de São Paulo, grandes hits que entraram para a história do rock e fizeram a cabeça dos fãs da boa música nos Anos 90.

A apresentação no Lollapalooza não chegou ao nível do grande show que a banda fez no auge da carreira no Hollywood Rock de 1996, mas superou a performance do grupo no Planeta Terra Festival de 2010.

Tal qual 2010, Billy Corgan é o único remanescente da formação original e clássica, que tocou demais naquele Hollywood Rock. A diferença, talvez, em relação ao Planeta Terra, é que os músicos que acompanharam o vocalista têm um pouco mais de bagagem.

Na bateria, por exemplo, Brad Wilk (Rage Against the Machine e Audioslave) deu um peso maior a algumas músicas. Mark Stoermer, do The Killers, ficou bem quieto no baixo, mas deu o suporte necessário à banda. Na outra guitarra, Jeff Schroeder também não fez feio e ajudou bastante Corgan.

A ótima “Cherub Rock”, do clássico “Siamese Dream”, de 1993, foi a primeira do show e trouxe a banda com uma energia até surpreendente. Outros hits, da fase áurea, como “Tonight, Tonight”, “1979” e “Disarm”, também encantaram a plateia fã do grupo, que representava quase uma ilha, num dia de festival marcado fortemente pelo pop e pela música eletrônica.

Também vale destacar as canções do bom novo álbum, “Monuments to an Elegy”, lançado no fim de 2014. “One and All”, que já havia sido elogiada aqui no Roque Reverso quando foi liberada no YouTube, foi o destaque, já que tem muito do que o Smashing Pumpkins trouxe de melhor ao rock.

Smashing Pumpkins no Lollapalooza - Foto: Divulgação LollapaloozaSmashing Pumpkins no Lollapalooza - Foto: Divulgação LollapaloozaSmashing Pumpkins no Lollapalooza - Foto: Divulgação LollapaloozaSmashing Pumpkins no Lollapalooza - Foto: Divulgação Lollapalooza

A última música da primeira parte do show foi nada menos que “Bullet With Butterfly Wings”, que tem a tradição de empolgar o mais frio dos fãs. No Lollapalooza não foi diferente e muita gente achou que esta foi a canção que mais animou a plateia.

Depois de uma breve pausa, o bis foi a volta solitária de Corgan com um violão e a execução acústica da bela “Today”, que ficou muito legal com a ajuda do público cantando. A música chegou a ser atrapalhada momentaneamente por uma queima de fogos de artifício claramente iniciada antes do combinado.

O fato inesperado deixou Corgan contrariado. Tanto que ele chegou a olhar feio, balançar a cabeça e a parar os acordes, para depois recomeçar. Por fim, um dos clássicos que estava no set list original divulgado pela banda, a música “Zero”, não foi executado, talvez porque o vocalista tenha pensado que a queima de fogos fosse um recado de que o festival estava acabando. “Heavy Metal Machine” também ficou só na promessa.

Com isso, ficou uma sensação de “quero mais” e até de frustração por parte do público que queria ouvir “Zero” e já tinha tido acesso ao set list. A análise do show foi positiva, mas a queima de fogos acabou atrapalhando.

Resta saber se Corgan, cada vez mais expondo seus sentimentos (chegou a lamentar a morte do gato durante o show) e claramente cansado do cenário atual do rock, continuará com o Smashing Pumpkins. Apesar de não ser a mesma coisa que no passado, o grupo parece ter ainda lenha para queimar em tempos de muitos questionamentos sobre o futuro do rock.

Para relembrar o show do Smashing Pumpkins no Lollapalloza, o Roque Reverso descolou vídeos da apresentação no YouTube. Fique inicialmente com “Cherub Rock”. Depois veja a banda tocando “Bullet With Butterfly Wings”. Para fechar, a execução acústica de “Today”.

Set list

Cherub Rock
Tonight, Tonight
Ava Adore
Being Beige
Drum + Fife
Stand Inside Your Love
1979
Pale Horse
Monuments
Drown
Disarm
One And All
United States
Bullet With Butterfly Wings

Today (acústico)

04
abr
15

Manic Street Preachers – O lado subversivo do britpop

Manic Street Preachers - Foto: DivulgaçãoPor Caio de Mello Martins*

Uma das bandas mais hypadas e polêmicas no cenário musical britânico dos Anos 90, aqui no Brasil, os Manic Street Preachers, se muito, encaixam uma ou duas músicas entre os clássicos de Britpop mais celebrados. É comum notar que mesmo fãs mais ardorosos do estilo, que costumam contar a história da própria vida por meio de versos de Oasis, Blur e Pulp, não conhecem a fundo a obra da banda.

Conta bastante para isso o fato de que os Manics (como são apelidados) são a ovelha negra do Britpop. A começar pela origem – a banda nasceu no País de Gales e se infiltrou no circuito londrino e cosmopolita do gênero. E, enquanto os grupos mais conhecidos bebiam do inventário musical inglês acumulado ao longo de 30 anos de tradição, os Manics tinham – ao menos no início – uma sonoridade decididamente americana.

Pode-se dizer que eles percorreram o caminho contrário da linha evolutiva do rock – uma banda punk a princípio, gritando palavras de ordem contra uma engessada parede de quatro acordes e se apresentando com trajes de guerrilha adornados com slogans em stencil, a banda posteriormente firmou suas raízes estéticas no glam rock, um dos pais do punk.

A mudança foi operada no final dos Anos 80, quando seus integrantes piraram o cabeção com “Appettite for Destruction”, do Guns N’ Roses, e outras bandas hair metal mais dadas a escândalos, como o Hanoi Rocks. A partir daí, o compositor principal e guitarra solo James Dean Bradfield se converteu numa máquina incontrolável de riffs de hard rock, temperados com solos memoráveis (daqueles que você canta nota por nota) cheios de licks espertos. Enquanto isso, seus companheiros Richey Edwards (guitarra base), Nicky Wire (baixo) e, em menor medida, Sean Moore (batera) trocaram o look Clash 77’ por batons, delineadores, peles e muito glamour, meu bem.

Riffeira de hard rock e visual andrógino formam uma receita pra lá de manjada desde os Stones, e que produziu uma profusão de bandas-clones na época. James Dean Bradfield podia ser (e é) um ótimo compositor, mas o que diferenciava mesmo o grupo era Richey Edwards, uma das figuras mais enigmáticas do rock.

Debaixo de toda a frivolidade juvenil de seu visual, jazia um devorador de livros calcado na mais niilista, amarga e inquietante filosofia política do pós guerra. Aderindo à estratégia de sabotagem cultural extraída de pensadores situacionistas como Raoul Vaneigem e Guy Debord, Richie sabia que a crítica ao sistema só poderia alcançar as massas se feita dentro da lógica da sociedade do espetáculo.

Sua diversão era montar uma espécie de “oxímoro hard rock”: contrapostas à viril e vibrante sonoridade, estavam imagens de holocausto, bombas atômicas, anorexia, suicídio e outros sintomas de barbárie presentes no inconsciente da frágil civilização ocidental, montada em cima de anos de guerra, violência e exploração de desigualdade social. Os batons e o olhar cheio de fatigue dos seus membros ganhavam contornos subversivos, quando usados para cantar a banalidade cotidiana de uma sociedade que só se realiza por meio do consumo e, estéril do ponto de vista da práxis, depende de figuras públicas fabricadas pelo marketing politico e pela indústria cultural para se ver representada. Sacou?

Claro que nada disso era expressado de modo muito explícito. Como porta voz da banda, Richey gostava de manipular a imprensa musical (que naquela época ainda era “O” grande filtro cultural e comportamental para jovens britânicos) com declarações jocosas e escândalos que geravam polarização do publico — a favor ou contra, o importante era ter exposição. Hoje isso seria impensável, mas em 1991 Richey resolveu mutilar seu braço com um canivete para escrever a frase “4REAL”, em resposta a um crítico da NME que questionou sua sinceridade. Sobre a nostalgia da psicodelia na Inglaterra, revivida graças ao sucesso das bandas Shoegazecomo Verves e Slowdive, Richey declarou que “sempre odiaremos mais o Slowdive que Hitler”. Em típica bravata, a banda anunciou que iria ultrapassar o début dos Guns N’ Roses em vendas e fazer a maior turnê mundial de todos os tempos (uma volta ao mundo sobre palcos apelidada de “from Bangkok to Saigon”) para, “heroicamente”, decretar o fim de sua existência, tão fugaz quanto a vida útil de uma Coca-Cola.

Não foi exatamente o que aconteceu. “Generation Terrorists”, o primeiro álbum da banda lançado pela EMI em 1992, rendeu a banda um disco de ouro na Grã Bretanha e um nada impressionável 17o lugar para o principal single, “Motorcycle Emptyness”. Tampouco foi o canto de cisne da banda, que no ano seguinte já estava lançando a sequência, “Gold Against The Soul”. Não obstante, é um raro caso de vida intelectual ativa no hard rock. As letras de Richey, uma tortura auto-expiativa, revelam sua implacável (e paranóica) compreensão do mundo contemporâneo, apresentando-o como uma pantomima infame que anula qualquer possibilidade de autenticidade e autonomia critica. James, por sua vez, é dono de uma privilegiada musicalidade, capaz de transformar letras intrincadas em grandes melodias pop.

Como guitarrista, sua criatividade em encaixar riffs infalíveis de puro hard rock oitentista fica patente em faixas como “Condemned to Rock ‘n’Roll”, “Slash N’ Burn” e “So Dead”. Apesar de irregular em sua consistência, o álbum impressiona pela ambição artística: citações de Camus, Rimbaud, Nietzsche e George Orwell acompanham as faixas no encarte.

Pensado como um grande “Happening” para chacoalhar a indústria cultural em suas entranhas, Generation Terrorists nao alcançou seu objetivo inicial e, com isso, restou a banda a (cínica) luta para honrar seu contrato com a EMI e manter-se relevante no mercado. Em seu segundo álbum, a banda tentou atualizar seu som com ogroove que assolava as paradas mundiais graças a lançamentos inescapáveis como “Screamadelica” e “Achtung Baby”. Fora a diluição do som, o que estava fazendo a banda ruir eram os terríveis surtos de depressão de seu problemático mentor.

Em suas crises, Richey sofria de anorexia, praticava automutilação e se afundava no alcoolismo. Dúvidas pairam sobre a contribuição musical de Richey para a banda – em mais de uma vez, foi flagrado em shows com sua guitarra desplugada – entretanto seu total estado de embriaguez obrigou a banda a cancelar alguns shows em 1993. Muito embora já tivesse escrito material o bastante para garantir ao menos 80% das letras do próximo álbum, Richey vivia entrando e saindo de clinicas e, afora tenha assinado a concepção artística da futura obra, esteve em grande parte afastado de seu processo criativo.

Nessas reviravoltas que fazem do rock algo tão apaixonante – e reviravoltas não faltam para os Manics – a banda lancou em 1994 o que ficou conhecido como sua obra-prima. “The Holy Bible” possui letras que revelam uma fragilidade tão intima quanto desconcertante, opiniões e imagens tão genuínas quanto abomináveis – e por conta deste fluxo continuo de verdades tão sinceras quanto poéticas, arrebatam o ouvinte por sua humanidade. Sonoricamente, é um animal bem diferente dos Manics ao qual o público inglês havia se familiarizado.

Pode-se considerar “The Holy Bible” o primeiro álbum de Britpop, reconectando-os  ao panteão do rock inglês — um pop desconstruído, é verdade, ainda que James Bradfield não tenha perdido em absoluto sem grande dom por solos melodiosos (antes de dizer que estou babando ovo, ouça “Archives of Pain”). Ecos de Joy Division, Gang of Four, Simple Minds (os primeiros álbuns) e Siouxsie And The Banshees se revelam a cada ritmo fraturado, a cada textura abrasiva, e também na ambiência fantasmagórica criada como contexto para as assombrosas e gráficas confissões de Richey: anorexia, violência institucionalizada e misantropia aparecem sem recalques nem auto-comiseração. Fãs de Nirvana podem notar um macabro paralelo entre “The Holy Bible” e a ultimo gesto criativo de Kurt Cobain, “In Utero”.

A ênfase no macabro explica-se: seria o ultimo álbum antes que Richey desaparecesse sem deixar rastros e antes que o trio se reinventasse como uma instituição do Britpop, ressurgindo com hinos açucarados do estilo que nem de longe lembra o som agressivo e a pose atrevida de outrora.

Richey foi dado como morto pela família em 2008, após treze anos de sumiço. Investigações dão conta que em 1995, quando tinha 27 anos, o artista sacou diariamente 200 libras durante as duas semanas anteriores a seu desaparecimento. Em 1o de fevereiro, mesmo dia em que deveria embarcar com James para a turnê norte-americana, Richey fechou a conta do hotel onde estava em Londres e dirigiu para Cardiff, capital do País de Gales. Há ainda a declaração de um taxista que, uma semana depois, o teria pegado como passageiro em Newport, País de Gales, e o deixado perto da ponte Severn, local nas proximidades da cidade inglesa de Aust e um conhecido ponto de suicidas. Seu carro, encontrado perto da ponte, foi dado como abandonado no dia 14. Fãs alimentam a lenda clamando terem visto Richey em lugares tao dispares quanto Goa e as Ilhas Canarias, mas nenhuma dessas alegações foi confirmada.

Um posfácio apócrifo para essa formação dos Manics, que tanto se arriscou em termos de criatividade e brilhou com talento e coragem. Merece, certamente, a atenção de qualquer pessoa minimamente interessada em entender a passagem dos anos 80 para os 90 e em conhecer os voos roqueiros sobre a metalinguagem da arte.

Para relembrar o Manic Street Preachers, o Roque Reverso descolou vídeos no YouTube. Fique inicialmente com os das músicas “Born To End” e “Archives of Pain”. Para fechar, uma matéria na TV inglesa sobre o desaparecimento de Richey James, onze meses após o fato.

*Caio de Mello Martins é amante do bom e velho rock n’ roll, jornalista e precisa do estilo para manter a sanidade mental



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